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Investimentos: Cenários para 2003

Fundos de investimento: A crise não chegou aos fundos

Transição: Os primeiros 100 dias

Imóveis: Nem sempre é mau negócio

Internet (exclusivo on-line): Amantes do risco

Bolsa de valores (exclusivo on-line): Vale a pena formar um clube de investimento?

Entrevista - Paul Slovic (exclusivo on-line): Como conviver com o risco


Seguros: Desempregado, mas com as contas em ordem

Bilhete azul: A lógica do desemprego

Consultoria financeira: O PT está na moda

Impostos: Não deixe o Leão esmagar seus ganhos

Check-up financeiro: A saúde de seu bolso

Aposentadoria: Seu dinheiro está em boas mãos?

Dívidas (exclusivo on-line): Lições de um convertido

Carreira (exclusivo on-line): De volta à escola


Entrevista - Pamela York Klainer: Converse mais sobre dinheiro

Primeiras lições: Quem poupa tem. Simples? Como ensinar isso aos filhos

Sedução do consumo (exclusivo on-line): Por que comprar é tão bom


Gente: Aprenda a comprar com quem sabe

Fim de ano farto: Ceia de Natal à brasileira

Natal (exclusivo on-line): As boas compras

Gôndolas recheadas (exclusivo on-line): Quanto mais marcas melhor


Noticiário econômico: Aprenda com eles a ficar frio

Crises: Minidicionário para entendê-las

Auto-avaliação: Teste sua inteligência financeira

   
   
 

CRISES

Minidicionário para entender as crises

Todos os dias, ao lermos jornais e revistas ou ao assistirmos ao noticiário, deparamos com uma lista de termos econômicos e financeiros aparentemente indecifráveis. Para ajudar na "tradução" de algumas das expressões publicadas com maior freqüência, Paulo Sandroni*, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, preparou para VEJA um glossário. Com suas explicações simples e claras, ficará mais fácil compreender o que está acontecendo nesse mercado turbulento

*Autor dos livros Traduzindo o Economês e Novíssimo Dicionário de Economia
e criador do jogo em CD-ROM Brincando de Ministro, o Jogo da Economia Brasileira

 
A

ATAQUE ESPECULATIVO – Leões, quando atacam um grupo de zebras, escolhem sempre a mais lenta, a mais fraca, em suma, a mais vulnerável e fácil de ser capturada. Com as moedas acontece a mesma coisa. Se os investidores desconfiarem que o real vai ser desvalorizado, eles – com os reais que possuem – buscarão comprar moeda forte, como o dólar. Com o aumento da procura por dólar, a cotação da moeda americana sobe e a do real cai. Para evitar que a desvalorização aumente mais, o governo usa suas reservas em dólar para aumentar a oferta e baixar seu preço, valorizando o real. Se as reservas não forem suficientes, o governo perde o controle da taxa de câmbio. O leão devora a zebrinha.

AVERSÃO AO RISCO – É a atitude de quem não quer correr riscos. Mas as pessoas têm comportamentos diferentes, umas tendem a correr mais riscos que outras. Os mercados financeiros não funcionariam se não existissem tais diferenças. Quando a situação econômica e financeira vai mal e a maioria experimenta perdas, a aversão ao risco cresce. Os investidores se deslocam para aplicações em títulos que ofereçam grande segurança, embora com baixa rentabilidade. No jargão financeiro, essa postura se chama "dançar com a irmã", isto é, preferir não correr riscos.

 
B

BALANÇA COMERCIAL – É um dos componentes da chamada Conta do Balanço de Pagamentos em que são registrados os valores das exportações e das importações. É importante que as exportações superem as importações para se obter um superávit nessa balança. A razão é simples: com esse superávit, o país torna-se menos dependente de empréstimos e financiamentos externos. (Leia também Balanço de Pagamentos.)

BALANÇO DE PAGAMENTOS – É o registro de todas as transações de caráter econômico-financeiro de um país com o resto do mundo. É constituído basicamente de quatro contas ou balanças: a balança comercial (exportações e importações), a de serviços (fretes, seguros, viagens internacionais, remessa de lucros, juros etc.), as transferências unilaterais (envio para o país de dinheiro de brasileiros residentes no exterior ou envio de dinheiro para o exterior feito por estrangeiro residente no país, donativos etc.), e o movimento de capitais (investimentos diretos feitos por empresas multinacionais, empréstimos e financiamentos obtidos fora do país, pagamentos de parcelas da dívida externa etc.). Apesar do superávit na balança comercial, o conjunto do balanço de pagamentos apresenta déficit, o que torna a economia brasileira muito dependente de recursos externos.

BRADIES – É o apelido que foi dado aos títulos resultantes da renegociação da dívida externa brasileira em 1994 logo após a adesão do Brasil ao Plano Brady. Esse plano foi idealizado por Nicholas Brady, ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos. O plano conseguiu refinanciar vários países endividados ao propor aos bancos credores que abrissem mão de uma parte dos créditos para receber em troca novos títulos garantidos por papéis do Tesouro dos Estados Unidos – considerados de risco zero pelo mercado. Os mais significativos são os C-Bonds, tidos como uma espécie de termômetro da saúde da economia brasileira. (Leia também C-Bond.)

 
C

CÂMBIO FLUTUANTE – Quando o valor da moeda de um país varia diariamente de acordo com o valor das moedas fortes – dólar, euro – com as quais ela se relaciona, dizemos que esse país tem câmbio flutuante. O valor das moedas fortes depende da oferta e da demanda. Se a procura por dólares é maior que a oferta – como tem acontecido em 2002 no Brasil –, a taxa cambial sobe, isto é, para comprar moeda forte há necessidade de uma quantidade maior de reais. Se a demanda é inferior à oferta, a cotação do dólar cai. Nesse caso, o dólar fica mais "barato" e pode ser comprado com menor quantidade de reais. Mas as flutuações não ficam exclusivamente por conta do mercado. Quando as oscilações são muito fortes, o Banco Central intervém vendendo ou comprando moeda para evitar que as cotações subam (ou desçam) demasiadamente. E quando há intervenção do governo diz-se que a flutuação é "suja".

C-BOND – É um tipo de título da dívida externa brasileira (um documento mantido pelo investidor, que é o credor do empréstimo, e que lhe rende juros). As cotações desses títulos indicam a credibilidade dos investidores no futuro da economia brasileira, na capacidade que o Brasil terá para pagar a quem investiu num título desse tipo. Quando a credibilidade diminui, a cotação dos títulos cai, acontecendo o inverso quando as coisas melhoram. Nos últimos meses, essas cotações caíram bastante. (Leia também Bradies.)

CONTAS DO GOVERNO – Contas nas quais são registradas as despesas e receitas do governo, tais como os gastos com pessoal, consumo, investimentos, juros e receitas, como as tributárias (imposto de renda, IPI, CPMF etc.). A análise das contas é importante porque os resultados indicam se haverá equilíbrio, déficit ou superávit.

 
D

DEFAULT – Quando um devedor não consegue pagar sua dívida externa no vencimento e a demora ultrapassa noventa dias, o credor o declara em "default". Foi o que aconteceu com o Brasil em 1982 e 1987 e com a Argentina em 2001. Quando isso acontece, ou na iminência de acontecer, o país solicita um empréstimo emergencial ao FMI, que poderá ou não ser concedido. Se o país não receber o empréstimo ou se não conseguir pagar o que deve, ele fica marginalizado pelo mercado financeiro internacional.

DÍVIDA INTERNA – É constituída de títulos da dívida pública emitidos pelo governo geralmente para cobrir o déficit público existente em suas contas (já que ele costuma gastar mais do que arrecada). A alternativa seria emitir moeda para cobrir essa diferença, mas isso provocaria um aumento da inflação. Um governo deve evitar que a dívida interna cresça muito, pois pode-se estabelecer um círculo vicioso: o déficit exige a emissão de novos títulos, aumentando a dívida interna. E os juros pagos por essa dívida provocam novo déficit e assim por diante.

DOW JONES – Índice utilizado para acompanhar a evolução dos negócios na Bolsa de Valores de Nova York. Como essa bolsa reflete em grande medida a saúde da economia dos Estados Unidos, esse índice dá uma idéia se os negócios estão indo bem ou mal naquele país. Seu cálculo é feito a partir de uma média das cotações entre as trinta empresas industriais de maior importância na bolsa de valores, as vinte companhias ferroviárias mais destacadas e as quinze maiores empresas concessionárias de serviços públicos.

 
E

EFEITO GREENSPAN – Originado no sobrenome do presidente do banco central americano, significa a influência que as declarações e ações de Alan Greenspan provocam nos mercados financeiros. Quando ele anunciava, no final dos anos 90, elevações das taxas de juro para desaquecer a economia e segurar a inflação, as cotações das ações na Bolsa de Valores de Nova York e o Índice Dow Jones tendiam a cair.

EFEITO MANADA – Diante de um perigo real ou imaginário, as pessoas costumam agir como o gado que, assustado, desembesta para fora do curral e todo o rebanho marcha numa direção sem que se saiba o porquê. Esse comportamento, observado com freqüência nos mercados financeiros, pode causar grandes estragos, provocando efeitos desproporcionais às causas reais existentes. O "Efeito Manada" pode, por exemplo, reduzir as cotações das ações de uma empresa cujo desempenho não era tão ruim, levando-a à falência ou um mercado inteiro à depressão.

 
F

FRAUDE CONTÁBIL – Fraudes cometidas na contabilidade das empresas para ocultar grandes perdas ou para influenciar artificialmente as cotações de suas ações nas bolsas de valores. Essas fraudes são muito comuns em momentos de prosperidade. A espuma do enriquecimento geral muitas vezes encobre o que está realmente acontecendo com certas empresas. Quando há alguma crise, essas fraudes costumam vir à tona, provocando grandes abalos nos mercados financeiros e na confiabilidade das pessoas, como aconteceu recentemente com a Enron nos Estados Unidos.

 
I

Paulo Pinto/AE
HAJA CORAΗΓO
O Ibovespa acumulou perdas de 25,1% atι outubro de 2002


IBOVESPA OU ÍNDICE BOVESPA –
É o índice da Bolsa de Valores de São Paulo. Ele expressa a variação das cotações das 55 ações mais importantes e mais negociadas na bolsa de valores, como as da Petrobras, as da Vale do Rio Doce etc. O crescimento desse índice significa que as ações em geral estão indo bem. A diminuição representa uma queda geral das cotações das ações mais negociadas na bolsa.

 

 
M

METAS INFLACIONÁRIAS – Os empresários, investidores e agentes financeiros necessitam ter uma previsão do futuro econômico de um país com certo grau de segurança. Entre esses indicadores destaca-se quanto será a inflação num determinado ano. Assim, o governo estabelece uma meta inflacionária e isso serve como referencial para todos os agentes econômicos. No Brasil, depois da desvalorização do real diante do dólar no início de 1999, o governo adotou o sistema de metas inflacionárias. Essas metas foram cumpridas relativamente bem em 1999 e em 2000. Em 2001, no entanto, a inflação foi superior à meta estabelecida e provavelmente ocorrerá o mesmo em 2002.

MORATÓRIA – Declaração unilateral do devedor anunciando que não pagará uma dívida nos prazos, nas taxas de juro e nas demais condições estipuladas nos contratos. Pode começar com o que se chama de alongamento unilateral da dívida, que é o não pagamento da dívida no prazo estabelecido. Na prática é um calote, pois sendo unilateral significa que não houve consulta ou negociação com o credor para mudar o vencimento do contrato de dívida. Trata-se de medida extrema que, em geral, bloqueia novos empréstimos externos para o país que toma atitude semelhante. (Leia também Default.)

 
N

Stephen Chernin/AP
NASDAQ ELETRÔNICA
Considerada a vedete dos anos 90, hoje representa risco


NASDAQ –
É a bolsa eletrônica criada em 1971 nos Estados Unidos. A grande diferença em relação à bolsa de Nova York é que nela não existe o pregão, isto é, não há aquele salão onde os operadores ficam aos berros vendendo e comprando ações. Os operadores acompanham as cotações dos títulos em terminais de computador e realizam suas operações por meio deles. A Nasdaq se notabilizou pelo seu crescimento vertiginoso durante os anos 90, pela prosperidade do mercado de ações em geral e, em especial, pelas operações com as ações de empresas de internet, as chamadas pontocom. Com a decadência dessas empresas e de suas respectivas ações, seus índices caíram na mesma velocidade com que haviam subido.

 
P

PRIME RATE – É a taxa básica de juro da economia americana. É a taxa paga a quem aplica em títulos de primeira linha, que têm risco praticamente igual a zero, como os emitidos pelo Tesouro dos Estados Unidos. Como é um título muito seguro, seu rendimento é muito baixo. Ela é usada como referência para o cálculo de risco de outras aplicações menos conservadoras.

POLÍTICA MONETÁRIA – Medidas adotadas pelo governo visando a adequar a quantidade de moeda disponível no país às necessidades das empresas e do público em geral para realizar seus negócios. Essa adequação geralmente leva em conta três objetivos: evitar o crescimento da inflação, impedir que a escassez de moeda eleve a taxa de juro e manter estável a taxa de câmbio. Na maioria dos países, o principal órgão executor da política monetária é o banco central.

 
R

REALIZAÇÃO DE LUCROS – A realização de lucros ocorre quando, numa fase de alta das bolsas, os investidores se convencem de que as cotações de suas ações já subiram o bastante e chegou o momento de vendê-las. A realização de lucros decorre da apuração da diferença entre o preço de compra e o de venda.

RISCO BRASIL – É o risco de o Brasil não pagar sua dívida externa. Esse risco é medido por meio da comparação entre a taxa de juro que os investidores exigem para comprar títulos de nossa dívida externa, como os C-Bonds por exemplo, uma das mais altas do mundo, e os juros pagos pelos títulos de dívida emitidos pelo Tesouro dos Estados Unidos, um dos mais baixos do mundo. O risco Brasil atualmente é um dos mais altos no mercado financeiro internacional. (Leia também C-Bond.)

ROLAGEM DA DÍVIDA – Rolar uma dívida significa na prática empurrar seu vencimento para a frente. Isso acontece porque muitas vezes o devedor não consegue pagar a dívida no prazo estipulado – o que não é bom sinal para o credor. Para aceitar a prorrogação do prazo, o credor, em geral, exige um aumento das taxas de juro que o devedor terá de pagar.

 
S

SUPERÁVIT PRIMÁRIO – É a diferença positiva entre receita e despesa, sem considerar o pagamento de juros como parte das despesas. Mas como o valor desses juros é muito alto, o resultado final das contas do governo tem sido um déficit, o que tem alimentado o crescimento da dívida interna. (Leia também Dívida Interna.)

 
T

TAXA SELIC – A sigla Selic significa Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Essa taxa é uma média dos juros que o governo paga aos bancos que lhe emprestam dinheiro. Ela serve de referência para outras operações financeiras no país e por isso é chamada taxa de juro básica. Quando o governo quer tirar dinheiro do mercado e dificultar as operações financeiras especulativas da economia, eleva a Taxa Selic, pois com isso fica mais interessante investir em aplicações financeiras que são remuneradas com base nessa taxa de juro.

 
V

VOLATILIDADE – Existem produtos que expostos ao ar se volatilizam mudando rapidamente seu estado, como a acetona, por exemplo. Nos mercados financeiros, volatilidade significa algo parecido: a intensidade e a freqüência das alterações dos preços de diferentes investimentos, como dólar, ações, títulos da dívida etc. Em épocas de crise ou de repentina insegurança, a volatilidade aumenta e os índices das bolsas de valores variam intensamente todos os dias. É exatamente o que tem acontecido nos últimos meses no Brasil.

 

 
 
       
         
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