Carta ao leitor
 

Um guia para um mundo em mutação

Momento
  econômico
  Seu dinheiro numa economia de guerra
Investimentos
  O longo prazo é o prazo
Educação
  Programe as despesas com a faculdade de seu filho
Infância
  As primeiras lições para a vida financeira
Entrevista
  Robert Kiyosaki: vocação para a riqueza
Estilo
  Os famosos ensinam a cuidar bem do dinheiro sem torrar
Aposentadoria
  A vida mansa que a previdência privada proporciona
Internet
  As próximas mudanças do banco on-line
Empréstimos
  Fuja das dívidas e... viva mais feliz
Cotidiano
  ABC do cheque: como é o dinheiro que você mesmo assina
Casa própria
  Os conselhos dos corretores para um bom negócio
Imóveis
  Tenha uma multinacional como inquilino
Extravagâncias
  Os luxos e seus preços
Plano de saúde
  Um roteiro para você escolher bem o seu
Vida conjugal
  Quando o casamento vira uma guerra de cifrões
Automóvel
  As delícias de um carro zero-quilômetro
Seguro de carro
  Não quebre a cara em contratos obscuros
Serviços
  domésticos
  São eles mesmos: o eletricista, o encanador, o pedreiro...
Justiça
  50 direitos que poucos conhecem
Leitura
  Cinco livros para aprender a lidar com a grana
Teste
  Que tipo de investidor é você?
 
     
 

Renato Chaui


Luciano Huck
Apresentador de TV, 30 anos

"O que eu gosto de fazer com dinheiro é viajar, investir em coisas novas e comprar imóveis. Tento guardar 30% do que ganho por mês. Vim de uma família de classe média alta. Morei com meus pais até os 5 anos. Depois eles se separaram e vivi com minha mãe até os 20. Eles me ensinaram a dar valor ao dinheiro. Nunca fui esbanjador, mas também não sou neurótico. Quero ter dinheiro suficiente para fazer tudo aquilo de que gosto e não ficar na vontade. No começo, quando precisei de empréstimo, pedi a meu pai e ao Andrea Calabi, namorado de minha mãe. Consegui pagar sem problemas, mas reconheço que eles foram mais generosos que o FMI."

 

Adi Leite


Ana Moser
Ex-jogadora de vôlei, 33 anos

"Comecei a ganhar dinheiro aos 16 anos, quando saí de casa e virei dona de mim. Fui uma das pioneiras no vôlei a criar uma empresa para trabalhar a imagem. A primeira coisa que comprei com meu dinheiro foi um carro usado em sociedade com minha irmã. Nunca fui consumista, sempre poupei. Quando jogava, eu preferia comprar imóveis a deixar dinheiro no banco. Hoje invisto em fundos de renda fixa e na minha empresa, que é dona de três escolinhas de vôlei, uma em São Paulo e duas em Blumenau. Se tenho dúvida sobre investimento, pergunto ao gerente do banco. Sempre fiz bons negócios. Não tenho do que reclamar, mas já levei tombos de alguns times que não me pagaram."

 

 
Claudia Sanz

Marcelo Madureira
Humorista do Casseta & Planeta, 43 anos

Eu tenho um lema: nunca se pode pôr todos os ovos na mesma cueca. Meu princípio é: para cada real que ganho, tento economizar outro. Nem sempre dá. Antes de ser humorista, trabalhei no BNDES. Sou formado em engenharia de produção, mas especializei-me em planejamento. Desde os 17 anos comprava ações. Fui muito influenciado por meu pai, que trabalhou no setor financeiro. Na época do BNDES cheguei a administrar um fundo de ações do qual participavam meus colegas de banco. Isso me deixou muito estressado. Hoje, só leio os jornais de economia por hobby. Larguei tudo porque o humorismo é muito melhor. Agora só dou conselhos aos colegas que me pedem. Tornei-me moderado em matéria de investimentos. Sobre dinheiro, meu pai já dizia: não se deve gastar mais do que se ganha.

 

Rogerio Montenegro

Suzana Alves (Tiazinha)
Artista, 23 anos

"Eu era muito consumista, mas de dois anos para cá mudei. Estou mais organizada, não compro mais nada a prestação. Vim de uma família simples. O sucesso estourou aos 18 anos. De repente ganhei um bom dinheiro e quis ter de tudo. Comprei aquilo que queria, carro, casas. Agora sosseguei e estou ótima. Penso mais em guardar. Invisto em salas comerciais e outros imóveis para alugar. Meu empresário é economista e cuida de meus bens. Por orientação dele, também aplico em renda fixa e CDBs. Não invisto na bolsa para não correr o risco de perder. Já me convidaram para ser sócia de vários negócios, mas nunca aceitei. Já tenho muita coisa de que cuidar em minha carreira."

 

Angel Mora


Bibi Ferreira
Atriz, 80 anos

"Levo uma vida pacata financeiramente. Sou muito caseira, o que é bom porque é econômico. Tenho cartão de crédito, mas uso pouquíssimo. Não sou apaixonada por pequenos vícios, como ir a restaurante ou dar festinhas, coisas que levam o dinheiro. Gosto de ter o conforto de minha casa sem grandes luxos. Meu pai nunca me ensinou nada a respeito de dinheiro. Ele teve grandes fortunas, mas perdeu tudo. Se eu tivesse muito dinheiro, investiria no mercado imobiliário. Só acredito em três coisas: circulação de sangue, circulação do dinheiro e circulação de imóveis. Tenho horror a empréstimo. Na única vez em que precisei, para pagar o prejuízo de um incêndio no teatro, trabalhei tanto que fiquei doente. Pensei que era uma lesão, mas o médico disse que meu problema era outro: dívidas demais."

 
Claudio Rossi


Jairo Bouer
Psiquiatra e apresentador da MTV, 35 anos

"Gasto boa parte de meu dinheiro em viagens. O que sobra eu guardo. Sempre trabalho com uma margem de segurança. Há três anos venho economizando. Estou em dúvida sobre o que fazer. Não sei se compro um apartamento, para sair do aluguel, ou se deixo o dinheiro aplicado para aproveitar a rentabilidade dos fundos de renda fixa, que estão em alta. É a primeira vez que economizo pensando em comprar um imóvel. As outras vezes que guardei dinheiro usei para trocar o carro. Se tivesse filhos, eu os aconselharia a não dar o passo maior que a perna. É bom economizar, mas não se deve deixar de fazer as coisas de que gostamos por causa de dinheiro. Sou econômico, mas não muquirana."

 
J.M. Ricardo

Tony Ramos
Ator, 53 anos

"Trabalho há quarenta anos e sempre administrei minhas finanças – desde o tempo em que tinha de contar os tostões do ônibus para ir trabalhar na TV Tupi. Já nessa época comecei a aplicar dinheiro em caderneta de poupança. Mesmo pagando pouco, acho que é mais segura. Nunca tive problemas, a não ser no Plano Collor, quando perdi os últimos dois salários que havia recebido do teatro e da televisão. Também gosto de investir em imóveis. Houve época em que apliquei em ações. Acho um bom negócio a longo prazo. Sou conservador porque é difícil para um ator contar com remuneração fixa. Há períodos em que você fica até seis meses sem renda."

 

 
Lailson Santos

Serginho Groisman
Apresentador de TV, 51 anos

"Sou muito desorganizado com as contas. Já me convidaram para ser sócio de restaurante, mas recusei porque não tenho a mínima condição. Já fui síndico do prédio onde morava. O resultado foi uma catástrofe. Pedi demissão para o bem do condomínio. Para não pagar multa nas contas, deixo-as em débito automático. Por ser desligado, perdi um carro. Era um Fusca branco que foi guinchado e ficou no pátio do Detran. Havia tanta taxa atrasada que era melhor comprar um carro novo. Não quero viver para ganhar dinheiro, e sim ganhar dinheiro para viver. Sempre fui e quero continuar assim. Por isso não tenho outros negócios que não seja o programa de televisão."

 

Cida Souza


Boris Casoy
Jornalista, 60 anos

"Aprendi a lidar com dinheiro na adversidade. Perdi meu pai aos 13 anos e passei por momentos muito difíceis. Como já tive de pedir empréstimo, sou tolerante com as pessoas que às vezes não conseguem pagar suas dívidas. Nessas horas eu lembro de mim mesmo. Por tudo que passei quando era jovem, tornei-me conservador em relação ao dinheiro, mas não sou pão-duro. Uso cartão de crédito somente em viagens e fico longe do cheque especial. Confiro sempre meu extrato, mas não sei exatamente quanto reservo para investimentos. Aplico em fundos DI e imóveis, que me dão segurança. Quanto aos negócios, meu conselho é fazer como eu faço: seja desconfiado e não aceite acordo verbal."

 

Andrea Marques

Gustavo Borges
Nadador, 28 anos

"Minha maior preocupação com dinheiro é conseguir manter o mesmo padrão de vida que tenho hoje. Vejo minha carreira de nadador quase terminando e tenho de me preparar para outras atividades no futuro, depois das Olimpíadas de 2004. Hoje sou sócio de um bar na Vila Olímpia e de uma escola de inglês, ambos em São Paulo. Tudo o que venho guardando é para ter um negócio com meu nome. Meu interesse maior é ter uma academia de natação. Sou conservador na hora de investir. Hoje eu consigo uma boa renda com o aluguel de um imóvel que tenho em São Paulo. Quero ensinar meu filho a administrar bem o dinheiro. A pior coisa é você ter de viver pensando no mês seguinte."

 

 
Sergio Pedreira

Alessandra Negrini
Atriz, 31 anos

"Herdei de meus pais um comportamento não-consumista, que tento passar para meu filho. Talvez por isso saiba administrar meu dinheiro de forma equilibrada: não sou pão-duro, mas também não saio por aí gastando. Meu maior investimento até agora foi na compra do apartamento em que moro, no Rio de Janeiro. Acho que me falta ousadia para investir em ações, por exemplo. Guardo meu dinheiro em um fundo de renda fixa porque sei que é menos arriscado. Em matéria de finanças até que sou organizada. Mas conto sempre com a ajuda do gerente do banco. Ele me avisa quando há dinheiro disponível para investir. Já pensei em abrir um negócio próprio, na área de lazer, mas tenho medo de arriscar e perder tudo. Na minha profissão não dá para bobear. É sempre bom ter um dinheiro guardado."

 

Alexandre Marchetti

Aracy Balabanian
Atriz, 61 anos

"Em 1994, meu apartamento no Rio pegou fogo. Fiquei só com a roupa do corpo. Minhas jóias e meus dólares foram queimados. Nem seguro do imóvel eu tinha. Graças a meu trabalho e a bons amigos, consegui reconstruir minha vida. Não precisei tomar empréstimo em banco, só com amigos. Tenho uma geladeira que se chama Marieta Severo e um frigobar que batizei de Cláudia Raia. Gosto de viajar, continuo comprando jóias, perfumes e coisas de casa. Hoje tenho seguro para tudo. Já estou adquirindo meu terceiro apartamento. Também tenho um pouco de dinheiro em fundos de renda fixa e caderneta de poupança. Investimento mesmo eu faço nos espetáculos que produzo. Esse é o sucesso que importa."