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ÍNDICE
  Carta ao leitor
Apresentação
Contexto
Comportamento
Cotidiano
Cultura
Educação e Saúde
  Vestibular: O monstro já não assusta como antes
Escolas: Os estilos de ensino conservador e liberal se aproximam
Intercâmbio: Estudar no exterior é necessário, mas estressante
Limites: Pais que não os colocam na infância pagam um preço alto na juventude
Corpo: A inevitável paranóia do físico perfeito
Esportes: Os riscos de praticá-lo de forma errada
Notas
Gente
Consumo
Opinião
 

 
- EDUCAÇÃO E SAÚDE  
       
   

Dois estilos. Uma escola

Lembra aquela enorme distância entre o ensino
conservador e o liberal? Está mais curta.
E a maior guinada é a dos colégios liberais

Thais de Oliveira

As pessoas se acostumaram com uma separação das escolas em dois grandes grupos: as conservadoras e as liberais. As duas palavras dizem respeito a um ponto de vista próprio sobre a forma de impor limites e garantir a disciplina na sala de aula e nas demais dependências do estabelecimento escolar. Resumindo, as escolas conservadoras eram rigorosas contra os desvios e suspendiam ou até expulsavam o aluno diante de um deslize mais sério. Já as liberais respeitavam um ritual mais lento. Chamavam o pai do aluno para uma conversa. Depois criavam um grupo de debates e só então, se nada funcionasse, partiam para as soluções radicais. Pois tomem-se os seguintes casos.

Num episódio recente, a direção da Escola Parque, do Rio de Janeiro, ícone da chamada linha liberal, descobriu que quatro alunos haviam consumido maconha durante uma excursão. O que fez a escola? Expulsou os quatro.

Em São Paulo, outro colégio célebre do ramo "cabeça aberta", o Oswald de Andrade, estabeleceu uma regra severa e preventiva sobre o assunto. "Há um processo antes de pedir que o aluno saia, mas é preciso deixar claro que a escola é terminantemente contra as drogas", diz o diretor pedagógico Ricardo Mesquita. Outra restrição na escola diz respeito à circulação dos alunos. Eles não podem sair da sala durante as aulas para ir ao banheiro ou para beber água. "É um coletivo: quem sai atrapalha a concentração dos demais", explica Mesquita.

Se os casos da Escola Parque, no Rio de Janeiro, e do Oswald de Andrade, em São Paulo, fossem fruto do acaso, nada se poderia concluir sobre o assunto. Ocorre que as escolas de modelo liberal deram uma guinada impressionante em sua linha original. "Hoje se sabe que a repressão não resolve, mas limites são fundamentais", diz a psicopedagoga paulista Sílvia Amaral de Mello Pinto, do Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento, em São Paulo. Em sua opinião, a sociedade pode finalmente estar encerrando um ciclo: o do ensino polarizado.

As mudanças não ocorreram apenas na frente liberal. Também atingiram o lado mais conservador do ensino. É fato que, neste caso, a transformação não é tão perceptível. Pode-se dizer que a grande mudança foi o incremento das atividades artísticas extraclasse. Implantado em 1992 como matéria opcional, cobrada à parte, o teatro provocou uma pequena revolução no tradicional Colégio Rio Branco, em São Paulo. O número de participantes saltou de quarenta, em 1994, para os atuais 215. A disciplina deixou de ser optativa e hoje faz parte do currículo. No recreio, alunos vestidos de palhaço, com maquiagem e nariz vermelho, podem ser vistos circulando pelo pátio. "O teatro tornou a escola mais aberta", acredita Leonardo Pavam Leite de Oliveira, de 14 anos, aluno do 1º colegial. No Dante Alighieri, em São Paulo, os estudantes conquistaram há pouco mais de um ano o direito de publicar um jornal interno e operar um pequeno estúdio de rádio durante o recreio. O namoro nas dependências da escola, entretanto, permanece terminantemente proibido. "O Dante Alighieri tem uma postura tradicional porque os pais que nos procuram esperam isso da escola", justifica o diretor pedagógico Renan de Abreu. O mesmo ocorre no Rio Branco. "Basta você ficar de mãos dadas com uma menina e o inspetor já vem falar que não pode", queixa-se Leonardo Pavam.

Se as escolas liberais se movimentam no sentido de criar regras mais claras, as conservadoras têm como prioridade tornar o ensino mais atraente. No fundo, no entanto, essas preocupações norteiam a ambas. O adolescente de classe média dos dias de hoje vem de uma infância em que podia fazer tudo. Diante desse quadro, muitas vezes os pais querem que a escola imponha freios. De outro lado, o jovem tem hoje à disposição meios de informação dinâmicos, como a internet. Não tem paciência com aulas lineares e enfadonhas como aquelas a que seus pais estavam acostumados a assistir. São alunos com essas características que os colégios – conservadores ou liberais – têm de satisfazer.

 
       
    A VJ Didi (Adriana Wagner) conta como era sua escola  
       
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