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O inquilino pode ser
uma multinacional

Os fundos imobiliários atraem quem
procura solidez em grandes
empreendimentos da construção civil

Isabela Barros

 

Antonio Milena

A fachada do Água Branca: condomínio de investidores busca a rentabilidade no aluguel de andares comerciais para firmas de porte


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Conheça as opções entre os fundos imobiliários

Muitos brasileiros ouviram e ainda ouvem de seus pais e avós a recomendação para investir em imóveis. Comprar um apartamento ou sala de escritório com o objetivo de obter uma renda mensal de aluguel sempre esteve associado a segurança. Entretanto, havia poucas opções na comparação com o diversificado leque de alternativas atraentes do mercado financeiro. Nesse terreno, os fundos de investimentos imobiliários, regulamentados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), começaram a virar atração e cabem no bolso de quem tem de 1 000 a 70 000 reais para investir. A fórmula é simples e muito semelhante à dos produtos da área financeira. Funciona como um condomínio de investidores em que o dinheiro é aplicado em cotas cujo valor equivale a uma parte do empreendimento do setor imobiliário: shopping centers, hotéis, hospitais e edifícios de escritórios de alto padrão, na maioria localizados em São Paulo. A remuneração virá com a receita dos estabelecimentos, isto é, de acordo com o desempenho comercial das lojas de um shopping ou do aluguel dos andares de um prédio para abrigar grandes firmas.

"Os fundos são a única forma de o pequeno investidor ter acesso aos grandes empreendimentos imobiliários", afirma Fábio Nogueira, diretor-geral da Brazilian Mortgages. A empresa é responsável pelo lançamento e administração dos fundos imobiliários do Hospital da Criança, do Centro Empresarial Água Branca e do Shopping Pátio Higienópolis, todos na capital paulista. As cotas mínimas de aplicação são de 5 000 reais, 8 000 reais e 10 000 reais, respectivamente, com possibilidade de parcelamento. Os três fundos somados formam um patrimônio de 100 milhões de reais. A Brazilian Mortgages foi a pioneira nesse tipo de produto em 1999. Até então, os fundos existentes miravam grandes investidores institucionais, como os fundos de pensão, ou os investidores de flats. A Brazil Realty foi a primeira nesse segmento, com o edifício JK Financial Center em São Paulo, que oferecia cotas no valor de 70 000 reais.

 
Fotos Antonio Milena
ilena
Hospital da Criança, em São Paulo: cotas mínimas de 5 000 reais Shopping Pátio Higienópolis: o primeiro direcionado ao investidor individual

Outro badalado é o Continental Square Faria Lima, em São Paulo, da construtora e incorporadora Inpar, cujo patrimônio total de 100 milhões de reais engloba um hotel cinco-estrelas da rede Caesar Park e a locação de seis andares de um prédio comercial. Lançado em março de 2001, o fundo do Continental Square vendeu até o mês de agosto 42 milhões de reais divididos em cotas de 29 800 reais. A Caixa Econômica Federal, por sua vez, pretende aproveitar a extensão de sua rede de agências para entrar firme no filão dos pequenos investidores. O fundo da Caixa oferecerá aplicações a partir de 1 000 reais. As cotas referem-se à participação do fundo de pensão da Caixa (Funcef) em doze shopping centers localizados em oito capitais.



Suíte da rede Accor: 53 hotéis serão construídos até 2004

À primeira vista, o apelo parece irresistível, pois, além da segurança de um bem real, o investidor não precisa preocupar-se em cuidar de procurar inquilino, receber o aluguel ou acompanhar a manutenção do imóvel – chateações de sobra para quem vive a situação. Na realidade, embora prometam ganho fixo temporário próximo ao rendimento de um fundo DI – algo na casa de 1% ao mês bruto –, os fundos imobiliários vão depender do sucesso dos empreendimentos ao qual estão vinculados. Se o comércio vai mal e o shopping center vende pouco para os consumidores, as cotas do fundo tendem a se desvalorizar, da mesma forma que ações. No caso de um prédio de escritórios, caso não existam inquilinos, também não haverá renda e o capital do fundo permanecerá parado. Por isso, antes de investir, é fundamental verificar a solidez e o potencial do empreendimento. O site da CVM (www.cvm.gov.br) é uma boa fonte de informação. Outro apelo de venda é o parcelamento da aplicação mínima no caso de valores mais altos. Nesse caso, convém comparar a facilidade de forma de pagamento com o real valor do metro quadrado do empreendimento para ver se vale a pena investir a prestações.

Quem está interessado deve saber também que vai pagar 20% de imposto de renda na fonte, cobrado na hora de receber o rendimento ou na venda das cotas. É, portanto, mais vantajoso que o imóvel tradicional, cuja alíquota é de 27,5% e o investidor precisa recolher o carnê-leão. Fique de olho também na taxa de administração, que pode trazer surpresas na hora do cálculo final da rentabilidade. Atualmente, o ponto fraco do fundo imobiliário é sua liquidez, isto é, se você precisar vendê-lo com rapidez, poderá encontrar dificuldades.

 

Hóspedes lucrativos

Durante mais de uma década, os flats tiveram grande poder de atração de investidores individuais, mas hoje vivem uma situação de superoferta, particularmente nos bairros mais nobres de São Paulo, de acordo com especialistas do setor. Agora, a nova onda é formada de "unidades hoteleiras", isto é, o interessado pode aplicar seu dinheiro em hotéis convencionais, em geral associados a redes de renome no segmento, como Sol Meliá, Mercure, Ibis, Comfort ou Transamérica. A previsão da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis é que até o fim de 2001 cerca de 10 000 quartos de hotéis serão inaugurados no Brasil. Desse total, 30% deverão ser financiados por recursos captados junto a aplicadores de médio porte. "Os hotéis de padrão econômico e supereconômico são os que apresentam maior potencial de crescimento", diz Roland de Bonadona, diretor-geral da Accor Brasil, um dos gigantes do mercado, dona de 94 hotéis no país. A empresa pretende investir 1,3 bilhão de reais até 2004 na construção de 53 hotéis e flats nessa modalidade. "As unidades são vendidas mais rapidamente quando direcionadas para os investidores de médio porte", afirma. Nessa faixa estão aqueles que podem dispor de no mínimo 50 000 reais, parcelados mensalmente. Ele dá como exemplo o Ibis Paulista, com inauguração prevista para 2003, que teve todas as unidades vendidas em 48 horas em seu lançamento, em novembro de 2000. O Grupo Sol Meliá informa que já vendeu 2 400 quartos de hotel para essa categoria de público. Para o investidor, a compra é semelhante à de um imóvel – com escritura e tudo. A unidade adquirida passa a fazer parte do pool de locação. Como regra geral, 35% do faturamento do hotel vai para a operadora e 65% para os investidores.

 

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Sites úteis
  Coinvalores
O site da corretora tem informações sobre fundos imobiliários e indica algumas opções de investimentos nestes papéis.
  Planeta Imóvel
Dicas para quem quer investir em fundos imobiliários.
  Comissão de Valores Mobiliários
A CVM regula as transações com papéis no mercado. A partir desta página, você pode acessar os sites de todos os fundos imobiliários em operação no país.
  Comissão Nacional da Bolsas de Valores
A legislação que regula os Fundos de Investimentos Imobiliários no Brasil.