Carta ao leitor
Apresentação: O retrato de uma geração
Entrevista: Alissa Quart
Ponto de vista: Içami Tiba
Ponto de vista: Jairo Bouer
Humor: Luis Fernando Verissimo

Sexo: Eles sabem tudo, mas estão confusos
Gravidez: Quando o bebê vem cedo demais
Religião: Os jovens estão mais místicos
Voluntariado: A nova causa é fazer o bem
Drogas: Por que é tão difícil ficar longe delas
Família: Os filhos adiam a saída da casa dos pais
Blogs: O diário do século XXI é público

Nutrição: As regras da boa alimentação
Moda: Saiba o que garotas e rapazes estão usando neste inverno
Estilo: Os jovens e suas tribos
Tatuagem: Símbolo de rebeldia, ela virou sinal de vaidade
Gente: Famosos contam os vexames de sua juventude
Viagem: Férias legais por preços mais legais ainda
Decoração: Meu quarto, meu castelo
Aventura: A galera que curte adrenalina

Profissão: Como escolher a carreira
Vida escolar: Dicas para ser um estudante melhor
Intercâmbio: Uma experiência para toda a vida

Crescimento: Os jovens brasileiros estão mais altos
Ciência: Médicos explicam o aborrescente
Esporte: É melhor não exagerar

Compras: Eles gastam muito

Computadores: A geração pontocom
 

Por que é difícil dizer não às drogas

Quem usa drogas pela primeira vez não vê
os amigos se acabando nas sarjetas e não
acredita que vai ser um viciado

 

EXCLUSIVO ON-LINE
Como agem e quais os efeitos de algumas drogas

As campanhas contra o uso de drogas e a exibição na televisão do efeito devastador que elas têm sobre a vida dos viciados deveriam ser suficientes para riscar esse mal da superfície do planeta. Não é o que acontece. Num desafio ao bom senso, um número enorme de adolescentes continua dizendo sim às drogas. Pesquisa recente mostrou que um em cada quatro estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública brasileira já experimentou algum tipo de droga, além do cigarro e das bebidas alcoólicas. A idade do primeiro contato com esse tipo de substância caiu dos 14 para os 11 anos em uma década. Tais dados sinalizam um futuro bem ruim. Quanto mais cedo se experimenta uma droga, maiores são os riscos de se tornar viciado. As pesquisas também revelam que a maioria dos jovens sabe que as drogas podem se transformar num problema sério. Mas isso não basta para mantê-los longe de um baseado ou de um papelote de cocaína.

Por que é assim? É claro que quem experimenta pela primeira vez não deseja virar viciado. Um estudo do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas da Universidade de São Paulo (Grea) diz que a curiosidade é a motivação que leva nove em cada dez jovens a consumir drogas pela primeira vez. Em seguida vem o desejo de se integrar a algum grupo de amigos. No momento da iniciação das drogas, o adolescente não vê os amigos morrendo, sendo pressionados por traficantes nem se acabando nas sarjetas. Também é difícil perceber a importância que a droga pode assumir em sua vida no futuro. A maioria das drogas só provoca dependência depois de algum tempo de uso. Ou seja, quem entra nessa só percebe tarde demais que está num caminho sem volta. Apenas uma parcela dos usuários se torna dependente grave, do tipo que aparece nas novelas de TV. Apostar nesse argumento para usar drogas é uma loteria perigosíssima, porque ninguém sabe ao certo se vai virar viciado ou não.

Há alguns fatores que contribuem para que um jovem tenha maiores probabilidades de se viciar. O primeiro é genético. Já se provou que pessoas com histórico familiar de alcoolismo ou algum outro vício correm maiores riscos de também ser dependentes. Os demais estão relacionados com a personalidade. Adolescentes tímidos, ansiosos por algum tipo de reconhecimento entre os amigos, apresentam maior comportamento de risco para a dependência. Eles acreditam que as drogas os ajudarão a ser mais populares entre os colegas ou que serão uma boa maneira de vencer a travação na hora de se declarar e namorar, tarefa sempre complicada para quem é introvertido. Jovens inseguros, que sofrem de depressão ou ansiedade, costumam procurar as drogas como alívio para seus problemas. É ainda uma forma de mostrar aos pais que algo não vai bem com eles ou com a vida familiar. No extremo oposto, aqueles que parecem não ter medo de nada e que buscam todo tipo de emoções também correm grande risco de se envolver com drogas.

O melhor jeito de dizer não às drogas é entender que ninguém precisa ser igual ao amigo ou repetir padrões de comportamento para ser aceito no grupo. É por isso que a prevenção em casa funciona melhor que os anúncios do governo. "Dá para fazer uma boa campanha doméstica sem falar necessariamente em droga", diz o psiquiatra Sérgio Dario Seibel, de São Paulo. Em outras palavras: é natural o adolescente repelir reprimendas e conversas formais sobre esse assunto. Imediatamente fecha a cara e os ouvidos a quem lhe diz em tom grave: "Precisamos conversar sobre drogas", seja o pai, a mãe, seja o governo ou qualquer instituição. A situação ainda é pior quando o pai bebe todo dia sob o pretexto de relaxar ou quando está nervoso e deprimido. Ele pode passar para o filho a idéia de que a bebida é um poderoso aliado para enfrentar obstáculos. A mãe que toma comprimidos para dormir também está dando ao filho a falsa idéia de que as substâncias químicas garantem a felicidade. Daí a ele achar natural usar drogas é apenas um passo.

 
Elas fazem muito mal
 

Muita gente acredita que o consumo esporádico de drogas não faz mal. Errado. Todas as drogas são de alto risco: prejudicam a saúde, perturbam os estudos e alteram o humor para pior. E ninguém sabe de antemão se vai ou não se tornar um viciado.

ÁLCOOL
Provoca cirrose e hepatite alcoólica, hipertensão, problemas cardíacos. Causa danos cerebrais e provoca perda de memória. Leva à dependência física, com graves crises de abstinência e, em grandes doses, provoca coma.



MACONHA
Causa apatia e perda de motivação, prejudica a memória e o raciocínio. Estudos mostram que quem fuma maconha está mais sujeito a sofrer de insuficiência cardíaca e esquizofrenia.


Milton Carello


COCAÍNA
O risco de overdose é alto, o que pode levar à morte. O uso contínuo causa degeneração muscular, perda do desejo sexual, alucinações e delírios. Uma em cada cinco pessoas que experimentam a droga se torna dependente


Ricardo D'Angelo


ECSTASY
Induz a ataques de pânico e ansiedade. Provoca danos nas células nervosas, o que leva à depressão crônica.

 

 

 
Teste
 

O que você sabe sobre seu filho?

Muitas vezes os pais são os últimos a saber dos problemas dos filhos. Confira se você conhece bem seu filho e está em condições de perceber se ele precisa de ajuda

1. Você conhece o melhor amigo de seu filho?
Sim
Não

2. Sabe qual é a coisa que ele mais teme?
Sim
Não

3. Conhece o seu programa de TV favorito?
Sim
Não

4. Sabe se ele gosta mais de matemática que de geografia?
Sim
Não

5. Saberia dizer qual a cor que ele gostaria de ter nas paredes do quarto?
Sim
Não

6. Conhece qual é o herói de seu filho?
Sim
Não

7. Sabe se ele se sente querido pelos colegas na escola?
Sim
Não

8. Saberia dizer o que ele mais gostaria de fazer nas próximas férias?
Sim
Não

9. Sabe qual é o objeto pessoal a que ele dá mais valor?
Sim
Não

10. Saberia dizer qual a comida de que ele mais gosta? E a que detesta?
Sim
Não

11. Sabe o que seu filho considera ser seu maior talento ou habilidade específica?
Sim
Não

12. Conhece qual é o aspecto ou detalhe de aparência de seu filho que ele menos gosta?
Sim
Não

13. Sabe o que ele deseja para si mesmo profissionalmente?
Sim
Não

14. Conhece qual dos afazeres ou tarefas domésticas ele menos aprecia?
Sim
Não

15. Sabe de qual acontecimento, momento ou ocasião familiar ele mais gosta?
Sim
Não

16. Conhece os apelidos que os outros adolescentes dão ao seu filho?
Sim
Não

17. Conhece os feitos ou realizações de que seu filho mais se orgulha?
Sim
Não

18. Sabe qual a maior queixa ou reclamação que seu filho tem da família?
Sim
Não

19. Conhece seu estilo favorito de música?
Sim
Não

20. Sabe quais esportes ele tem mais prazer em praticar?
Sim
Não

21. Sabe qual seu estilo ou tipo de roupa favorito?
Sim
Não

22. Sabe o que seu filho gostaria de mudar ou modificar nele mesmo?
Sim
Não

23. Saberia dizer qual a situação que o deixa mais embaraçado?
Sim
Não

24. Conhece a pessoa, fora do âmbito familiar, que mais influenciou ou tem influenciado seu filho?
Sim
Não

 

Pontuação

 

Resultado

Entre 24 e 19 pontos: você conversa bastante com ele e o conhece bem

Entre 18 e 12 pontos: você o conhece razoavelmente bem, mas pode melhorar

Menos de 12 pontos: você precisa ficar mais tempo com ele e ouvi-lo mais

 

 

Fonte: Sandra Scivoletto, psiquiatra do Grupo Interdisciplinar
de Estudos de Álcool e Drogas da Universidade de São Paulo