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BILHETE AZUL

A lógica do desemprego

Até que suas causas estruturais
sejam atacadas no Brasil, ninguém
está seguro em seu emprego

Por Roseli Loturco


Massao Goto Filho
SINAIS DE PERIGO
"As demissões não obedecem a critérios lógicos, mas seus sinais são claros", diz Thomas Case


O desemprego foi o tema mais debatido durante o processo eleitoral. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que em setembro o índice de desemprego bateu em 7,5%, o maior desde 1998 para o mesmo período. Das seis regiões estudadas, o pior desempenho se verificou em São Paulo, onde trabalham quatro de cada dez empregados com carteira assinada no Brasil. A cidade atingiu o recorde dos últimos vinte anos, com 9,3% de desempregados.

O economista paulista José Pastore, especialista em desemprego, aponta o que considera as três causas fundamentais do problema no país e que devem ser atacadas pelo próximo governo:

baixo crescimento econômico;
educação de má qualidade; e
legislação trabalhista arcaica.

"A contratação formal no país implica despesas de 103% sobre o salário do trabalhador. Isso a torna quase inviável", afirma Pastore.

A pedido de VEJA, o Grupo Catho, especializado em recrutamento e seleção de funcionários para grandes empresas, formulou um teste para que o leitor possa saber se seu emprego está na mira. A pessoa precisa observar se o departamento em que trabalha corre o risco de acabar ou se tem gorduras para ser queimadas. Certos sinais de que as coisas vão mal podem ser medidos pelos indicadores econômicos e financeiros do país, do setor e da empresa em que se trabalha. Outros fatores são subjetivos mas igualmente denunciadores de uma situação em franca decomposição. "Um presidente de empresa com a fisionomia constantemente apreensiva é mau sinal", diz Thomas Case, americano naturalizado brasileiro, presidente do Grupo Catho. Ele alerta para o fato de que as demissões nem sempre obedecem a critérios lógicos. "Às vezes, os executivos cortam quatro pessoas com vinte anos de casa e, para suprir a deficiência, acabam contratando dez outras pagando menos da metade do salário médio das demitidas.", diz Case.

 

 

Teste de Empregabilidade

Você está na mira?

O teste abaixo ajuda a avaliar se seu emprego corre risco. A precisão do teste depende da sinceridade das respostas

1. Você é chamado a participar de novos projetos da empresa e de seu departamento?
a) sempre
b) às vezes
c) raramente

2. Você se predispõe a levar trabalho para casa quando os prazos estão se esgotando?
a) sempre
b) às vezes, depende
c) muito raramente

3. Se há dificuldades com a rotina de trabalho em seu departamento, você é solicitado a discutir o caso e encontrar soluções?
a) sempre
b) nem sempre, poucas vezes
c) nunca

4. Você está pronto a colaborar com seus superiores, dando sugestões e idéias novas?
a) sempre, sinto-me plenamente à vontade
b) às vezes, não me sinto muito à vontade
c) raramente, sou muito retraído

5. Quando você tem de se ausentar da empresa por doença, seus superiores e colegas demonstram que você fez falta?
a) sim, todos
b) somente alguns colegas
c) não

6. Seus superiores dividem com você as novas estratégias desenvolvidas e contam com seu apoio para elaborá-las?
a) constantemente
b) nem sempre
c) raramente

7. O clima em seu departamento é de respeito e colaboração entre superiores e colegas?
a) sim, o clima é cooperativo
b) mais ou menos, há certa desconfiança
c) raramente, todos querem "puxar o tapete"

8. Você percebe que seus conhecimentos e sua força de trabalho são importantes para a empresa?
a) plenamente
b) mais ou menos
c) meu potencial não é aproveitado

9. Você pode enumerar pelo menos três tarefas importantes, no espaço de dois meses, que contaram com sua participação efetiva?
a) sim
b) não sei
c) não

10. Entusiasmo, colaboração e dedicação são características de seu desempenho profissional na atual empresa?
a) sim, totalmente
b) mais ou menos, não estou muito motivado
c) não, vou levando como posso...

 

Pontos

 

 

Veja abaixo como avaliar sua performance. Dependendo da resposta, o leitor recebe uma pontuação estabelecida pelo Grupo Catho e consegue identificar em que categoria ficou classificado

De 24 a 30 pontos
Cuidado, você pode estar em uma situação delicada na empresa. Você tende a perceber que seu potencial profissional não é importante para a empresa e que sua presença ou ausência não faz diferença. Essa percepção leva você a uma condição de desmotivação e falta de interesse que somente alimenta o atual quadro negativo. Se sua avaliação corresponde à realidade, você deve mover esforços para sair da mira demissional.

De 17 a 23 pontos
Você percebe sua situação profissional como algo um tanto apático. Não há grandes entusiasmos, porém você ainda sente que sua contribuição pode ser importante para a empresa. Como não é exigido muito de você e seu desempenho é mediano, pode haver uma tendência de a empresa substituí-lo por outra pessoa mais dinâmica ou por um sistema informatizado. Se sua avaliação corresponde à realidade, você deverá esforçar-se para marcar seu estilo profissional e fazer-se notar pelos superiores.

De 10 a 16 pontos
Você percebe que seu trabalho é importante para o desenvolvimento da empresa, sua contribuição original, pessoal e profissional é marcante. Seus superiores e colegas contam com seu entusiasmo e participação, o que pode gerar elogios e admiração. Se sua avaliação corresponde à realidade, dificilmente você estará na mira demissional. Caso isso ocorra, não será por falta de capacidade ou de empenho profissional.

 

Fonte: Grupo Catho/Jorge Zacharias

 

 
 
       
         
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