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INTERNET (exclusivo on-line)
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Amantes do
risco
Simuladores
de investimentos virtuais
funcionam como cursos práticos de
mercado financeiro
Por
André de Freitas
Claudio Rossi
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GRITO
DE CAMPEÃO
Eduardo Yoshi na montanha-russa: é tudo mais fácil quando o
risco e as perdas são virtuais |
Quanto
valem os conselhos financeiros de um sujeito capaz de quase triplicar
em um mês o dinheiro aplicado, distribuindo seus investimentos
entre ações e opções? O que dizer então
de alguém que consegue fazer seus investimentos render 530%
em um trimestre? Tais façanhas foram alcançadas, respectivamente,
pelo estudante de ciência da computação Eduardo
Kiitichi Yoshi, de 25 anos, e pelo analista de qualidade Cristiano
Trimidi, de 24. Trata-se de gente que nunca pôs os pés
na bolsa ou numa corretora de valores. Na verdade, eles nem conhecem
a cor do dinheiro que deveria ser embolsado com suas aplicações.
Ambos
fazem parte de um exército estimado em centenas de milhares
de investidores virtuais, adeptos de jogos interativos que reproduzem
na internet as condições encontradas no mundo financeiro
real. Nos simuladores de investimentos, como são chamados
esses jogos, o internauta usa uma quantia de dinheiro virtual (na
maioria dos casos, 100 000 reais) para investir em ações,
fundos de renda fixa e afins. Tais simuladores utilizam cotações
oficiais, cobram taxas de corretagem e limitam os lotes de ações
que podem ser comprados de acordo com a oferta do mercado, como
se o investidor estivesse utilizando os serviços de uma corretora
de verdade. E organizam rankings que, mesmo quando não oferecem
prêmio algum (o único que premia os usuários
é o Folhainvest, do jornal Folha de S.Paulo), são
cada vez mais disputados por gente comum que sonha com o tilintar
das moedas no mundo dos pregões.
Um
desses seres normais, Eduardo Yoshi, liderava o ranking de agosto
do simulador do Lemon Bank (nome novo do site Patagon, o primeiro
a oferecer o serviço no país), com 170,52% de lucro,
depois de vencer nos dois meses anteriores. "O mercado não
passa de um jogo de lógica", filosofa o universitário,
que é capaz de justificar, a seu modo, cada lance bem-sucedido.
O melhor, conta ele, foi a compra de 90 000 reais (virtuais, é
claro) em ações da Globo Cabo, em junho passado, antes
do jogo entre Brasil e Turquia pela semifinal da Copa do Mundo.
"Sabia que, se a seleção ganhasse, as ações
da empresa ligada à transmissão dos jogos iam reagir
bem."
A
boa performance no jogo, do qual participa há mais de um
ano, motivou Yoshi, que também trabalha na área técnica
da Telesp Celular, a investir cerca de 1 000 reais do próprio
bolso no mercado de ações de verdade. As estratégias
que davam certo no simulador eram repetidas no ambiente real. Ele
não diz quanto já ganhou, mas garante que, se quisesse,
poderia deixar o emprego e viver das aplicações. "Só
não faço isso porque ainda não sei se conseguiria
manter o ganho estável", diz. "Mas tenho certeza de que qualquer
pessoa que acompanhe as notícias, o que acontece no mundo,
consegue ganhar alguma coisa na bolsa." Diante das atuais turbulências
no mercado financeiro, entretanto, Yoshi recomenda cautela ao pequeno
investidor que tenha recursos na mão. "Sei que o conselho
não é muito patriótico, mas acho que garantir
algum dinheiro em moeda forte, seja dólar, euro ou iene,
não é má idéia", diz.
Cristiano
Trimidi, que trabalha em Bauru, no interior de São Paulo,
onde também faz faculdade de sistemas de informação,
atribui ao vai-e-vem da taxa de câmbio a presença de
seu nome na segunda posição do ranking do simulador
de investimentos do site InvestShop. "Ganhei muito comprando dólar
na baixa e vendendo nos picos", conta. Mas ele também não
recomenda a ninguém apostas muito arriscadas dentro do cenário
atual. "O melhor, para o leigo, é comprar ações
de empresas sólidas e mantê-las. Se pudesse, compraria
as da Embraer, que estão num nível muito baixo e tendem
a subir", diz, com base no que tem lido em sites de corretoras e
finanças pessoais que visita regularmente.
Não
existem pesquisas que mostrem o perfil dos apostadores virtuais.
Mas, segundo os organizadores dos jogos em geral também
funcionários de corretoras de valores , é certo
que as apostas arrojadas feitas no mundo virtual raramente correspondem
ao que acontece no mundo real, no qual os investidores, especialmente
os mais inexperientes, temem perder suas suadas economias. Os próprios
simuladores limitam as operações dos usuários
à compra e venda de ações e aos investimentos
em fundos cambiais e de renda fixa. O máximo de volatilidade
é encontrado no Lemon Bank, que permite alguns tipos de negociação
com derivativos instrumentos financeiros muito arriscados
nos quais se aposta no valor que determinado bem pode vir a ter
no futuro.
O
Em Ação, jogo disponível na página do
Folhainvest, é um dos mais procurados atualmente. Os prêmios
reais (passagens aéreas, pacotes turísticos etc.)
oferecidos aos mais bem-sucedidos no ranking do mês têm
mantido uma média de 20 000 usuários ativos, com até
100 novos cadastros por dia. O administrador de empresas recém-formado
Alexandre Neufeld ganhou uma passagem aérea nacional depois
de fechar o mês de junho na primeira posição
do Folhainvest, com 10,8% de rentabilidade em suas aplicações,
num mês em que o índice de ações da Bovespa
caiu quase 20%. "Li sobre a situação econômica
do país e percebi o risco de uma crise cambial", conta. "Então
investi tudo o que pude em ações de duas empresas
que exportam muito, a Aracruz e a Votorantim", conta.
O
segundo colocado da lista do Lemon Bank, o especialista em computação
Fabio Hide Mitsu, mostra que não dá para confundir
a jogatina dos simuladores com os investimentos no mercado financeiro
de verdade. "Cheguei a acumular mais de 250% de lucro em menos de
um mês, mas também perdi quantias absurdas de dinheiro,
que, graças a Deus, era virtual."
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