Carta ao leitor
 

Um guia para um mundo em mutação

Momento
  econômico
  Seu dinheiro numa economia de guerra
Investimentos
  O longo prazo é o prazo
Educação
  Programe as despesas com a faculdade de seu filho
Infância
  As primeiras lições para a vida financeira
Entrevista
  Robert Kiyosaki: vocação para a riqueza
Estilo
  Os famosos ensinam a cuidar bem do dinheiro sem torrar
Aposentadoria
  A vida mansa que a previdência privada proporciona
Internet
  As próximas mudanças do banco on-line
Empréstimos
  Fuja das dívidas e... viva mais feliz
Cotidiano
  ABC do cheque: como é o dinheiro que você mesmo assina
Casa própria
  Os conselhos dos corretores para um bom negócio
Imóveis
  Tenha uma multinacional como inquilino
Extravagâncias
  Os luxos e seus preços
Plano de saúde
  Um roteiro para você escolher bem o seu
Vida conjugal
  Quando o casamento vira uma guerra de cifrões
Automóvel
  As delícias de um carro zero-quilômetro
Seguro de carro
  Não quebre a cara em contratos obscuros
Serviços
  domésticos
  São eles mesmos: o eletricista, o encanador, o pedreiro...
Justiça
  50 direitos que poucos conhecem
Leitura
  Cinco livros para aprender a lidar com a grana
Teste
  Que tipo de investidor é você?
 
     
 

Como os famosos cuidam do dinheiro

A riqueza veio rápido e fácil, em alguns casos, mas eles se
preocupam em não torrar dinheiro. Vinte e um famosos contam
aqui como fazem para que eles e suas fortunas não se separem

Flavia Sanches


João Gordo
Apresentador da MTV, 37 anos

"Burguês, eu? Odeio dinheiro, mas me preocupo porque tenho muitos gastos com médico e psicólogo. Se punks me criticarem por causa disso, eu digo que são moleques. Moram com a mãe e sugam a pobre coitada. Passei quinze anos sem ter nada. É uma vitória para mim chegar aonde estou, e não posso ser cobrado por ter ganho uma batalha na vida. Aos 18 anos fui expulso de casa porque meu pai não queria um punk por perto. Morei na casa de amigos, trabalhei como torneiro mecânico e só aos 27 anos consegui alugar um apartamento. O pior investimento que fiz foi consumir drogas. Hoje eu guardo dinheiro, pois preciso de um lugar meu para morar."

Ouça trechos da entrevista com João Gordo
“Eu gasto com videogames, cds e brinquedo. É o meu patrimônio.”
“Quero guardar dinheiro para comprar um lugar para mim.”

Renato Chauí

 

 

Antonio Milena


Hortência
Ex-jogadora de basquete, 42 anos

"
Como jogadora sempre tive casa, comida e roupa lavada. Fui muito mal-acostumada. O dinheiro que recebia eu guardava. Quando era casada, quem cuidava das finanças era meu marido. Agora que estou separada quero aprender a administrar meu dinheiro. Mas nunca vou investir na bolsa de valores porque não entendo absolutamente nada. Prefiro coisas mais seguras. Quando comecei a jogar, investia em imóveis. A primeira coisa que comprei com meu salário foi a casa de meus pais. Hoje eu tenho plano de previdência privada, aplico em fundos de renda fixa e CDBs. Sobrou dinheiro, eu invisto sempre."

 

 


Roberto Justus
Publicitário, 46 anos

"Dinheiro para mim significa basicamente liberdade para fazer o que eu quero. Gosto de uma vida confortável, como qualquer um. Não sou esbanjador, embora me considere mão-aberta. Acho que dinheiro merece ser respeitado. Aprendi a ser conservador em meus investimentos porque já me dei mal com aplicações na bolsa de valores. Prefiro investir na construção de imóveis comerciais para depois alugá-los. Também tenho aplicações em fundos DI e renda fixa. Considero meu negócio, a agência Newcomm Bates, meu melhor investimento. No começo da carreira, pedi dinheiro emprestado a meu pai, mas devolvi em um ano. Fujo dos negócios mirabolantes. Com a internet perdi pouco dinheiro porque saí a tempo. Aprendi a lição."

Ouça trechos da entrevista com Justus
“Eu sou investidor do tipo conservador.”
“Já fui investidor ousado, mas hoje não arrisco mais, fico no papai e mamãe.”
“Dinheiro para mim significa basicamente liberdade.”

Claudio Rossi

 

Fernando Lemos/Strana


Fernanda Montenegro
Atriz, 71 anos

"Meu marido e eu sempre tivemos uma casa bem administrada, dentro de nossas posses. Passamos por fases de champanhe e caviar e por fases de guaraná e mortadela. Nossa profissão é muito instável. Vivemos do teatro. Cinema paga pouco e televisão é algo esporádico. Hoje em dia tenho secretária, uma produtora e um escritório que ajuda a administrar nossa vida profissional. Essa retaguarda é indispensável para lidar com um sistema tributário sofisticadíssimo e complicado. Além dos espetáculos e da empresa, aplicamos nosso dinheiro em caderneta de poupança. Nunca me arrependi. Temos nosso próprio teto e um sítio que, há muitos anos, é nosso refúgio. Não penso em previdência privada, mas temos um ótimo plano de saúde."

 


Netinho
Cantor e apresentador, 31 anos

"Dinheiro não aceita desaforo. Sou rígido com cheque especial e cartão de crédito. Já trabalhei em banco, mas gosto de investir em imóveis e dólar. Acho importante ter uma reserva livre para usar em caso de necessidade. Procuro guardar 20% do que ganho. Minha renda vem de shows e do programa na TV Record. Tenho sete filhos, quatro que moram com as mães – e recebem pensão – e três que vivem comigo. Não dou mesada. Quero que eles estudem para poder administrar o que vão receber de herança. Com 13 anos eu já trabalhava. Aos 17 estava casado, corria para pagar dívidas e era pai. A vida só melhorou depois dos 22 anos, quando o Negritude começou a fazer sucesso. Para me garantir, tenho um seguro internacional cujo capital se valoriza em dólar e pode ser resgatado ainda em vida."

Ouça trechos da entrevista com Netinho
“Não dou mesada para os meus filhos. Digo que é preciso estudar para administrar a herança que eu vou deixar.”
“Meu melhor investimento é a educação dos meus filhos.”
“Eu me considero um investidor moderado.”

Flavio Torres


 
Renata Ursaia

Chiquinho Scarpa
Playboy, 50 anos

"Sou conservador para investir – prefiro imóveis – e não corro riscos nos negócios. Uma vez já me ofereceram sociedade na criação de elefantes para circo. Recusei. Nas coisas pessoais sou mão-aberta. Os tecidos de meus ternos vêm de Paris. Custam 4 000 reais depois de prontos. Mesmo assim, isso é a metade do que cobra a Daslu por uma roupa igual. Sou irresponsável apenas com as namoradas – gasto mesmo. Em casa, porém, não esbanjamos. Quem administra meus gastos é a Sílvia, que está comigo há trinta anos. Sei quanto ganho e quanto posso gastar. Confiro meu saldo diariamente. A única coisa que comprei a prazo foi uma Mercedes, quando eu tinha 17 anos. Dei como entrada o Fusca que ganhei de meu pai na época. Foi a primeira coisa que comprei com meu salário."

 

Mario Rodrigues


Robert Scheidt
Iatista, 28 anos

"Dependo exclusivamente de meus patrocinadores para viver. O esporte que pratico dá troféus, mas não dá cheques. São raros os torneios que oferecem prêmios em dinheiro, e mesmo assim o valor máximo não passa de 1 000 dólares. Por isso me preocupo e tento economizar para o futuro, pois sei que a carreira de um atleta de alto nível não é muito longa. Nunca pedi empréstimo. Prefiro pagar à vista. Sou comedido nos gastos, acho que por herança de uma família de origem alemã. Gasto com os equipamentos que uso e as viagens ao exterior, que agora ficaram mais caras. Já investi na bolsa de valores, mas hoje prefiro não arriscar. Até agora morei com meus pais. Acabo de comprar um apartamento, que estou terminando de mobiliar."

 

 
Leo Feltran

Costanza Pascolato
Consultora de moda, 62 anos

"Dinheiro não é minha maior preocupação, mas preciso dele para ter segurança. Sou uma mulher dos anos 30, casei nos anos 60. Estava dependente até bem pouco tempo atrás. Fiquei viúva e fui cuidar de minha vida. Gosto de guardar dinheiro. O que eu tenho, além das ações de minha empresa, está na poupança e em fundos de perfil conservador. É uma coisa sagrada, a que só minhas filhas têm acesso. O melhor dinheiro que empreguei foi em meu apartamento, em São Paulo, que é bacanérrimo. Para falar a verdade, não sei o que é um bom investimento. Há vinte anos estou com o mesmo pé-de-meia, só que minha vida melhorou. Comparo minhas finanças a um balde que tem um furinho no fundo. Sempre vai ficar do mesmo jeito."

 

João Raposo


Raul Cortez
Ator, 70 anos

"Gente pão-duro não faz meu gênero. Sou mão-aberta em tudo, mas nunca compro o supérfluo. Só o que é necessário e o que me dá prazer. Procuro guardar o que posso para construir um patrimônio. Quero deixar algo para minhas filhas e netas. Meus investimentos são diversificados: imóveis, fundos, CDBs e um pouco de ações. De forma geral sou organizado. Tenho uma secretária que me ajuda a administrar as contas. Sempre recebo relatórios semanais e mensais. Peguei empréstimo uma vez para comprar um imóvel. No final, acho que tive de pagar ao banco três vezes o valor da casa. Foi um sufoco. Pensei que não ia conseguir. Quando quitei a dívida, comprei uma garrafa de champanhe e a esvaziei sozinho."