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A mulher da minha vida O
relacionamento entre empregadas e homens
Cerca de 110 000 homens brasileiros, de classe média alta, moram sozinhos 55% deles têm entre 30 e 44 anos. A cada um corresponde, provavelmente, uma mulher muito (mas muito) feliz. Quem é ela? A sua empregada, claro. O casamento entre os dois tende a ser perfeito sem cobranças ou brigas. E ela costuma adorá-lo. Uma empregada de um homem solteiro (ou divorciado) sente-se a própria rainha daquele lar vazio e calmo. Faz o que quer, como quer, quando quer sem que ninguém fique em cima, inspecionando a limpeza, como, em geral, fazem as patroas. "Eu não reclamo de nada", diz o arquiteto e fotógrafo paulista Fabio Laub, de 33 anos. "Não quero me indispor com a Maria: ela tem a minha total confiança." Ele e Maria Camaçari, de 60 anos, estão juntos há quatro. Maria costuma dar palpites até quanto às namoradas de Laub. Muito mais do que palpites, na verdade. Quando ela não simpatiza com a moça, faz da vida dela, segundo palavras do próprio Laub, "um inferno". Entre outros atos de sabotagem, deixa de dar os recados dela e se recusa a lavar as peças de roupa que porventura a namorada tenha esquecido na casa do patrãozinho. Se Maria, no entanto, simpatiza com a felizarda, aí é uma maravilha. Laub conheceu a atual namorada há cerca de um ano. Maria adorou a jovem. Tanto que abriu um espaço no guarda-roupa dele para as mudas de roupa dela. Já com certos familiares, todo cuidado é pouco. Recentemente, a mãe de Laub visitou o filho e notou que o fogão não estava limpo como ela achava que deveria. Alertou-o, mas ele não fez nada. Vai que a Maria se chateie... Para o homem que mora sozinho, a presença de uma empregada ainda que eles não se encontrem muito e ela vá apenas duas ou três vezes por semana dá um ar mais familiar à casa. Ele chega, a cama está esticada, o jantar está preparado... "A sensação de solidão diminui quando chego e vejo a casa arrumada, com cheirinho de limpeza", diz o publicitário paulista Guilherme Rodrigues Alves, de 35 anos. Há cinco anos, ele conta com a companhia e os cuidados de Marildes Costa de Souza, de 33 anos. É ela quem se encarrega de praticamente todos os afazeres da casa. Marildes lava, passa, arruma, organiza as listas de supermercado e avisa quando Guilherme precisa comprar cabides e lençóis, por exemplo. E ainda zela pelo estado das roupas do rapaz. Até meias e cuecas ela diz quando é preciso comprar. "Sou uma verdadeira mãe para ele", afirma Marildes. "O Guilherme é ótimo, nunca reclama de nada. Tudo para ele está bom." Marildes não mede esforços para agradar. Certa vez, Guilherme resolveu promover um jantar romântico em casa para uma nova namorada. Comprou flores e comentou com Marildes que aquela seria uma noite especial. Por iniciativa própria, ela resolveu ajudá-lo a ganhar de vez o coração da moça. Espalhou pétalas de rosa pelo quarto de Guilherme, fazendo um caminho com elas até a banheira que deixou devidamente preparada com velas flutuantes. Apesar do bom relacionamento que se costuma estabelecer entre os homens que moram sozinhos e as suas empregadas, convém lembrar que se trata de uma relação de trabalho com direitos e deveres de ambas as partes (veja quadro abaixo). Por isso, nada de tratos verbais. Registros e recibos são uma garantia para os dois lados. Até os melhores casamentos precisam de certas formalizações. Mas os desse tipo, reconheça-se, não raro duram mais.
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