ABC do cheque
Um
minidicionário sobre o
dinheiro que você assina
Edson
Pinto de Almeida
Ilustrações Negreiros
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O cheque é, disparado, o meio mais utilizado na hora
de pagar do pão na padaria ao arremate bilionário
de uma empresa num leilão de privatização.
Segundo estatísticas do Banco Central, anualmente, cerca
de 2,5 bilhões de cheques são assinados no país.
Cada brasileiro emite em média trinta cheques por ano. Como
todo documento pessoal que leva uma assinatura, o cheque é
uma extensão da identidade de seu emitente. Por essa razão,
as autoridades podem usá-lo, em casos de investigação,
para traçar redes de contato dos usuários. Os especialistas
aconselham alguns cuidados com seu uso. Abaixo, VEJA Seu Investimento
lista algumas curiosidades e observações sobre o uso
do cheque no Brasil.
A origem: de onde vem o nome? Há controvérsia
sobre o surgimento da palavra. Para os franceses, vem do inglês
to check (conferir). Já os ingleses devolvem a bola,
alegando que vem de Échiquier, em francês, que
quer dizer tabuleiro de xadrez que corresponderia ao formato
das mesas usadas pelos primeiros banqueiros. De toda forma, sabe-se
que franceses e ingleses foram os primeiros a legislar sobre o cheque,
no século XIX. No Brasil, ele apareceu em 1845 com o nome
de cautela. A regulamentação do cheque no Brasil data
de 1912.
Anulação: o gerente não vai colocar
obstáculo para sustar um cheque em caso de extravio, perda,
furto ou roubo de talão ou folha isolada, bem como no de
suspeita do cliente de que houve falsificação. O pedido
para anulação deve ser feito por escrito, mesmo que
antes você tenha comunicado por telefone. Em caso de perda
ou de crime, providencie um boletim de ocorrência na delegacia
de polícia. O Código de Defesa do Consumidor isenta
de culpa a pessoa cujo cheque sustado for descontado pelo banco
e obriga a instituição a devolver a quantia em dobro.
É possível sustar o cheque relativo a um negócio
desfeito, mas, se for comprovada má-fé de quem emitiu,
vira caso de polícia.
Assinatura: você já teve dúvida de que
sua assinatura é realmente conferida em todos os cheques
que emite? Todo mundo tem essa desconfiança. Afinal, como
se pode conferir a assinatura de um cheque passado a quilômetros
de distância da agência onde a pessoa assinou o cartão
de autógrafos? Pois bem, isso é feito graças
à tecnologia. Hoje em dia, os cartões de autógrafo
são passados num escâner e colocados na rede, de modo
que as assinaturas possam ser conferidas instantaneamente em todo
o país por qualquer gerente do banco.
Assinatura por procuração: a lei permite que
o correntista nomeie um procurador com poderes especiais para assinar
seus cheques. A procuração deve ficar com o banco
ou ser apresentada no momento do pagamento.
Avalista: é a pessoa que garante o pagamento do cheque,
assinando o nome no verso após a expressão "por aval
de". Se o cheque não tiver fundos, a responsabilidade é
do avalista, que depois de pagar pode processar quem emitiu o documento.
Bancos não podem ser avalistas de cheques de seus clientes.
Banco Central: órgão do governo responsável,
entre outras coisas, pelas normas que regulamentam a abertura e
a movimentação de contas bancárias por meio
de cheques. É quem administra em todo o país a entrega
de talonários e o Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos.
Bloqueio: recurso que o banco usa para evitar prejuízo
no caso de roubo no envio de talão de cheques pelo correio
ou por portador. O correntista pede a liberação (desbloqueio)
dos talões por telefone. O procedimento recomendado é
verificar no recebimento se os talões estão com todas
as folhas e os dados corretos.
BO: sigla de boletim de ocorrência. É feito
na delegacia de polícia em caso de roubo ou perda do talão
de cheques. É a providência a ser adotada, além
de comunicar ao banco, para evitar que alguém limpe o dinheiro
de sua conta.
Câmara de compensação: é o órgão
administrativo, supervisionado pelo Banco do Brasil, que, diariamente,
faz o acerto de contas entre os bancos na liquidação
dos cheques.
Cessão: ocorre quando um cheque cruzado, ao portador,
é entregue a outra pessoa sem nenhum endosso (assinatura
no verso). A cessão é a forma pela qual operam as
empresas de factoring (veja verbete). Como não é
mais permitido haver mais de um endosso, a cessão é
a forma mais comum de passar um cheque por várias mãos.
A desvantagem para quem recebe é que, se o cheque estiver
sem fundos, o emitente pode se safar, alegando que não conhece
o beneficiário, ainda mais se for o último da corrente.
CCF: sigla de Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos,
organizado e gerenciado pelo Banco Central. É fácil
entrar na lista. Basta ter um mesmo cheque devolvido por falta de
fundos duas vezes. Para sair é preciso uma lenta batalha
burocrática. Melhor não entrar.
Cheque ou dinheiro?: o cheque é uma ordem de pagamento
à vista (um título) e não substitui o dinheiro,
que é a moeda legal corrente no país. Ninguém
é obrigado a aceitar cheques, embora essa seja a prática
mais comum. Os próprios bancos não aceitam cheques
de outras instituições para pagamento de contas. Caso
um comerciante se recuse a aceitar um cheque seu, não há
nada a fazer. É direito do comerciante.
Cheque administrativo: é um tipo de cheque emitido
pelo próprio banco, que garante o seu pagamento. É
usado quando alguém precisa de uma certeza sobre a existência
de fundos numa negociação que está sendo feita.
Não é preciso ter conta no banco para obter um cheque
administrativo, mas o serviço não é de graça:
os gerentes cobram uma taxa para emitir.
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Abuso de preenchimento: o valor por extenso é
o que vale. Mas cuide de não deixar espaços vagos
depois do último dígito. |
Cheque cruzado: é aquele que, por meio de dois traços
paralelos riscados, só é válido para depósito
em conta corrente. Não pode, portanto, ser descontado no
caixa. Se o nome do banco estiver indicado entre os dois traços
significa que o cheque só pode ser depositado naquela instituição.
Outra forma de impedir que o cheque seja descontado é escrever
no verso "para crédito em conta". Nesse caso, ele vale só
para a conta da pessoa que recebeu o cheque, quando for nominal.
Cheque em branco: a lei só protegerá o emitente
de cheque em branco caso o documento tenha sido obtido de forma
ilícita.
Cheque em moeda estrangeira: se você receber um cheque
em dólar, pode depositá-lo em seu banco. Basta apresentar
comprovantes da origem do pagamento e endossá-lo. Ele será
descontado em reais na cotação do dia.
Cheque nominal: é uma garantia para quem o emite,
pois evita que vá parar em mãos erradas e seja usado,
por exemplo, para lavagem de dinheiro.
Cheque pré-datado: só é reconhecido
na Justiça quando ficar claro que foi emitido em razão
de uma compra parcelada. Caso contrário, pode ser depositado
antes do prazo. Por isso, o recomendado é fazer o cheque
pré-datado nominal e marcar o número da nota fiscal
do produto comprado.
Conta conjunta: a responsabilidade do cheque sem fundos
numa conta desse tipo é de quem assina, e não
de ambos. Por isso é sempre bom verificar o saldo, para
não descobrir tarde demais que a mulher (ou o marido)
já gastou tudo. |
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Cheque visado: é obtido junto ao banco, que dá
garantia de que seu pagamento será honrado. Para visar o
cheque, e portanto garanti-lo, o banco faz a devida reserva do valor
estipulado com o dinheiro disponível na conta do emitente.
Corrida pelos fundos: se dois cheques chegarem ao mesmo tempo
na compensação e não houver dinheiro suficiente
para pagar a ambos, o banco confere primeiro a data. O mais antigo
recebe antes. Se as datas forem iguais, aquele cujo número
de série for menor leva a quantia.
CPMF: sigla de contribuição provisória
sobre movimentação financeira, instituída no
atual governo. Também conhecida por imposto do cheque. Na
verdade, vale para qualquer saída de dinheiro da conta corrente.
O valor hoje da CPMF é de 0,38%. É também o
principal instrumento de controle da Receita Federal sobre eventual
sonegação de impostos pelos contribuintes.
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Cheque sem fundos: pelo Código Penal, a emissão
de cheque sem fundos
pode ser interpretada como crime de estelionato, passível
de prisão. Além disso, cabe
sobre ele uma ação executiva com penhora de bens. |
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