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ÍNDICE
  Carta ao leitor
Apresentação
Contexto
Comportamento
Cotidiano
Cultura
Educação e Saúde
  Vestibular: O monstro já não assusta como antes
Escolas: Os estilos de ensino conservador e liberal se aproximam
Intercâmbio: Estudar no exterior é necessário, mas estressante
Limites: Pais que não os colocam na infância pagam um preço alto na juventude
Corpo: A inevitável paranóia do físico perfeito
Esportes: Os riscos de praticá-lo de forma errada
Notas
Gente
Consumo
Opinião
 

 
- EDUCAÇÃO E SAÚDE  
       
   

Stress no exterior

O intercâmbio é um estágio quase obrigatório para os jovens de classe média. Mas nem sempre a experiência é prazerosa

Claudia Manso

Houve duas mudanças significativas no campo do intercâmbio. A primeira é que ele se tornou uma prática cada vez mais necessária para o jovem de classe média. No ano passado, 80 000 brasileiros deixaram o país para participar de programas educacionais, um aumento de 66% em relação a 1999. A segunda mudança é que o intercâmbio hoje é encarado de forma diferente.

O adolescente sai de casa com metas traçadas. Tem de voltar dominando, pelo menos, o idioma no qual as aulas são ministradas -- em geral, o inglês. Os pais fazem um investimento alto, muitas vezes poupam durante anos para isso e cobram resultados. Essa pressão, acompanhada de certa sensação de "eu-quero-minha-mãe", faz com que o intercâmbio se torne, muitas vezes, uma fonte de stress. "Em determinadas situações, a experiência pode ser traumática", avalia o educador Júlio Groppa Aquino, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

Atingir um bom desempenho escolar numa língua estrangeira é a primeira fonte de ansiedade. A maior parte dos adolescentes que vão para o exterior tem apenas o inglês básico aprendido no colégio. A segunda fonte de ansiedade é a necessidade de conviver, pela primeira vez, com uma nova família. O mineiro Renato Castro, que aos 13 anos passou um ano na Nova Zelândia, entrou em pânico. "Passei dois dias com a mesma roupa porque não sabia como pedir para tomar banho na língua deles", lembra. A convivência na escola também nem sempre é fácil. "No primeiro dia de aula ninguém olhou na minha cara. Fiquei desesperada", conta Roberta Coutinho Borges, estudante de 15 anos, de Araçatuba, que passou dez meses na Alemanha. O choque cultural foi grande. Ela chegou a entrar em conflito com a família adotiva e teve de mudar de casa depois de dois meses. Já a experiência de Joana Alimonda, uma carioca de 18 anos, envolveu uma elevada dose de tédio. Acostumada a viver em uma metrópole repleta de opções para um adolescente se divertir, foi parar em Broadview, uma minúscula cidade dos EUA, com 8 264 habitantes. "Era tanta falta do que fazer que eu chorava de ódio, além de morrer de saudade", lembra. "Mas me consolava ao pensar que aquilo ia ser bom para o meu futuro." Na época da viagem, Joana estava com 16 anos.

Apesar de tudo, o intercâmbio é uma experiência positiva, segundo os especialistas. Além de adquirir fluência numa língua estrangeira, o adolescente sai da barra da saia da mãe, aprende a se virar sozinho, adquire maturidade. Pela primeira vez na vida, dizem os estudiosos, o jovem se vê obrigado não apenas a lidar com a liberdade mas também a controlar a angústia provocada por essa liberdade. Roberta Borges, a estudante que passou nervoso na Alemanha, reconhece: "Amadureci bastante do ponto de vista psicológico, aprendendo a lidar com diferentes tipos de pessoa". Conclusão: o intercâmbio às vezes pode ser um processo sofrido, mas mesmo assim vale a pena fazer.

 
       
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