Carta ao leitor
 

Um guia para um mundo em mutação

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  ABC do cheque: como é o dinheiro que você mesmo assina
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Leitura
  Cinco livros para aprender a lidar com a grana
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Data: indica somente o dia de emissão do cheque, e nunca o dia para ser pago. Por ser um título à vista, o cheque pode ser resgatado no momento da apresentação ao banco.

Devolução: o Banco Central tem uma lista de 32 motivos para devolução de um cheque. Cada um deles tem um código. Os mais usuais são: 11 (sem fundos, primeira apresentação), 12 (sem fundos, segunda apresentação), 22 (divergência ou ausência de assinatura), 25 (cancelamento de talão), 28 (sustação do cheque), 31 (erro formal no preenchimento), 36 (emitido com mais de um endosso) e 44 (cheque prescrito).

Dívida: o cheque só quita uma dívida depois de compensado. Antes não.

Dívida de jogo: se alguém der um cheque sem fundos para pagamento de dívida de jogo, não pode ser executado. Contudo, se pagar voluntariamente o que perdeu, não pode pedir de volta. A regra vale até para cassinos internacionais.

Endosso: vem do latim in dorsum. Significa transferir o cheque (nominal) para outra pessoa, o que é feito colocando uma assinatura no verso. O endosso pode especificar ou não o nome da pessoa para quem o cheque está sendo transferido. Com a instituição da CPMF, só é permitido um único endosso. Ou seja, se você receber um cheque em seu nome, só pode repassá-lo uma vez, depois de assinar no verso. O banco pode devolver o cheque, sem descontá-lo, se houver mais de um endosso.

Factoring: é uma atividade lícita desenvolvida por empresas especializadas em trocar por dinheiro títulos ou cheques pré-datados recebidos no comércio, mediante uma taxa pelo serviço. Serve de fachada também para a agiotagem, quando juros extorsivos são cobrados para trocar cheques pré-datados.

Falso: o banco tem responsabilidade sobre o pagamento ou a compensação de um cheque falso, a não ser que o correntista tenha sido autor ou conivente com a falsificação.

 
Limpar o nome: o primeiro passo é pagar o cheque sem fundos. Depois, é preciso comprovar o pagamento junto ao banco e ao cartório para que o nome saia da lista negra de devedores. O banco tem direito de encerrar a conta do devedor e não mais aceitá-lo como cliente.

Laranja: apelido dado à pessoa cuja conta bancária é utilizada para encobrir o nome de terceiros em movimentações de cheques e depósitos de origem duvidosa. Com a instituição da CPMF, tornou-se mais difícil a operação de contas bancárias para esse tipo de prática porque a Receita Federal consegue rastrear o caminho percorrido pelo dinheiro nos bancos.

Pagamento parcial: não é comum, mas pode acontecer. Se alguém lhe der um cheque de 1 000 reais e só dispuser de 500 na conta, o banco pode, na hora de lhe pagar, oferecer o saldo disponível. A lei diz que não se pode recusar o pagamento parcial. O cheque fica em seu poder com a observação de que restou uma quantia a ser quitada.

Protesto: é feito em cartório e só vale para o caso de cheque sem fundos. A lei impede o protesto no caso de cheques devolvidos por furto, roubo ou extravio e quando não há prova de que foi devolvido pelo banco. O protesto do cheque é sempre comunicado às entidades de crédito (SPC, Serasa). A lei 10 700/2000, válida apenas para São Paulo, determina que as despesas para protesto de títulos recaiam sobre o devedor, e não mais sobre o credor.

Serasa: nome de uma empresa privada de análise de crédito ligada aos bancos, conectada ao Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos. Ter o nome no Serasa é estar na lista negra dos bancos e dos estabelecimentos comerciais filiados, o que significa não obter crédito na praça.

Sigilo: o sigilo bancário protege até mesmo o emitente de cheques sem fundos. Só pode ser quebrado por ordem judicial.

SPC: sigla de Serviço de Proteção ao Crédito, entidade ligada às associações comerciais. É o equivalente ao Serasa na área do comércio.

Tarifa bancária: atualmente, paga-se por quase todos os serviços bancários, inclusive várias modalidades de transação com cheques. As tarifas devem ser afixadas nas agências bancárias, para fácil visualização. Alguns bancos veiculam seus preços nos sites da internet. O Procon de São Paulo divulga uma pesquisa semestral com o sobe-e-desce das tarifas. O último levantamento mostra que as diferenças de custo de serviços entre os bancos podem chegar até a 940%.

Telecheque: é um sistema de consulta utilizado pelo comércio para verificar a procedência do cheque recebido. Funciona como detector de cheques sem fundos.

Traveller check: nome em inglês para cheque de viagem. É o meio mais seguro de carregar dinheiro durante viagens ao exterior. Os bancos cobram taxas diferenciadas na hora de trocar dinheiro por traveller checks. A principal vantagem é a segurança em caso de perda ou roubo. Você pode comunicar ao banco e recuperar os cheques. O traveller check precisa ser assinado duas vezes. A primeira ao ser adquirido e a segunda somente no ato da compra ou troca por dinheiro, mediante conferência de quem está recebendo.

Validade: cheque também tem vida útil. Se é do mesmo local onde foi emitido (praça), o prazo é de sete meses, a contar da data mencionada. Quando é de outra praça, o prazo de validade é de oito meses. Passou disso, o banco devolve.

 
Morte: o cheque (preenchido e assinado) continua válido mesmo após a morte do seu emitente. No caso de conta conjunta solidária, o outro titular, seja mulher, marido ou filho, pode sacar o dinheiro sem que haja necessidade de inventário.

 

 

 

Saiba mais
Sites úteis
  Consumidor S.A
Reportagens sobre cheques na revista do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec).
  Defesa do Consumidor
Explicações sobre cheques no site da Associação Carioca de defesa do Consumidor.
  Febraban
Site da Federação Brasileira das Associações dos Bancos dá dicas sobre o uso do cheque.
  Receita Federal
As leis que regulam a polêmica CPMF.
  Banco Central
Conheça o temido Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos e veja como se livrar dele.