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Amigo
pontocom
Atenção
às pegadinhas. A malandragem
corre solta nas salas de bate-papo
Natalia
Viana Rodrigues
Nem
passar a tarde viajando em sites de sexo, nem fazer a lição
de casa. Conhecer pessoas é a principal utilidade da internet
para os adolescentes brasileiros. "Conhecer" é força
de expressão. É freqüente que amigos e namorados
pontocom assumam, num primeiro momento, identidades inventadas.Quando
tinha 15 anos, Fernando Machado, estudante do ensino médio,
fingiu ser quatro anos mais velho e disse que estudava direito para
impressionar Elizabete Brandão, na época com 17. Chegou
a discorrer, por email, sobre pretensas aulas de ética
e cidadania. A mentira não impediu que o relacionamento virtual
de Elizabete e Fernando evoluísse para um namoro de três
meses na vida real. Hoje são amigos. "Nosso papo batia. Na
internet, você conhece primeiro o interior da pessoa e só
depois vai conhecer o exterior", teoriza Elizabete. Para impressionar
Daniele Siqueira, de 17, o estudante Rafael Gonçalvez, de
18 anos, chegou a inventar que possuía um grupo de pagode
e que tinha experiência amorosa. "Se eu dissesse que nunca
havia namorado, ela ia pensar: 'Se ninguém quer, por que
eu vou querer?'." O casal está junto há um ano e dois
meses.
Segundo os psicólogos, a amizade pontocom pode ser escola
para futuros relacionamentos. "É uma maneira de o adolescente
se envolver sem sofrer as conseqüências do mundo presencial",
acha Ivelise Fortin de Campos, da clínica psicológica
da Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo. Protegido pelo anonimato, o jovem se expõe mais. Conhecer
gente através
da internet é, em última análise, uma grande
brincadeira. Só existe possibilidade de frustração
quando o namoro ou a amizade passam para a esfera do real. Por isso,
alguns adolescentes preferem evitar essa etapa. "Não sei
se ele é bonito nem conheço sua voz", diz Karina Priscillo
Campos, 16 anos, que há oito meses mantém uma amizade
virtual com André Sugai, de 22. "Acho que é melhor
assim, deixando um suspense no ar."
| O
golpe do advogado |
Fotos Bruno Schultze

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| Fernando
Machado, 18 anos, que fingiu estudar direito para
impressionar Elizabete Brandão, de 20 |
| O
aplique do pagodeiro |
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Rafael
Gonçalvez, 18
anos, que posou de
sambista para Daniele Siqueira, de 17 |
| Os
cuidados da internauta |
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| Karina
Campos, de
16 anos: melhor ficar no virtual |

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