Publicidade
 
 
         
 


Investimentos: Cenários para 2003

Fundos de investimento: A crise não chegou aos fundos

Transição: Os primeiros 100 dias

Imóveis: Nem sempre é mau negócio

Internet (exclusivo on-line): Amantes do risco

Bolsa de valores (exclusivo on-line): Vale a pena formar um clube de investimento?

Entrevista - Paul Slovic (exclusivo on-line): Como conviver com o risco


Seguros: Desempregado, mas com as contas em ordem

Bilhete azul: A lógica do desemprego

Consultoria financeira: O PT está na moda

Impostos: Não deixe o Leão esmagar seus ganhos

Check-up financeiro: A saúde de seu bolso

Aposentadoria: Seu dinheiro está em boas mãos?

Dívidas (exclusivo on-line): Lições de um convertido

Carreira (exclusivo on-line): De volta à escola


Entrevista - Pamela York Klainer: Converse mais sobre dinheiro

Primeiras lições: Quem poupa tem. Simples? Como ensinar isso aos filhos

Sedução do consumo (exclusivo on-line): Por que comprar é tão bom


Gente: Aprenda a comprar com quem sabe

Fim de ano farto: Ceia de Natal à brasileira

Natal (exclusivo on-line): As boas compras

Gôndolas recheadas (exclusivo on-line): Quanto mais marcas melhor


Noticiário econômico: Aprenda com eles a ficar frio

Crises: Minidicionário para entendê-las

Auto-avaliação: Teste sua inteligência financeira

   
   
 

GENTE

Aprenda a comprar com quem sabe

Por Laura Somoggi

Quem quer comprar um carro costuma pedir conselhos para aquele amigo que entende tudo do assunto. Mas e se fosse possível falar com Nelson Piquet, tricampeão de Fórmula 1, antes de tomar a decisão? Nada mal, não é? Foi exatamente isso que VEJA fez: ouviu de craques do ofício dicas de compras daquilo que eles mais entendem. A seguir, suas lições.

 

Como comprar um carro usado

NELSON PIQUET
Tricampeão de Fórmula 1 (1981, 1983 e 1987), é um dos grandes nomes do automobilismo mundial. Parou de correr em 1991, depois de dezessete anos de carreira como piloto profissional.

 
Ricardo Stuckert

"Como todo mundo sabe, adoro carros. Nos primeiros anos da Fórmula 1, na Inglaterra, eu vivia da compra e venda deles. Quando entrei na equipe Brabham, em 1979, comecei a freqüentar leilões de automóveis. Aproveitava então para complementar meu salário – que na época era baixinho – negociando carros. Aprendi que o primeiro segredo para comprar um veículo usado é olhar com critério. Antes de tudo, é preciso verificar a quilometragem original. Trocar o velocímetro só para parecer que o carro é novinho não é difícil. Por isso, é importante observar se foram feitas todas as revisões e qual a quilometragem do automóvel em cada uma delas. Deve haver uma coerência de quanto o carro roda por ano. Eu desconfio do dono de um carro que rodou 10 000 quilômetros em um ano e só 1 000 no ano seguinte. É importante também olhar se há carimbos das revendas nas revisões — isso dá mais segurança de que o histórico da quilometragem é real.

Para ver se o carro não foi batido, observe se há massa nos cantos, se existem diferenças de cores e texturas ou se tem algum amassadinho. Além disso, deve-se verificar se a pintura não está queimada e se, em vez do estofamento original, há uma capa, o que pode ser sinal de mau uso ou de que o carro está muito velho. Olhar o desgaste da borracha dos pedais (acelerador, freio e embreagem) e se eles não têm folga também ajuda a dar uma idéia da idade do automóvel.

Conferir a procedência também é importante. Carros de cidades litorâneas, por exemplo, têm problema de ferrugem. Carros de cidades como Brasília têm maior desgaste mecânico porque rodam mais, e assim por diante.

Sempre que puder, leve o veículo a uma oficina de um amigo especialista. Ele pode enxergar coisas que você não viu e, se for de confiança, pode ajudar a evitar um mau negócio. Por último, algo que vale tanto para carros usados quanto para novos. Antes de comprar, pergunte a si mesmo: para que é que eu vou usar esse carro? Não adianta nada ter uma picape inteirona e pouco rodada se você vai andar só no trânsito de cidade grande, carregado de gente e sem ter de levar carga nenhuma."

 

Como comprar um imóvel

Claudio Rossi


VALENTINA CARAN
Um dos nomes mais atuantes do mercado imobiliário de São Paulo, tem um escritório com 120 corretores e é conhecida como "rainha da Paulista", por trabalhar na região da avenida há 22 anos.

"Antes de escolher um imóvel, é preciso bater muita perna, olhar a rua onde você quer morar durante o dia, à noite, no fim de semana, descobrir se tem feira obstruindo a garagem, qual é o sistema de segurança do prédio.

Para ter uma idéia de preço, pergunte ao zelador por quanto foram vendidos outros imóveis no mesmo edifício. Se for uma casa, o ideal é contratar uma empresa de avaliação para saber se o preço pedido é justo. E, no momento de negociar o valor, aconselho sempre a oferecer um pouco menos do que você realmente quer gastar. Se você falar que pode pagar 400 000 reais, o corretor vai lhe oferecer imóveis de 500 000. E quem põe à venda por 400 000 vende por 350 000.

Quando você encontrar o imóvel que é exatamente o que estava procurando, a negociação não pode demorar demais para não haver o risco de você perder o que tanto gostou. Para essas situações, é possível pedir ao proprietário uma opção exclusiva, que é uma espécie de reserva para que você possa estudar a compra. Isso exige um documento assinado pelo dono do imóvel.

Antes de fechar o negócio, é preciso verificar toda a documentação do imóvel. Por isso, eu sempre indico que se procure a ajuda de um advogado. Para ter certeza de que o imóvel não está hipotecado, deve-se tirar sua matrícula atualizada (no cartório onde ele está registrado). Também é importante saber se contas como água, luz, condomínio, IPTU etc. foram quitadas. Se o imóvel for de pessoa jurídica, é fundamental pedir uma certidão negativa de débitos para se assegurar de que a empresa não tem dívidas – e de que o imóvel não poderá ser usado para pagá-las.

Em geral, as chaves só podem ser entregues quando o comprador tiver pago no mínimo 40% do valor da transação. Se você der um sinal alto, algo como 50% do preço do imóvel, o ideal é já pedir a escritura em seu nome e registrá-la (quem não registra a escritura não é dono do imóvel). Nesse caso, é preciso colocar na escritura a chamada cláusula hipotecária, que descreve qual é o saldo devedor e a forma de pagamento desse saldo."

 

Como fazer compras para as refeições da família

Claudio Rossi


RENATA BRAUNE
Chef há dez anos, estudou gastronomia na concorrida escola Le Cordon Bleu, em Paris. Hoje cuida de seus bistrôs Le Chef Rouge, em dois endereços em São Paulo, e dá consultoria em outros restaurantes e em hotéis.

"Procuro um preço médio, tanto para as compras dos meus restaurantes quanto de minha casa. Aprendi que o mais barato pode ficar aquém do que você quer, e o mais caro pode decepcionar. Ao comprar, é bom saber o que é para consumo mais imediato e o que é para os dias posteriores. É possível encontrar variedades de alimentos que têm um prazo de validade maior. Queijos processados, como cream cheese ou requeijão, por exemplo, duram mais que queijos frescos. Legumes e cereais embalados a vácuo podem ficar fora da geladeira e também duram mais que os frescos. E eles têm duas vantagens em relação aos congelados: conservam melhor o sabor e os nutrientes e, em geral, têm preço menor. Legumes desidratados também se conservam por mais tempo. Legumes e vegetais orgânicos são boas opções. Eles são mais caros que a salada normal, mas duram três vezes mais na geladeira.

Para fazer boas compras, gastar menos e ainda preparar pratos saborosos, você deve explorar ingredientes nacionais como mandioca, inhame ou batata-doce no lugar de batata-inglesa, por exemplo. Ou, ainda, fazer seu próprio tempero, comprando os ingredientes em vez de optar pelos industrializados (é só bater no liquidificador cebola, alho, ervas e óleo e fazer uma pasta).

Por último, acho que ninguém deve se iludir com embalagens, pois muitas vezes pagamos mais por elas. Uma superembalagem não é sempre de um superproduto. E nem sempre uma grande embalagem contém mais produto."

 

Como comprar uma jóia

Oscar Cabral


ROBERTO STERN
Dono e diretor de criação da H. Stern, a famosa rede de joalherias. Stern é formado em gemologia (estudo de pedras preciosas) nos Estados Unidos.

"Seja qual for o orçamento disponível, é melhor comprar um diamante menor de mais qualidade que um grande de qualidade inferior. São quatro os atributos de uma pedra: tamanho, cor, pureza e lapidação. Mas ninguém tem de entender disso. É preciso pedir explicações para o vendedor para que você entenda o que está comprando. Além disso, é fundamental solicitar um certificado que garanta a qualidade e a veracidade da pedra.

Quanto ao metal, é bom saber que o ouro padrão usado no Brasil é o de 18 quilates. Com menos que isso, uma jóia não é considerada de qualidade. A platina é mais cara que o ouro, mas sua qualidade não é superior. Já a prata é um metal mais barato, mas ela oxida, pode provocar alergia em algumas pessoas e é menos resistente que o ouro.

Recomendo sempre evitar modelos muito datados. Peças mais clássicas são indicadas. A compra de uma jóia é, no fundo, feita na base da confiança. Você precisa acreditar em quem está lhe vendendo. O vendedor deve ser capaz de apontar as diferenças entre jóias de melhor e de pior qualidade e de mostrar o que faz uma ser mais cara que a outra."

 

Como comprar um veleiro

Ricardo Benichio


AMYR KLINK
O navegador brasileiro ficou célebre por atravessar sozinho o Oceano Atlântico e o continente antártico. Ele viaja em superveleiros como o Paratii e o Paratii 2 (este último tem autonomia para três anos no mar).

"Para comprar um veleiro é fundamental experimentar. Começar alugando ou saindo em barcos de amigos. Conheço casos de famílias que são apaixonadas pelo mar, que sonham em dar a volta ao mundo, visitam marinas, entram 100 vezes em barcos, mas quando saem pela primeira vez... enjoam. É preciso começar a tomar gosto por velejar para só depois comprar a embarcação.

Na hora da escolha, pense em como o barco será usado. Quantas pessoas vão velejar? Elas vão dormir no barco? Vão tomar banho no barco? Você vai levar comida e água ou vai parar para fazer as refeições fora? Quais são as características da região pela qual você vai passear? Por quanto tempo você vai ficar no mar (dias ou apenas algumas horas)? Essas respostas ajudam a definir que tipo de veleiro é o mais adequado para cada caso: qual é o tamanho certo, quanta água doce e comida ele pode levar, se é melhor o motor elétrico ou o hidráulico etc. Um barco feito para passear no fim de semana não serve para quem quer passar vinte dias no mar, por exemplo.

Tem gente que por desconhecimento escolhe um veleiro supermoderno, mas que não foi feito para o lazer da família, não tem conforto, por ter sido desenhado para competições. Quando isso acontece, é comum que se coloquem vários opcionais para tentar adequar o barco ao uso que se quer fazer dele: gerador, uma âncora mais pesada etc. Esse é um grande erro, que pode até pôr em risco a segurança da família. É como comprar um carro conversível e colocar um bagageiro, um trailer. O barco é muito sensível, os opcionais vão aumentando seu peso e afundando a linha d'água (faixa pintada ao longo do casco do barco na altura até onde ele mergulha nas condições comuns de carregamento).

Para mim, o ideal é montar um veleiro sob medida para o uso de cada um. Nem sempre encontramos barcos prontos com tudo o que precisamos. Uma opção é comprar um sob medida usado. Eu já vi no Rio de Janeiro barcos usados por 30 000 ou 40 000 reais que serviriam para dar uma volta ao mundo."

 

Como comprar uma câmera fotográfica

Claudio Rossi


J.R. DURAN
O fotógrafo catalão faz fotos de publicidade e editoriais de revistas. Pelas suas lentes passaram algumas das maiores beldades do país, como Scheila Carvalho, Luma de Oliveira e Adriane Galisteu.

"A primeira pergunta a ser respondida é: como você quer guardar suas lembranças: em CDs ou em álbuns? Isso vai definir se para você é mais indicado comprar uma câmera analógica ou uma digital. Você gosta de computador, entende de pixels, quer gastar com impressora? Tudo isso deve ser avaliado. Outro aspecto fundamental é quanto você está disposto a gastar. Entre as câmeras analógicas, é possível encontrar equipamentos com tecnologia muito avançada num bom preço. No caso das digitais, isso não é verdade: quanto melhor a tecnologia, mais cara ela será.

Também é importante pensar em qual é seu objetivo com a câmera. Para uso amador, para fotografar festas e férias, por exemplo, recomendo as automáticas. E não acho que zoom seja fundamental. Se você quiser que o objeto fique mais próximo, por que não chegar mais perto dele na hora que estiver fotografando? Além disso, quanto maior o zoom, maior a necessidade de luz e de um filme mais sensível (ASA 400, por exemplo). Outros dois aspectos devem ser observados: o flash e a lente. Para o flash, vale a seguinte regra: quanto mais barata a câmera, pior será o flash. Quanto à lente, deve ser normal, entre 45 e 55 milímetros. Já a abertura para a entrada de luz (diafragma) deve ser a maior possível: de 2.8 para cima (2.0, 1.4 etc. – quanto menor a numeração, maior a abertura).

Quem tem maiores pretensões pode investir numa câmera de lentes intercambiáveis. Mas essas exigem também mais conhecimento. Para começar, invista apenas em lentes normais. Não aconselho começar comprando uma teleobjetiva – daquelas que usamos para fotografar Fórmula 1 –, pois há outros estágios antes.

Há duas dicas que valem para todas as pessoas e todos os equipamentos. Deve-se escolher uma marca conhecida (Canon, Nikon, entre muitas outras, têm linhas amadoras) e um modelo que seja fácil de manusear. E sempre gosto de lembrar que a câmera não erra, quem erra é o fotógrafo. Portanto, ler o manual com atenção e conhecer os recursos do equipamento são quesitos indispensáveis para fazer boas fotos."

 
 
       
         
        VEJA on-line | Edições especiais

copyright © 2002 - Editora Abril S.A. - todos os direitos reservados