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Pode tudo,
mas com moderação
Não
existem esportes proibidos para adolescentes.
Mas eles devem ser praticados em versão light
Fernando
Tadeu Santos
Até
pouco tempo atrás os professores de educação
física trabalhavam com um dogma. Acreditava-se que havia
esportes indicados para adolescentes e atividades que eram proibidas.
Isso mudou. Sabe-se que o jovem pode praticar qualquer esporte,
sem prejuízo de sua saúde nem danos ao processo de
crescimento. Todos eles, no entanto, devem ser praticados em versão
light ou seja, depois de sofrer adaptações
próprias à faixa etária.
De acordo com essa teoria, as modalidades se dividem em três
grupos. No primeiro estão as aeróbicas atletismo,
natação e jogos com bola. Essas são as que
exigem menos cuidados. "O único perigo para o adolescente
está na sobrecarga de esforços", alerta Ana Lúcia
de Sá Pinto, do ambulatório de medicina esportiva
da Universidade de São Paulo.
Nesses
casos, costuma valer a regra de que o jovem consegue suportar 60%
da carga de um adulto. Uma partida de futebol teen, por exemplo,
não deve ultrapassar cinqüenta minutos contra
noventa de um jogo oficial. Claro que os jogadores não levam
essas limitações a sério e vão jogar
duas ou três horas. Mas é o que apontam os estudos.
O segundo grupo de modalidades engloba os esportes que desenvolvem
prioritariamente um lado do corpo. Pertencem a esse grupo tênis,
esgrima e arco-e-flecha. Nenhum adolescente deve privar-se deles.
O único cuidado, além de reduzir a duração
dos jogos, é fazer exercícios de compensação
para as partes do corpo negligenciadas. O terceiro grupo esportivo,
por fim, contempla as atividades que envolvem maiores riscos: ginástica
olímpica e musculação. "O excesso de exercício
com pesos ocasiona o fechamento das cartilagens antes do tempo,
impedindo o crescimento sadio dos ossos", explica o professor Turíbio
Leite de Barros, fisiologista do São Paulo Futebol Clube.
No caso da ginástica, os exercícios intensivos destinados
a obter perfeição nos movimentos podem no futuro comprometer
a coluna. A regra geral para esses esportes é praticá-los
apenas sob a supervisão de um treinador e preferir a repetição
ao uso da força. Em vez de levantar um peso de 40 quilos
uma vez, é mais apropriado levantar uma carga de 5 quilos
várias vezes. É claro que a maior parte dos teens
do sexo masculino vai ignorar também esse conselho. Afinal,
o que eles querem, quando procuram uma academia, é ficar
com os músculos de Arnold Schwarzenegger. E isso só
se consegue, na gíria dos marombeiros, "puxando muito ferro".
O adolescente que se destaca na prática de um esporte e,
com isso, é selecionado para participar de competições
precisa tomar cuidados extras. Nesses casos, freqüentemente
ele é levado a exceder os 60% da carga de um adulto. "É
imprescindível, nessas situações, que o teen
tenha um trabalho de preparação bem dosado, para minimizar
o risco de lesões", ensina Anna Rozov, professora da Fórmula
Academia, que coordena um programa especial para adolescentes.
Histórias de alguns ídolos do esporte brasileiro comprovam
o risco dos excessos. A catarinense Ana Moser, grande destaque do
vôlei brasileiro, teve de encerrar a carreira precocemente
devido a contusões. Foi submetida a várias cirurgias
no joelho esquerdo, além de sofrer dores terríveis
por causa de uma lombalgia e uma tendinite no ombro. O maior cestinha
do basquete nacional, Oscar Schmidt, costuma repetir sempre uma
frase: "Dor e cansaço fazem parte do uniforme do atleta de
alto nível". Oscar quebrou a mão direita quatro vezes,
teve uma fratura grave no tornozelo e todos os dentes quebrados.
Embora ainda esteja em atividade, não consegue dirigir carro
por muitas horas seguidas. Sente dores quando fica por muito tempo
com o joelho dobrado. Por mais que queira ganhar competições,
é absurdo que um atleta amador se submeta às mesmas
provações que os profissionais.
Outro fator importante ao iniciar a prática de um esporte
é escolher algo que dê prazer. Parece tolice, mas muita
gente se entrega a um esporte porque o pai quer ou o amigo já
pratica. Vale a pena testar de tudo e descobrir assim a verdadeira
vocação. Afinal, o exercício rende bem mais
se o atleta sente satisfação ao praticá-lo.
Além disso, quem faz o que gosta dificilmente abandonará
a atividade. Quando o esporte é também um prazer,
pode proporcionar muito mais do que benefícios físicos.
"É um poderoso aliado no combate ao stress e no resgate da
auto-estima, algo importantíssimo quando se trata de adolescentes",
explica a psicóloga Helena Lima, da Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo.
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| Fotos de Marcelo Tinoco, Ciete Silvério,
Frederic Jean, Gladstone Campos, Pedro Marinelli Morgade, André
Brant e Fábio Cabral |
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