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Maurício
Oliveira
Na
hora de escolher o seguro opcional para o carro, a maioria dos motoristas
costuma valer-se de um único critério: o preço.
Decidir-se pela alternativa mais barata sem avaliar com cuidado
os detalhes da apólice pode provocar uma enorme dor de cabeça
em caso de acidente ou de roubo do veículo. Se o corretor
disser que o contrato vai chegar algumas semanas depois pelo correio,
procedimento habitual das seguradoras, recomenda-se pedir uma minuta
do texto para compará-la posteriormente com a versão
definitiva. "É comum encontrar diferenças entre o
que foi prometido verbalmente e o que aparece por escrito", alerta
Marcos Diegues, coordenador do Instituto Brasileiro de Defesa do
Consumidor (Idec).
Uma
providência fundamental é incluir no seguro a responsabilidade
civil sobre passageiros e terceiros, coberturas adicionais que custam
relativamente pouco e asseguram atendimento médico a familiares
e outras pessoas envolvidas no acidente. O motorista deve estar
atento, também, a suas obrigações durante a
vigência do contrato. Caso mude de cidade ou repasse o veículo
para uso rotineiro de outra pessoa, tem de comunicar o fato à
companhia imediatamente, sob pena de perder o direito ao seguro.
Outro dado importante é a taxa de franquia, que deve ser
paga cada vez que o cliente aciona a seguradora. Criada para desencorajar
consertos simples por conta do seguro, ela costuma variar no mercado
de 500 a 3 000 reais, dependendo do modelo do carro. Há até
modalidades que dispensam essa taxa (indicada, por exemplo, para
quem tem filhos aprendendo a dirigir e prevê vários
arranhões), mas isso torna o seguro mais caro.
Quase toda empresa submete o cliente a um questionário de
risco. É uma avaliação do perfil do motorista,
levada em conta na definição do preço que se
cobrará dele. Com base nas estatísticas, sabe-se que
homens se envolvem mais em acidentes que mulheres, que motoristas
jovens são mais imprudentes que aqueles acima de 35 anos
e que as cidades grandes têm maior incidência de roubo
de veículos. A partir desses critérios, o seguro cobrado
de um rapaz de 20 anos que mora na cidade de São Paulo pode
ser até 40% mais caro que o de uma mulher de meia-idade que
vive no interior de Santa Catarina para o mesmíssimo modelo.
Quanto mais detalhado for o questionário adotado pela companhia,
maior será a vantagem financeira de quem se enquadra no perfil
de baixo risco. Para os motoristas tidos como de alto risco, o máximo
que se pode fazer é procurar uma seguradora que ainda não
tenha adotado o questionário ou o tenha em uma versão
pouco detalhada. Prestar informações falsas para obter
desconto dá à companhia o direito de não pagar
o seguro.
É
claro que, para um leigo, tantos detalhes provocam certa confusão
daí a importância de ter um corretor de confiança.
"Ele deve defender os interesses do cliente, e não da seguradora",
diz o administrador Flávio Faggion, diretor de uma consultoria
especializada em seguros de carro. O ideal é que o corretor
trabalhe com várias companhias e apresente orçamentos
de pelo menos três delas, com três variações
de cada uma. Assim, o cliente tem um vasto leque de alternativas
para, no fim das contas, economizar um bom dinheiro sem deixar de
ter um serviço de acordo com sua necessidade. Para quem ainda
não conhece um bom profissional da área, os especialistas
recomendam exatamente o mesmo procedimento adotado por quem precisa
de um médico ou de um encanador as infalíveis
indicações de amigos ou parentes.
Os preços variam muito no mercado. Cada empresa tem uma estatística
particular de roubos e acidentes, baseada na própria experiência.
Assim, um mesmo modelo pode ser considerado de baixo risco por uma
seguradora e de alto risco por outra. Para se ter uma idéia
aproximada, os dados da maior companhia do segmento no país,
a Porto Seguro, podem servir como referência. O dono de um
Gol zero-quilômetro pagará cerca de 1 000 reais por
um ano de seguro do modelo, que vale cerca de 15 000 reais. No caso
do Vectra, cotado em 32 000 reais, o desembolso anual fica em torno
dos 2 500 reais. Já um Jeep Cherokee, vendido por 120 000
reais, consome pelo menos 10 000 reais de seguro a cada doze meses.

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