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Quanto custa
criar um filho,
do berço ao diploma
Vinte
anos passam voando e muitos
casais jovens já se planejam para custear
as despesas futuras dos filhos

Fernanda
Colavitti e Carolina Botelho
Criar
um filho numa família brasileira de classe média,
do berçário até o diploma de faculdade, custa
alguma coisa em torno de 320 000 reais. Na classe média alta,
o custo passa dos 600 000 reais. Beira o 1 milhão de reais
se o herdeiro for da classe alta. Esses são os números
a que chegou o economista e consultor Mauro Halfeld, da Universidade
Federal do Paraná, que fez o levantamento a pedido de VEJA
Seu Investimento. Os resultados detalhados estão no
quadro. Autor de Investimentos Como
Administrar Melhor Seu Dinheiro, Halfeld fez três simulações
com um casal que cria e educa um filho, até a idade de 22
anos, quando obtém o diploma na faculdade. A cada item, como
habitação, alimentação, transporte,
despesas pessoais, saúde, vestuário e educação,
foi atribuído um peso diferente.
Mais do que buscar a precisão absoluta do cálculo,
o consultor paranaense procurou encontrar uma fórmula simples
e objetiva para auxiliar os pais no planejamento do futuro de seus
filhos. É o que muitos já estão fazendo, como
o analista de sistemas Cláudio Hendo, 38 anos, e a agente
de turismo Mari Yamaguchi, 28. Casados e residentes em São
Paulo, eles separam 168 reais todo mês para uma conta especial
em nome da filha, Larissa, de 1
ano e 2 meses. "Quando ela chegar aos 21 anos, terá dinheiro
para pagar a faculdade e ajudar na pós-graduação
no exterior", Mari calcula. Exagero de preocupação
com o futuro? De maneira alguma. O casal Cláudio e Mari expressa
bem a inclusão de um novo item no orçamento doméstico
da família de classe média brasileira a compra
de um plano de previdência voltado para a educação
dos filhos no futuro. Eles escolheram o Renda Total Júnior,
lançado pela seguradora
BrasilPrev, uma associação entre o Banco do Brasil
e a empresa americana Principal Financial Group, um gigante internacional
do setor. Em 2020, Larissa terá à disposição
100 114 reais, pois o dinheiro vai sendo aplicado como um fundo
de investimento.
Mais precisamente, o Renda Total Júnior é um tipo
de Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL), hoje a modalidade
mais aceita de previdência privada no Brasil. Inicialmente
concebido para a aposentadoria, o PGBL passou a atender sob medida
os futuros doutores e bacharéis. As principais instituições
do ramo têm produtos concorrentes, como a Bradesco Previdência,
que oferece o Prev Jovem. O Unibanco AIG comercializa o Prever Kids,
destinado a todas as pessoas que desejam presentear um filho, sobrinho,
neto ou afilhado. No momento da aquisição do plano,
escolhe-se a idade em que o menor começará a usufruir
o Prever Kids e o período de recebimento da renda temporária
no futuro, de quatro a seis anos. A contribuição mínima
mensal do Prever Kids é de 80 reais. Para quem faz para mais
de um membro da família, esse valor cai para 40 reais. Quanto
maior a contribuição mensal, obviamente maior será
o retorno no futuro. Depois de uma carência de 180 dias, o
dinheiro pode ser tirado para uma emergência. Outras vantagens
são a possibilidade de abatimento no imposto de renda e uma
valorização superior à da caderneta de poupança,
ao longo dos anos.
Esse é um bom caminho, particularmente para quem sonha alto
com a educação dos pimpolhos, como a obtenção
de um MBA (o diploma de Master in Business Administration, a pós-graduação
que virou passaporte obrigatório para carreiras no mercado
financeiro, marketing e em gestão empresarial). "Bancar o
curso, a alimentação e a moradia é uma despesa
alta e não sai por menos de 250 000 reais", afirma Ricardo
Betti, consultor paulista que se especializou em assessorar candidatos
que desejam obter um MBA.
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Mari e
a filha Larissa: poupança mensal para garantir
a faculdade |
Como
base para chegar ao resultado final do quadro acima, o economista
Mauro Halfeld usou a Pesquisa de Orçamentos Familiares
1998/1999, da Fundação Instituto de Pesquisas
Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe),
que contabiliza os gastos anuais básicos, com alimentação,
saúde, moradia, transporte, vestuário, educação
e despesas pessoais, de 2 350 domicílios no município
de São Paulo. Para as famílias com renda acima
de 20 salários mínimos (que é o caso
de todas as classes analisadas), a distribuição
é a seguinte: habitação (28%), alimentação
(14%), transportes (18%), despesas pessoais (14%), saúde
(9%), vestuário (6%) e educação (11%).
Como ajuste adicional, ele atribuiu ao filho 80% dos gastos
com educação. A diferença foi deduzida
na mesma proporção dos gastos com habitação
e transportes. Halfeld levou em conta que as depesas com educação
dentro da família são maiores para os filhos.
Para efeito de uniformizar o resultado, a renda familiar foi
mantida constante na projeção dos 22 anos, e
o resultado final foi distribuído de acordo com a divisão
estabelecida pela Fipe.
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