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Seu dinheiro
está em boas mãos?
Mais
de 6 milhões de brasileiros já entregaram sua
poupança a planos de previdência privada. Saiba
como e quando aderir a um deles
Por
Fernanda Pancheri
Ilustração Negreiros
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Quem
paga um plano de aposentadoria privada faz uma aposta básica:
essa pessoa acredita que existem profissionais mais aparelhados
para cuidar de seu dinheiro que ela própria. Atualmente,
6,5 milhões de brasileiros fazem essa aposta. No ano que
vem esse número vai chegar próximo de 10 milhões.
Mas como embarcar nessa? Antes mesmo de procurar uma seguradora,
o investidor tem de saber se realmente precisa de previdência
privada. A grande vantagem desse tipo de investimento é que
a pessoa pode adiar o pagamento de impostos sobre sua aplicação
até o fim do plano, quando vai usar o dinheiro. Portanto,
ele é indicado apenas para quem pretende deixar a bolada
aplicada por um período longo, entre dez e trinta anos. "Para
aplicar no curto prazo, é melhor procurar outro tipo de investimento",
diz Marco Antonio Rossi, presidente da Bradesco Vida e Previdência.
Se
o investidor tem certeza de que o ideal para ele é um plano
de previdência privada, é importante ficar atento aos
detalhes para saber que tipo de plano se encaixa em cada caso. Há
dois tipos de previdência privada: a fechada, composta dos
fundos de pensão patrocinados por empresas para beneficiar
seus funcionários; e a aberta, que pode ser comprada por
qualquer pessoa numa seguradora. Em ambos os casos, a pessoa passa
alguns anos aplicando o dinheiro, o que é conhecido como
fase de acumulação. Na fase seguinte, o sujeito saca
a bolada que juntou durante todo aquele tempo ou acerta com a seguradora
para receber o dinheiro aos poucos, em parcelas mensais. O processo
todo é fiscalizado pela Superintendência de Seguros
Privados (Susep).
COMECE
CEDO
Um
regra de ouro em previdência é começar a aplicar
o mais cedo possível. Afinal, quanto mais longo o período
da aplicação, mais tempo a pessoa passará recebendo
juros sobre o dinheiro aplicado, o que tem um efeito de multiplicar
o montante com o correr dos anos. Outra vantagem é que alguém
que inicie a aplicação aos 30 anos, por exemplo, precisa
dispor de menos dinheiro por mês do que alguém que
comece aos 45.
Como o valor da aposentadoria é proporcional ao dinheiro
poupado, a principal meta do investidor deve ser acumular o máximo
possível.
A
MORDIDA DO LEÃO
A Receita
Federal permite às pessoas que declaram imposto de renda
em formulário completo deduzir a quantia depositada no plano
de previdência, até o limite de 12% de sua renda bruta
anual. (Para quem declara em formulário simples, não
há vantagem, porque nesse caso existe o desconto-padrão.)
Explicando: suponha que uma pessoa ganhou 50 000 reais em um ano
e depositou 6 000 em um plano de aposentadoria. Quando ela fizer
a declaração, poderá deduzir esses 6 000 reais
(12% de 50 000). Ou seja, ela pagará imposto de renda sobre
44 000, considerando que não tenha outras deduções
a fazer. A vantagem é poder pegar o dinheiro que economizou
não pagando o imposto e aplicá-lo no plano. Com isso,
a aplicação cresce mais rápido e os juros rendem
sobre uma bolada maior.
Apesar
de não pagar o imposto quando inicia a aplicação,
o investidor terá de fazer o recolhimento ao final do plano,
quando resgatar o dinheiro. Isso pode significar uma mordida de
até 27,5% sobre o total resgatado, de acordo a tabela do
imposto de renda. É o que se chama de diferimento, ou adiamento,
tributário. "Você difere
o imposto, ou seja, paga só no final", diz Flávio
Perondi, diretor da Real Seguros.
O
PLANO MAIS PROCURADO
Lançado
no mercado em 1998, o Plano Gerador de Benefícios Livres
(PGBL) é hoje o mais procurado entre os diferentes tipos
de plano de previdência. Ele já acumula aplicações
da ordem de 5,8 bilhões de reais, de acordo com a Associação
Nacional das Empresas de Previdência Privada (Anapp).
O
PGBL funciona como um fundo de investimento financeiro comum, em
que o dinheiro é aplicado em cotas e administrado por um
gestor. Ele é oferecido pelas seguradoras em diferentes sabores,
desde os mais conservadores e seguros, que aplicam majoritariamente
em títulos do governo, até os arrojados, que podem
investir até 49% do capital em ações.
O
investidor pode sacar o dinheiro do plano a qualquer momento depois
de cumprir sessenta dias de carência. "Por isso é preciso
ter muita disciplina para não gastar antes do tempo o dinheiro
poupado", diz Hosannah Santos Filho, diretor de produto da seguradora
Unibanco AIG.
O
PGBL permite ainda a combinação com outros produtos
oferecidos pela seguradora. Existem planos com garantia de renda
vitalícia, no caso de invalidez; de pensão para o
cônjuge e os filhos em caso de morte prematura; e o pecúlio,
que funciona como um seguro de vida. "A maioria das empresas oferece
esse tipo de seguro adicional. Quem está contratando decide
o que quer incluir no plano", diz Raphael de Carvalho, vice-presidente
comercial e de marketing da seguradora Nationwide.
No
campo tributário, além do adiamento fiscal, o PGBL
não sofre desconto mensal de 20% de imposto sobre os rendimentos,
como acontece nos fundos de investimento comuns.
QUANTO
CUSTA INVESTIR
A
maior desvantagem dos planos de previdência em relação
a outras formas de investimento é o valor das taxas: a de
administração, um porcentual cobrado anualmente em
cima do total aplicado; e a de carregamento, que incide sobre cada
nova aplicação feita pelo investidor. As taxas de
carregamento, que oscilam entre 0,5% e 4% por aplicação,
dependendo da seguradora, são típicas de planos de
previdência. Fundos de investimento comuns, por exemplo, não
cobram tais encargos. Mas o investidor deve ficar especialmente
atento à taxa de administração anual. Os 2,5%
cobrados em média pelo mercado podem soar como ninharia,
mas basta fazer as contas para ver que, no caso de uma pessoa que
tenha amealhado 500 000 reais, 12 500 reais irão parar nos
cofres da seguradora a título de administração
anual.
PARA
QUEM NÃO DECLARA IMPOSTO
Há
nove meses, surgiram no mercado os planos batizados de Vida Gerador
de Benefícios Livres (VGBL). Trata-se de um clone do PGBL,
com a diferença de que não dá direito ao adiamento
para pagar o imposto de renda. Por isso é indicado para pessoas
que não recolhem o imposto ou declaram em formulário
simplificado. A única vantagem que ele mantém, como
o PGBL, é isentar o investidor do pagamento do imposto mensal
de 20% sobre os ganhos de capital. O VGBL perde na hora da declaração
anual do imposto de renda, mas ganha no momento do resgate ao final
do plano, quando o investidor é tributado apenas sobre o
ganho de capital, ao passo que no PGBL o imposto incide sobre o
total resgatado.
É
bom lembrar que, para aplicações de curto prazo, o
VGBL oferece retorno financeiro menor que o dos fundos de investimento,
porque esse tipo de plano cobra taxa de carregamento mensal e não
tem a vantagem do adiamento tributário. Só vale a
pena optar pelo VGBL se a idéia for deixar o dinheiro aplicado
por bastante tempo, porque nesse caso a ausência da tributação
de 20% sobre a rentabilidade mensal permite elevar o total acumulado.
"Depois de alguns anos, o montante acumulado num VGBL ultrapassa
o acumulado num fundo", diz Giuliano de Marchi, da Cigna Previdência
& Investimentos.
O
VGBL também é indicado para pessoas que declaram imposto
de renda em formulário completo e desejam investir em previdência
mais que os 12% da renda bruta anual definidos como teto para dedução
do imposto de renda sobre as aplicações. Uma boa opção
é aplicar o equivalente a 12% da renda em um PGBL e o excedente
em um VGBL. Por exemplo, quem ganha 50 000 num ano e quer investir
8 000 em previdência, pode distribuir as aplicações
assim: 12% da renda anual, 6 000 reais, num PGBL e os 2 000 restantes
num VGBL.
POUPANDO
POR CONTA PRÓPRIA
O
investidor também pode optar por aplicar em um fundo comum
e controlar sozinho o dinheiro quando parar de trabalhar. Esse tipo
de aplicação não cobra taxas de carregamento
e tem taxas de administração que costumam ser menores
que as dos planos de previdência. Em contrapartida, os fundos
não permitem o adiamento do imposto de renda e têm
a desvantagem do desconto de 20% de imposto mensal sobre os ganhos
de capital. O resultado dessa equação é que
os fundos são uma boa opção para aplicações
de curto prazo, ao contrário da previdência privada.
"Para investimentos de até três anos, é melhor
aplicar em um fundo", diz Eduardo Bom Angelo, presidente da Cigna.
Um
híbrido entre plano de previdência e fundo de investimento
é o chamado Fundo de Aposentadoria Programada Individual
(Fapi). Nesse caso, o fundo em que é depositado o dinheiro
é aberto em nome do investidor, como acontece nos fundos
de investimento comuns, e não em nome da seguradora. De resto,
ele funciona como um PGBL, mas com algumas peculiaridades. A primeira
é que não há a possibilidade de transformar
a aplicação em renda vitalícia ao final do
plano. Isso significa que a pessoa terá de pagar 27,5% de
imposto de renda sobre o montante de uma só vez, mais a CPMF.
O Fapi também não permite a combinação
com outros tipos de seguro e as taxas de administração
são mais altas. Ao contrário do PGBL e do VGBL, não
há prazo de carência. Mas, se o resgate for realizado
no primeiro ano da aplicação, há a incidência
de 5% de imposto sobre operações financeiras (IOF).
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Para
receber 4.000 reais mensais a partir dos 60 anos
Saiba
quanto depositar mensalmente, de acordo com sua idade atual
(em reais)
Obs.:
o plano de previdência é do tipo PGBL. As contribuições
mensais levam em consideração uma rentabilidade
média anual de 8%, com taxa de administração
de 2,5% ao ano. A taxa de carregamento é de 1,5%. A
reserva total constituída é de 1 132 567,59
reais, em todos os casos
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25 anos |
533,22 |
| 26
anos |
579,24 |
|
27 anos |
629,55 |
| 28
anos |
684,60 |
| 29
anos |
744,92 |
| 30
anos |
811,09 |
| 31
anos |
883,78 |
|
32 anos |
963,75 |
| 33
anos |
1
051,89 |
| 34
anos |
1
149,19 |
| 35
anos |
1
256,85 |
| 36
anos |
1
376,22 |
|
37 anos |
1
508,92 |
| 38
anos |
1
656,84 |
| 39
anos |
1
822,25 |
| 40
anos |
2
007,85 |
| 41
anos |
2
216,92 |
|
42 anos |
2
453,47 |
| 43
anos |
2
722,44 |
| 44
anos |
3
030,02 |
| 45
anos |
3
384,01 |
| 46
anos |
3
794,48 |
|
47 anos |
4
274,57 |
| 48
anos |
4
841,78 |
| 49
anos |
5
520,00 |
| 50
anos |
6
342,64 |
| 51
anos |
7
357,97 |
| 52
anos |
8
638,37 |
| 53
anos |
10
297,56 |
| 54
anos |
12
525,08 |
| 55
anos |
15
622,07 |
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