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Apenas um
pôster na parede
Os
ídolos antigamente representavam o ideário
de uma geração. Hoje, são diversão pura
e simples
Cecília
Negrão
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Elvis
Presley
Seu rebolado virou ícone da geração que iniciou a liberação
sexual |
A expressão "o ídolo de toda uma geração"
não faz mais sentido nos dias de hoje. No passado, as gerações
se definiam pelos ícones que as representavam. James Dean
era o inspirador da "juventude transviada" dos anos 50. Os Beatles
e os Rolling Stones, da turma do "sexo, drogas e rock'n'roll". Madonna,
com suas canções e sua atitude, liderava a juventude
"com licença, eu vou à luta", da década de
80.
E a geração atual? Pode-se dizer que ela não
cola um pôster na parede. Cola vários. O teen de hoje
gosta num dia do grupo americano Hanson, em outro dos Backstreet
Boys, no terceiro cobre todos eles com um retrato das inglesas Spice
Girls. É infiel por natureza. Isso pode chocar os mais velhos,
que se acostumaram a passar a adolescência orando para um
único roqueiro no altar do quarto.
"Eu
era fã de Roberto Carlos e amava os Beatles com a certeza
de que seria para sempre", diz a bancária paulista Neise
Soares, de 47 anos. "Minha filha não pode dizer o mesmo em
relação a ninguém." A filha de Neise é
a estudante Flávia Gianesella, de 16 anos. Ela coleciona
pôsteres com duas amigas, Nádia Yashimoto, de 17 anos,
e Nataly Moura, de 16. As três já idolatraram as Spice
Girls, o ator americano Leonardo DiCaprio, os Backstreet Boys e
até os Guns N'Roses, do já barrigudo Axl. Elas juntam
tudo. Além de pôsteres, camisetas, revistas, livros,
figurinhas e até pirulitos. Quando a onda passa, guardam
tudo na gaveta e começam outra coleção. Perguntada
sobre quem é seu ídolo real, Flávia responde:
"Gosto de reggae, black music, Whitney Houston, Rodrigo Santoro,
Sandy & Junior..."
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Beatles
e Rolling Stones
Símbolos da juventude engajada dos anos 60. Os Beatles eram
cabeludos, irônicos e provocativos. Os Stones, mais cabeludos,
mais irônicos e mais provocativos |
Dizer
que se trata de uma geração volúvel não
passa de simplificação. O que ocorreu, na verdade,
é que mudou a relação do adolescente com seu
ídolo. Eleger modelos é próprio da idade. Como
diz o psiquiatra paulista Jairo Bouer, a idolatria juvenil é
despertada já entre os 13 e os 15 anos, com "a descarga de
hormônio no sistema nervoso central". A diferença é
que, no passado, os ídolos serviam para definir turmas e
posavam de guardiães de determinados valores. Quem era fã
dos Beatles, que representavam a rebeldia, não podia ser
fã dos Rolling Stones, que representavam uma rebeldia ainda
maior. No Brasil, quem curtia a jovem guarda não freqüentava
shows dos tropicalistas Caetano Veloso e Gilberto Gil, e vice-versa.
Hoje, a identificação com turmas é muito menor
que há dez ou vinte anos. Também saiu de moda o artista
que representava um estilo de vida, como James Dean nos anos 50.
Hoje, de seus ídolos, os adolescentes querem apenas a diversão.
Colecionar figurinhas. Guardar pôsteres. Comprar roupas parecidas.
Urrar de paixão nos shows. E depois ir para casa dormir,
pensando que amanhã será outro dia. Talvez com um
ídolo novo.
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Madonna
Era a musa da geração "com licença, eu vou à luta", dos anos
80. Sua mensagem - abrir caminho na base da cotovelada - inspirou
os jovens que batalhavam por um lugar na sociedade |
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Hanson,
Backstreet Boys e Spice Girls
Deles,
os adolescentes de hoje querem apenas CDs, pôsteres
e ingressos para shows. Não estão interessados
em suas idéias. Ainda bem
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