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A delícia do carro zero

Os bancos das montadoras oferecem os
juros mais baixos do mercado quando
comparados
aos das vendas a crédito de outros bens de consumo

Maurício Oliveira

 
Rogerio Montenegro
Promoção de venda a todo o vapor: juro pode ficar abaixo de 1% ao mês

É sempre preferível fazer compras à vista para evitar os juros altos dos crediários, mas, no caso do automóvel zero-quilômetro, essa sentença pode não ser verdadeira. As taxas adotadas pelos bancos das montadoras são muito inferiores às vigentes em outros setores do comércio varejista e financeiro, conforme mostram as estatísticas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). A média nacional em setembro foi de 3,3% para o financiamento de veículos, um contraste com os 10,5% cobrados pelas operações em cartão de crédito ou os 9% na venda a prazo de produtos de decoração ou, ainda, os 6,6% dos eletroeletrônicos. Há momentos de promoção em que os bancos das montadoras costumam jogar os juros para menos de 1% ao mês.

Nessas circunstâncias, o financiamento acaba sendo uma alternativa interessante até mesmo para quem planejava comprar à vista. Prova disso é que apenas 20% dos carros novos vendidos atualmente no país são pagos em dinheiro vivo. "Usamos esses mecanismos de promoção para tornar o negócio quase irresistível para o cliente", diz o gerente de desenvolvimento de produtos do Banco Ford, Maurício Greco. "Existimos exclusivamente para vender carros, então temos de criar condições para isso", completa o diretor comercial do Banco Fiat, Marcos Moreira. Uma das razões da contenção dos juros nos financiamentos é a competição entre as montadoras. Anunciar juros baixos é um trunfo e tanto para conquistar o consumidor indeciso entre uma e outra marca. Mas essa explicação não basta, já que a competição em outros segmentos também é acirrada. O segredo está na quantidade. "Nossa escala é muito significativa. Os bancos das montadoras devem fechar o ano com 800 000 veículos vendidos por financiamento", diz Luiz Carlos Borsani, vice-presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef).

Raul Junior
Atração fatal: marcas disputadas oferecem melhores condições para o pagamento

A outra vantagem é a seleção dos clientes. O perfil do comprador de automóvel a prazo é muito parecido, o que facilita a administração dos financiamentos e diminui os índices de inadimplência. Como o carro só passa para o nome do cliente depois de paga a última prestação, o próprio veículo serve como garantia, já que pode ser retomado pela empresa automobilística caso a dívida não seja honrada. Para o consumidor, uma vantagem desse sistema é que quase não há burocracia na hora da compra. Depois de comparar as condições oferecidas pelas concessionárias para encontrar a melhor proposta de financiamento, basta ir à escolhida com a carteira de identidade, o CPF, um comprovante de renda e outro de residência (que pode ser uma conta de luz, água ou telefone). Se o automóvel dos sonhos estiver à disposição, bastam duas horas para sair de lá sentindo aquele inigualável cheirinho de carro zero.

Os sites das montadoras têm simuladores de financiamento e pode-se saber instantaneamente o valor das prestações. Nas condições oferecidas no final de outubro, por exemplo, um Fiat Palio com duas portas, a gasolina, sairia por 16 871 reais à vista. Na hipótese de financiamento com pagamento de 20% na entrada (3 374,20 reais), a mensalidade para quitar o saldo restante em um ano seria de 1 329,43 reais, com juros de 2,5% ao mês. Em dois anos, as taxas subiriam para 2,7% ao mês, com prestação de 783,62 reais. Em três anos, elas seriam de 2,9% ao mês, com mensalidade de 621,12 reais. Por fim, em quatro anos, as taxas de juros seriam de 3% ao mês, com prestação de 540,81 reais.



 
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