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CHECK-UP FINANCEIRO

A saúde do seu bolso

Saber a real situação de suas despesas, receitas,
bens, investimentos e dívidas é o ponto de partida
para fazer um planejamento
de suas finanças

Por Giuliana Napolitano

 
Evandro Luiz

Para manter a saúde em dia, os médicos receitam check-ups periódicos. Para manter a saúde financeira em ordem, não é diferente. Os consultores recomendam que as pessoas façam diagnósticos completos para ter uma noção mais exata dos seus ganhos e das suas despesas, do peso das dívidas, de como andam os investimentos e o patrimônio. Suas principais recomendações:

O primeiro passo é realizar uma avaliação do orçamento mensal – das receitas e das despesas – para ver quanto sobra ou quanto falta no fim de cada mês. Entre as possíveis receitas estão salário, aposentadoria e retiradas de empresa própria. Rendimentos de aplicações financeiras e de aluguel devem ser incluídos apenas se são utilizados para completar a renda mensal. "Se a receita for variável ou proveniente de trabalhos temporários, o indicado é fazer uma média mensal desses recebimentos", ensina Roberto Teperman, estrategista da consultoria financeira Maxblue.

Os gastos mensais devem ser divididos por categorias: habitação, alimentação, saúde, educação ou lazer. Também é importante medir as despesas financeiras, isto é, os juros que você paga por mês quando toma algum empréstimo, utiliza o cheque especial ou entra no rotativo do cartão de crédito. Uma pesquisa divulgada em setembro pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostra que, em média, os custos financeiros correspondem a quase um terço do orçamento total de famílias com renda entre um e cinqüenta salários mínimos.

Além do orçamento mensal, é indicado avaliar a situação do patrimônio, isto é, comparar o valor dos bens e investimentos com o grau de endividamento. Os investimentos são compostos por: aplicações financeiras, FGTS, dólar etc. É fundamental acompanhar continuamente o desempenho dos investimentos. "Os ganhos devem, pelo menos, compensar as perdas da inflação", afirma Paulo Colaferro, da Mony Consultoria, empresa especializada em planejamento financeiro, de São Paulo. As aplicações financeiras, no entanto, não devem ser medidas apenas pelo seu retorno num período específico. É preciso analisar se o dinheiro terá de ser usado no curto ou no longo prazo, por exemplo. Mas, para quem depende do rendimento das aplicações para viver, um retorno abaixo do esperado pode deixar o orçamento mensal no vermelho.

Entre os bens estão carros, imóveis, jóias etc. Recomenda-se que se faça uma estimativa do valor atual dos bens. No caso de imóvel, é possível ter uma idéia de valor olhando os preços de casas ou apartamentos próximos. Para automóveis, as tabelas de preços e classificados de jornal ajudam. Segundo Teperman, da MaxBlue, em média, os carros novos perdem 20% de seu valor inicial logo nos primeiros doze meses de uso e 15% nos anos seguintes.

As dívidas também devem ser diagnosticadas (cheques pré-datados, cartão de crédito, financiamentos, cheque especial e empréstimos). Em geral, os juros de dívidas são bem mais altos que os rendimentos de aplicações financeiras. Um exemplo: enquanto a caderneta de poupança rende menos de 1% ao mês, as taxas cobradas pelo cheque especial podem chegar a 10% mensais. Nessa situação, o mais indicado é tirar o dinheiro da poupança para cobrir o saldo devedor. Os consultores também recomendam que seus clientes se desfaçam de bens que gerem mais despesas do que ganhos.

Por último, é importante avaliar a relação entre tudo o que se possui e o que se deve. Um endividamento maior que o patrimônio não indica, necessariamente, que a saúde financeira vai mal. É o caso de uma pessoa que vai financiar o primeiro imóvel. Geralmente, a dívida é muito superior a tudo o que essa pessoa possui. A chave é avaliar se será possível arcar com a despesa extra e o custo dessa dívida.

Se você chegou até aqui, tem em mãos um panorama detalhado de suas finanças. Os resultados podem servir de base para você começar a traçar estratégias para sua vida financeira. "Esses cálculos devem ser refeitos a cada seis meses mesmo que não haja grandes transformações em seu patrimônio ou orçamento, pois os objetivos podem mudar nesse período", afirma João Adamo, diretor de marketing e vendas da Maxblue.

 

Faça as contas

Saber como está sua saúde financeira é fundamental para conseguir avaliar se você, por exemplo, gasta mais do que ganha (e em que seu orçamento está comprometido), qual é o peso das dívidas no seu bolso e até como está seu patrimônio, levando em conta seus investimentos, bens e nível de endividamento. Ao preencher as tabelas abaixo, você terá uma idéia de como estão suas finanças

Orçamento mensal
O primeiro passo é calcular o que você recebe e o que gasta por mês. Inclua também as despesas que não incidem todos os meses, como seguros e impostos. Para achar o valor mensal desses gastos, divida os totais pagos por 12

Para entrar com os dados, utilize o formato R$ 0.00.

Receitas

 
VALOR MENSAL

Salário líquido

R$
Aposentadoria (pública e privada)
R$
Renda com empresa própria
R$
Renda com investimentos¹
R$
Renda com aluguel
R$
Outras
R$

TOTAL

R$

 

Despesas

 
VALOR MENSAL

Alimentação (não inclui lazer)

R$
Habitação (aluguel, água, luz etc.)
R$
Transporte (táxi, gasolina, pedágio etc.)
R$
Educação R$
Saúde (inclusive o seguro-saúde) R$
Vestuário R$
Lazer R$
Demais seguros R$
Prestações (carro, casa etc.) R$
Despesas financeiras (juro no cheque especial e no cartão de crédito, por exemplo) R$
Impostos (CPMF, IPVA, IPTU etc.)² R$
Outras R$

TOTAL

R$

 

Patrimônio líquido
O passo seguinte é avaliar como estão distribuídos seus bens e investimentos e quais são suas dívidas

Bens

 
VALOR ATUAL DE MERCADO³
VALOR PAGO
Casa própria
R$
R$
Outros imóveis
R$
R$
Carros
R$
R$
Objetos de arte, jóias etc.
R$
R$
Outros
R$
R$
 
VALOR TOTAL DOS BENS
R$

GANHO OU PERDA

R$

 

Investimentos

 
VALOR ATUAL
VALOR INICIAL

Caderneta de poupança

R$
R$
Renda fixa (fundos de investimento, CDB, títulos públicos)
R$
R$
Ações (inclusive fundos)
R$
R$
Fundos de derivativos
R$
R$
Reservas em dólares, fundos cambiais e aplicações no exterior
R$
R$
Imóveis para investimento
R$
R$
Previdência privada
R$
R$
FGTS
R$
R$
Saldo em conta corrente
R$
R$
Outros
R$
R$
 
VALOR TOTAL DOS INVESTIMENTOS
R$

GANHO OU PERDA

R$

 

Dívidas

 
SALDO DEVEDOR
PRESTAÇÃO MENSAL
Financiamento de carros
R$
R$

Financiamento de imóveis

R$
R$
Cheque especial
R$
R$
Cartão de crédito
R$
R$
Cheques pré-datados
R$
R$
Empréstimos
R$
R$
Outros
R$
R$
 

TOTAL

R$
R$

(1) Apenas se você utiliza alguma aplicação como fonte de renda
(2) Descontados os impostos já retidos na fonte
(3) Valor total, mesmo que ainda esteja financiado

 

Conclusão
Com base nas tabelas anteriores, você poderá fazer um diagnóstico de como estão suas finanças

QUANTO SOBRA OU FALTA POR MÊS

Orçamento mensal

a) Total de receitas
R$
b) Total de despesas
R$

c) Sobra ou déficit mensal

R$

 

QUANTO VOCÊ TEM

Patrimônio líquido

d) Valor total dos bens

R$
e) Investimentos totais
R$
f) Total de seus ativos = d) + e)
R$
g) Total de suas dívidas
R$
 

h) Patrimônio líquido = f) - g)

R$

 

QUAL O PESO DAS DÍVIDAS EM SEU ORÇAMENTO

i) Valor total das prestações mensais da dívida
R$
j) Receita mensal
R$
 


de sua renda mensal está comprometida
com o pagamento de dívidas

 

 

Fontes: Maxblue e Mony Consultoria

 

 

 
 
       
         
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