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A crise não
chegou aos fundos
O
mercado deu mais sustos do que prejuízos
neste ano de alta volatilidade
Por
Adriana Carvalho
Evandro Luiz
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O ano
que está se encerrando foi uma montanha-russa para os investidores.
Mas quem resistiu à vertigem do risco e deixou o dinheiro
aplicado em fundos não tem do que se queixar. Os fundos corrigidos
pelo dólar renderam quase 60% ao ano. Quem ficou nos
tradicionais e conservadores fundos de renda fixa e DI teve um rendimento
razoável, de cerca de 12%. Por muito tempo esses fundos,
especialmente os de DI (lastreados apenas em títulos públicos),
eram considerados a salvo das tempestades do mercado. Mas no final
de maio uma medida tomada pelo Banco Central mudou a regra de cálculo
da rentabilidade e relembrou aos investidores um princípio
importante do mundo financeiro: não existe investimento sem
risco. "Os investidores fugiram assustados da aplicação.
Entre julho e setembro, os saques dos fundos de investimento chegaram
a 37 bilhões de reais, boa parte motivada por essa mudança
de regra", afirma Maristella Ansanelli, economista da Tendências
Consultoria. O prejuízo maior entre os fundos de investimento
neste ano, entretanto, não ficou com a categoria DI e renda
fixa. Os grandes perdedores de 2002 foram na verdade os fundos de
ações. Quem passou o ano aplicando nessa modalidade
amargou perdas de cerca de 18%, em média.
"Com
exceção dessa mudança brusca da regra dos fundos,
esse tipo de investimento foi uma boa alternativa durante o ano.
Como os juros básicos do país permaneceram elevados
durante todo o período, isso garantiu maior rentabilidade
em geral para as aplicações", explica Miguel Ribeiro
de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional
dos Executivos de Finanças, Administração e
Contabilidade (Anefac). Se o dólar em alta inflou os ganhos
dos fundos cambiais, o aumento da inflação deu origem
a um novo produto no mercado, que já atraiu muitos investidores:
são os fundos atrelados ao IGP-M, um dos principais índices
de preços do país. "Os fundos de IGP-M viraram uma
coqueluche, mas o investidor deve pensar muito antes de entrar nessa
aplicação", diz Marco Antonio Sudano, diretor executivo
do Unibanco Asset Management. Como a subida da inflação
está sendo provocada principalmente pela alta do dólar,
ela também pode recuar rapidamente se a moeda americana passar
a cair. "No final de setembro, os ativos que compõem os fundos
de IGP-M rendiam cerca de 8%. Hoje rendem pouco mais de 3%", afirma
Sudano. Segundo o executivo, como é difícil traçar
um cenário econômico para o próximo ano, devido
à mudança de governo, uma alternativa para o investidor
é optar pelos chamados fundos multimercados. Nesses fundos,
o gestor aplica o dinheiro dos clientes nos ativos que julgar mais
interessantes no momento. Podem ser ações, dólar
ou títulos públicos indexados aos juros e à
inflação. "O ideal é que o investidor não
fique trocando de aplicação a todo momento e planeje
bem seus objetivos ao decidir fazer uma aplicação",
alerta Ricardo Rocha, professor do Laboratório de Finanças
da Universidade de São Paulo. "É bom lembrar que,
cada vez que se muda de aplicação, a CPMF dá
uma mordida."
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