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Investimentos: Cenários para 2003

Fundos de investimento: A crise não chegou aos fundos

Transição: Os primeiros 100 dias

Imóveis: Nem sempre é mau negócio

Internet (exclusivo on-line): Amantes do risco

Bolsa de valores (exclusivo on-line): Vale a pena formar um clube de investimento?

Entrevista - Paul Slovic (exclusivo on-line): Como conviver com o risco


Seguros: Desempregado, mas com as contas em ordem

Bilhete azul: A lógica do desemprego

Consultoria financeira: O PT está na moda

Impostos: Não deixe o Leão esmagar seus ganhos

Check-up financeiro: A saúde de seu bolso

Aposentadoria: Seu dinheiro está em boas mãos?

Dívidas (exclusivo on-line): Lições de um convertido

Carreira (exclusivo on-line): De volta à escola


Entrevista - Pamela York Klainer: Converse mais sobre dinheiro

Primeiras lições: Quem poupa tem. Simples? Como ensinar isso aos filhos

Sedução do consumo (exclusivo on-line): Por que comprar é tão bom


Gente: Aprenda a comprar com quem sabe

Fim de ano farto: Ceia de Natal à brasileira

Natal (exclusivo on-line): As boas compras

Gôndolas recheadas (exclusivo on-line): Quanto mais marcas melhor


Noticiário econômico: Aprenda com eles a ficar frio

Crises: Minidicionário para entendê-las

Auto-avaliação: Teste sua inteligência financeira

   
   
 

INTERNET (exclusivo on-line)

Amantes do risco

Simuladores de investimentos virtuais
funcionam como cursos práticos de
mercado financeiro

Por André de Freitas

 
Claudio Rossi
GRITO DE CAMPEÃO
Eduardo Yoshi na montanha-russa: é tudo mais fácil quando o risco e as perdas são virtuais

Quanto valem os conselhos financeiros de um sujeito capaz de quase triplicar em um mês o dinheiro aplicado, distribuindo seus investimentos entre ações e opções? O que dizer então de alguém que consegue fazer seus investimentos render 530% em um trimestre? Tais façanhas foram alcançadas, respectivamente, pelo estudante de ciência da computação Eduardo Kiitichi Yoshi, de 25 anos, e pelo analista de qualidade Cristiano Trimidi, de 24. Trata-se de gente que nunca pôs os pés na bolsa ou numa corretora de valores. Na verdade, eles nem conhecem a cor do dinheiro que deveria ser embolsado com suas aplicações.

Ambos fazem parte de um exército estimado em centenas de milhares de investidores virtuais, adeptos de jogos interativos que reproduzem na internet as condições encontradas no mundo financeiro real. Nos simuladores de investimentos, como são chamados esses jogos, o internauta usa uma quantia de dinheiro virtual (na maioria dos casos, 100 000 reais) para investir em ações, fundos de renda fixa e afins. Tais simuladores utilizam cotações oficiais, cobram taxas de corretagem e limitam os lotes de ações que podem ser comprados de acordo com a oferta do mercado, como se o investidor estivesse utilizando os serviços de uma corretora de verdade. E organizam rankings que, mesmo quando não oferecem prêmio algum (o único que premia os usuários é o Folhainvest, do jornal Folha de S.Paulo), são cada vez mais disputados por gente comum que sonha com o tilintar das moedas no mundo dos pregões.

Um desses seres normais, Eduardo Yoshi, liderava o ranking de agosto do simulador do Lemon Bank (nome novo do site Patagon, o primeiro a oferecer o serviço no país), com 170,52% de lucro, depois de vencer nos dois meses anteriores. "O mercado não passa de um jogo de lógica", filosofa o universitário, que é capaz de justificar, a seu modo, cada lance bem-sucedido. O melhor, conta ele, foi a compra de 90 000 reais (virtuais, é claro) em ações da Globo Cabo, em junho passado, antes do jogo entre Brasil e Turquia pela semifinal da Copa do Mundo. "Sabia que, se a seleção ganhasse, as ações da empresa ligada à transmissão dos jogos iam reagir bem."

A boa performance no jogo, do qual participa há mais de um ano, motivou Yoshi, que também trabalha na área técnica da Telesp Celular, a investir cerca de 1 000 reais do próprio bolso no mercado de ações de verdade. As estratégias que davam certo no simulador eram repetidas no ambiente real. Ele não diz quanto já ganhou, mas garante que, se quisesse, poderia deixar o emprego e viver das aplicações. "Só não faço isso porque ainda não sei se conseguiria manter o ganho estável", diz. "Mas tenho certeza de que qualquer pessoa que acompanhe as notícias, o que acontece no mundo, consegue ganhar alguma coisa na bolsa." Diante das atuais turbulências no mercado financeiro, entretanto, Yoshi recomenda cautela ao pequeno investidor que tenha recursos na mão. "Sei que o conselho não é muito patriótico, mas acho que garantir algum dinheiro em moeda forte, seja dólar, euro ou iene, não é má idéia", diz.

Cristiano Trimidi, que trabalha em Bauru, no interior de São Paulo, onde também faz faculdade de sistemas de informação, atribui ao vai-e-vem da taxa de câmbio a presença de seu nome na segunda posição do ranking do simulador de investimentos do site InvestShop. "Ganhei muito comprando dólar na baixa e vendendo nos picos", conta. Mas ele também não recomenda a ninguém apostas muito arriscadas dentro do cenário atual. "O melhor, para o leigo, é comprar ações de empresas sólidas e mantê-las. Se pudesse, compraria as da Embraer, que estão num nível muito baixo e tendem a subir", diz, com base no que tem lido em sites de corretoras e finanças pessoais que visita regularmente.

Não existem pesquisas que mostrem o perfil dos apostadores virtuais. Mas, segundo os organizadores dos jogos – em geral também funcionários de corretoras de valores –, é certo que as apostas arrojadas feitas no mundo virtual raramente correspondem ao que acontece no mundo real, no qual os investidores, especialmente os mais inexperientes, temem perder suas suadas economias. Os próprios simuladores limitam as operações dos usuários à compra e venda de ações e aos investimentos em fundos cambiais e de renda fixa. O máximo de volatilidade é encontrado no Lemon Bank, que permite alguns tipos de negociação com derivativos – instrumentos financeiros muito arriscados nos quais se aposta no valor que determinado bem pode vir a ter no futuro.

O Em Ação, jogo disponível na página do Folhainvest, é um dos mais procurados atualmente. Os prêmios reais (passagens aéreas, pacotes turísticos etc.) oferecidos aos mais bem-sucedidos no ranking do mês têm mantido uma média de 20 000 usuários ativos, com até 100 novos cadastros por dia. O administrador de empresas recém-formado Alexandre Neufeld ganhou uma passagem aérea nacional depois de fechar o mês de junho na primeira posição do Folhainvest, com 10,8% de rentabilidade em suas aplicações, num mês em que o índice de ações da Bovespa caiu quase 20%. "Li sobre a situação econômica do país e percebi o risco de uma crise cambial", conta. "Então investi tudo o que pude em ações de duas empresas que exportam muito, a Aracruz e a Votorantim", conta.

O segundo colocado da lista do Lemon Bank, o especialista em computação Fabio Hide Mitsu, mostra que não dá para confundir a jogatina dos simuladores com os investimentos no mercado financeiro de verdade. "Cheguei a acumular mais de 250% de lucro em menos de um mês, mas também perdi quantias absurdas de dinheiro, que, graças a Deus, era virtual."

 

 

 
 
       
         
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