Carta ao leitor
 

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Não vai ficar pronto no
prazo e vai custar mais caro

Acertou quem apostou que o título acima
se refere aos serviços de eletricista,
encanador ou pedreiro

Isabela Barros

Montagem sobre fotos de Fernando Figueiredo, Ricardo Breda e Andrea Zahra

Não há quem não tenha passado por dissabores diante do desafio de contratar os serviços de pedreiro, pintor, encanador ou eletricista, principalmente se for para emergências, como um curto-circuito, que deixa a casa às escuras, ou um vazamento capaz de alagar a cozinha ou o banheiro. Com freqüência, os serviços domésticos acabam parando nos Procons dos vários Estados e chegam a rivalizar com as broncas nos serviços de telefonia, água e esgoto e fornecimento de energia elétrica, os campeões do ranking.

Entre as principais razões dos protestos, destacam-se os preços cobrados, que, pela falta de critério na hora da fixação e pela variação de valores, costumam deixar qualquer um entre perplexo e furioso. Responsável por um levantamento regular na capital paulista, o instituto de pesquisa Datafolha apurou que, em outubro, um conserto de válvula de descarga por encanador – sem material, só mão-de-obra – podia oscilar entre 10 e 80 reais, uma diferença de 700%, com média de 34 reais, entre os muitos fornecedores entrevistados. O levantamento abrange cerca de 600 estabelecimentos, no rastro de preços de trinta serviços distintos. Para a pintura de parede com tinta de qualidade, cobra-se entre 0,80 real e 16 reais por metro quadrado, variação assustadora de 1900%.

Não existe um órgão regulador para cuidar das encrencas nessa área. Trata-se de um mercado de livre contratação entre as partes, caracterizado na maioria das vezes pela informalidade econômica. A possibilidade de reclamar de um preço abusivo também é pequena. A saída é uma só: "Cabe ao consumidor fazer a pesquisa prévia de preços. Ele pode e deve pechinchar", orienta Maria Cecília Palotta, diretora técnica do Procon em São Paulo. É diminuto o poder de barganha de quem tem um cano estourado e a casa alagada, mas, para aquele que dispõe de mais tempo, vale a pena fazer uma tomada de preços.

Além dos valores cobrados, o cumprimento de prazos e a qualidade dos serviços executados estão entre os principais motivos de queixa dos consumidores no Procon. Quando tenta resolver o problema, o órgão sempre esbarra na ausência de recibo ou contrato. Na falta de provas documentais, fica mais difícil resolver a parada, com prejuízo evidente para o consumidor. Pela experiência do Procon, o maior trunfo do consumidor, na hora de se defender de um serviço mal executado ou inacabado, é o contrato escrito. Do contrário, os órgãos de defesa ficam impossibilitados de atuar como mediadores em caso de reclamação. A Justiça, porém, aceita testemunhas como evidências. Em caso de valores até quarenta salários mínimos, o ideal é entrar com ação nos Juizados Especiais Cíveis, antigos Juizados de Pequenas Causas. Tanto no Procon quanto na Justiça, o consumidor pode pedir que o serviço seja refeito ou então que a quantia paga seja devolvida. Se houver prejuízo extra, é possível reivindicar o pagamento de perdas e danos.

Não tenha receio de buscar seus direitos, mas, se você for do tipo que acha que não vale a pena fazer barulho, pelo menos escolha bem quem vai cuidar dos consertos em sua casa. Quando não for possível obter uma indicação, o melhor é escolher um prestador de serviço ligado a uma empresa. "O risco de contratar um autônomo sem referência é não ter onde reclamar depois", alerta a advogada Maria Inês Dolci, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Pelo simples motivo de que nem sempre é fácil localizar o profissional que não executou o serviço como deveria.

 

 

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