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CARREIRA (exclusivo on-line)
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De volta à
escola
Muito
se fala em educação para
a vida toda. Sem ela não se arruma
emprego ou se perde o que se tem.
Saiba em que cursos não é futilidade
gastar seu dinheiro em cada fase
da carreira
Por
Daniela D'Ambrosio
"É
um erro fazer qualquer curso sem ter a certeza de que ele se encaixa
em seu projeto profissional e até em seu projeto de vida",
diz Vicky Bloch, sócia da DBM no Brasil, braço nacional
de uma das principais empresas de recolocação de executivos
do mundo. VEJA ouviu dezessete especialistas em carreira para ajudar
o leitor a evitar o erro apontado por Bloch. Confira a seguir como
agir e em que tipo de curso vale a pena investir de acordo com a
fase da carreira.
INÍCIO DE CARREIRA
Nessa fase é fundamental que cada um identifique quais são
as deficiências que podem atrapalhar seu desenvolvimento e
crescimento. "Há pontos essenciais sem os quais um profissional
não sobrevive", diz Luiz Carlos Cabrera, professor da Fundação
Getúlio Vargas, de São Paulo, e diretor da PMC Amrop,
empresa de recolocação de executivos. "Essa é
a hora de detectá-los e, principalmente, de corrigi-los."
Quem se matou de estudar inglês, mas nunca pensou que precisasse
tanto de espanhol? Precisa fazer apresentações freqüentes,
mas não consegue se sair bem? Um curso de oratória
pode ser o mais indicado. Para um recém-formado é
mais importante adquirir experiência, qualquer uma. Por isso,
os cursos acima são indicados. Eles tomam apenas parte do
tempo. Uma das mais fortes tentações a evitar nessa
fase da vida é o chamado MBA. A sigla, que significa master
in business administration (mestrado em administração
de empresas), tem seduzido profissionais de diversas áreas.
Ele foi criado pelas instituições americanas mais
conceituadas do mundo, como Harvard e Stanford, para diferenciar
o mestrado tradicional (mais acadêmico) de um curso prático
(mais dirigido ao mercado de trabalho). Os MBAs têm um caráter
gerencial, ensinam o profissional a ser um generalista. Além
disso, seja aqui no Brasil, seja lá fora, são baseados
em estudos de casos reais de empresas. Alguém que acabou
de entrar no mercado de trabalho não terá bagagem
para trocar informações. "Com menos de dois anos de
experiência profissional, fazer MBA é desperdício
de tempo e dinheiro", afirma Carlos Diz, headhunter e diretor da
Spencer Stuart, empresa de recolocação de executivos.
EM
TORNO DOS 30 ANOS
Luciana Cavalcanti
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MBA
NO BRASIL
Preços e duração ao gosto dos alunos |
Chegando perto dos 30 anos, cinco ou seis anos depois de concluída
a faculdade, é o momento de fazer uma pós-graduação.
Os especialistas são unânimes em afirmar que entre
27 e 32 anos é a fase propícia ao intercâmbio
de conhecimentos e também para o profissional decolar na
carreira. Mestrados, cursos de especialização e de
extensão são indicados.
Agora, sim, é a hora certa para fazer MBA. O crescimento
profissional, em diferentes campos de atuação, pode
significar um cargo de gerência ou um trabalho de gestão.
Isso vale tanto para o administrador de empresas como para um médico
que pretenda assumir a direção de um hospital, por
exemplo. Daí tanta gente se interessar por essas três
letrinhas. Cursos desse tipo proliferaram muito. Antes quem queria
fazer um MBA precisava estudar fora do Brasil. Agora muitas escolas
nacionais oferecem o programa (veja
lista dos melhores MBAs no Brasil e no exterior nos quadros abaixo).
É
bom lembrar que, para as pessoas que optaram por não seguir
uma carreira executiva nem abrir um negócio próprio,
um MBA provavelmente não trará grandes benefícios.
Além disso, cursar um MBA significa gastar muito dinheiro.
Nas escolas brasileiras mais renomadas, pagam-se entre 6 900 e 46
000 reais, mas o valor pode chegar a 100 000 reais. No exterior,
chega a alcançar a cifra de 100 000 dólares, sem contar
as despesas com passagem, livros e moradia (mais o fato de que fora
do Brasil, como o curso é em período integral, a pessoa
ficará até dois anos sem salário). Por isso,
é muito importante avaliar se um investimento desse porte
vale quanto pesa em seu bolso.
Com a palavra, os profissionais de recursos humanos. "Muita gente
acha que o MBA vai ser a grande cartada da vida e que depois dele
tudo vai mudar", afirma Marcelo Santos, vice-presidente de RH do
BankBoston. "Mas isso não é verdade." O curso, que
já foi sinônimo de promoções imediatas
e salários mais altos, hoje não é, nem mesmo,
garantia de emprego. Nas grandes empresas, ao contrário do
que muita gente pensa, não é um quesito eliminatório.
"O MBA não é pré-requisito de nenhum cargo
aqui, mas o curso ajuda muito a complementar conhecimento e ter
uma visão ampla de negócios", afirma Carmen Peres,
diretora de RH da IBM.
Mas é claro que ter um MBA é um diferencial, principalmente
se for feito fora do Brasil, onde o processo seletivo é bastante
difícil e concorrido. Para os caçadores de talentos,
esses títulos são uma prova irrefutável de
que o profissional passou por uma peneira incomparável, sobreviveu
a um pesado esquema de estudo e a um ambiente muito competitivo.
A boa notícia é que o mercado também tem visto
com bons olhos os cursos de primeira linha no Brasil. "Há
ótimas escolas e pode ser vantajoso, pois o profissional
não precisa parar de trabalhar por dois anos", afirma Elaine
Saad, da Right Saad Fellipelli, consultoria em recursos humanos.
E, além de pós-graduação, o que fazer
nessa etapa da carreira? Palestras e seminários, desde que
organizados por profissionais e instituições sérias.
Mais do que o conhecimento obtido, esse tipo de programa é
importante para adquirir outro diferencial: uma boa rede de contatos
(chamada de networking, em inglês). Os cursos de especialização,
mais curtos e baratos que os MBAs, também são um bom
caminho para a atualização. "Também é
importante se aprofundar em assuntos específicos", diz Santos,
do BankBoston.
DEPOIS
DOS 40 ANOS
Ninguém deve parar de estudar ou, pelo menos, de se reciclar.
Mas uma coisa é certa, segundo os especialistas: fazer cursos
de pós-graduação, de especialização
ou MBAs nessa fase da carreira é desperdício de dinheiro.
A explicação soa cruel, mas é verdadeira. "Se
o profissional não decolou até os 40 anos, não
adianta investir num MBA, por exemplo, pois ele não decola
mais", diz Augusto Carneiro, diretor da Korn/Ferry, uma das principais
multinacionais de recolocação de executivos do mundo.
Depois dos 40, investir num curso longo e caro como o MBA só
faz sentido se servir, exclusivamente, para satisfazer uma curiosidade
intelectual. "Para o mercado, não tem validade alguma", afirma
Carlos Diz, da Spencer Stuart.
Mas há muitas outras formas de se atualizar e de buscar novas
áreas de conhecimento. Participar de palestras e seminários
curtos é fundamental. "Ao fazer cursos, os profissionais
seniores aprendem a linguagem dos jovens, entendem melhor suas ansiedades
e desejos, o que facilita muito seu trabalho", afirma Eduardo Eisler,
diretor da Ray & Berndtson. Além de se informar, esse
tipo de atividade continua reforçando a rede de contatos.
Essa pode ser a hora mais apropriada para se aventurar num vôo-solo.
Afinal, aos 40, é maior a probabilidade de ter conseguido
acumular um patrimônio razoável para abrir um negócio
próprio ou uma consultoria, por exemplo. Há também
muitos profissionais nessa fase que começam a se preparar
para o que os especialistas chamam de segunda carreira. "Fazer um
curso no terceiro setor, trabalhar numa ONG pode ser um bom negócio",
diz Elaine Saad.

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