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Paredes
sem ouvidos
Um
em cada quatro pais não se
incomoda que os filhos façam sexo
em casa. Os outros três, sim
Cecília
Negrão
Negreiros
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Uma
parte significativa dos teens de hoje dorme com o namorado ou a
namorada... na casa dos pais. Ou na casa do sogrão. Isso
mesmo: 23% dos adolescentes já fizeram sexo no quarto onde
dormem. Isso significa que uma em cada quatro famílias brasileiras
pode estar se acostumando à idéia de colocar uma xícara
extra para o namorado da filha ou a namorada do filho
na hora do café da manhã. Há até casos
de pais que incentivam esse contato, digamos assim, doméstico.
A
representante comercial Nádia Dombkowitsch, de Porto Alegre,
que é divorciada, chegou a presentear a filha Paula, de 18
anos, com uma cama de casal no dia em que a moça recebeu
o diploma do ensino médio.
Há
duas interpretações possíveis para o fato.
A primeira, mais romântica, é que a geração
"sexo, drogas e rock'n'roll" está levando a teoria à
prática. Gritos e sussurros no quarto ao lado seriam impensáveis
para os que tinham filhos adolescentes em casa nos anos 50. Para
a turma que hoje tem 40 anos, essa idéia não é
tão assustadora. A segunda explicação tem a
ver com a preocupação com a segurança. Os pais
aceitam que os filhos façam sexo em casa porque estacionar
o carro numa rua deserta é perigosíssimo, e ir à
noite até um motel distante também pode ser arriscado.
Alguns pais permitem esse tipo de coisa, mesmo discordando, apenas
para não parecer caretas. Os pais avançaram muito
nesse campo pelo simples fato de debater o tabu. O verdadeiro desafio,
no entanto, continua: é preciso que pais e filhos falem sobre
sexo. "Há gente que deixa que os filhos façam sexo
em casa, mas não dá nenhum tipo de orientação
sobre o assunto, como usar camisinha, por exemplo", diz a psicoterapeuta
paulista Lídia Aratangy. "É pura e simplesmente por
preguiça de tratar do tema." Fica o convite: depois de deixar
o sexo acontecer no quarto ao lado, que tal discuti-lo a sério
na mesa da sala de jantar?
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