Carta ao leitor
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Nutrição
A guerra dos sexos
A palavra é delas
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Em busca de uma pele mais saudável e sem muitos pêlos
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Famosos contam como cuidam da aparência
A convivência com a ex-mulher
A família antiga e a nova família
Estratégias para a conquista amorosa
A etiqueta do dia seguinte
Famosas contam como foram tratadas no dia seguinte ao primeiro encontro
Até onde o prazer da mulher depende do homem
Os "brinquedinhos eróticos" que podem agradar a ela
O uso recreativo dos comprimidos antiimpotência
Quando uma mulher é o melhor amigo de um homem
O clube dos motoqueiros cinquentões
A cozinha como parque de diversões masculino
Carne de caça
O homem que mora sozinho e sua empregada
Trabalho
Festa
Entrevista: Ricardo Almeida
Relógios
  

Lugar de homem é na cozinha...

Eles não economizam na hora de comprar acessórios,
adoram receitas complicadas e gostam de receber os
amigos enquanto pilotam um fogão: são os cozinheiros
de fim de semana


Claudio Rossi

O espetáculo do industrial Marcatto: três dias para preparar um caldo com penne e fagioli para os amigos

60% dos compradores de livros de luxo de gastronomia são homens

90% dos fogões italianos da marca Ilve, vendidos no Brasil a 70 000 reais cada um, são comprados por homens

Carnes especiais e azeites importados
são as extravagâncias dos homens nos supermercados ­ as das mulheres são os cosméticos

60% dos alunos de culinária chique são do sexo masculino

12 das 20 unidades
de um empreendimento imobiliário carioca em que a cozinha é o cômodo de maior importância foram compradas por homens sozinhos

Fontes: DBA Editora, loja Suxxar, construtora Gafisa, supermercados Pão de Açúcar e escola de culinária Wilma Kövesi, de São Paulo

Quando um homem decide cozinhar, ele deixa de lado toda a praticidade da qual tanto se orgulha em todas as outras atividades de sua vida. Atrás do fogão, os homens são cheios de manias e salamaleques. A escolha do cardápio, a forma de executar os pratos e até os utensílios usados para prepará-los passam longe do feijão-com-arroz. Eles adoram os detalhes. Pesquisam a procedência dos ingredientes, descobrem receitas e são o grande público consumidor dos artigos de cozinha de luxo. Em geral, para a mulher só existe um ralador. Para o homem, não. Tem o ralador de trufa, de noz-moscada, de legumes... O arsenal deles inclui ainda pegadores de fio de macarrão (as mulheres usam o garfo mesmo), sapatos que só são usados na cozinha, facas com fio específico para cada tipo de alimento, entre outros objetos culinários não identificados por quem se dedica apenas ao trivial.

Para terem acessórios como esses, eles desembolsam sem remorso – o que, na cabeça de uma mulher, é um desperdício sem tamanho. "Já houve situações constrangedoras, em que o casal discutiu, na frente de todo mundo, o fato de ele ter pago uma fábula por um apetrecho", conta Tuti Generali, proprietária da loja paulista Suxxar, uma das mais tradicionais do setor. Justamente por isso, eles preferem ir às compras sozinhos. Para se ter uma noção do poder e da vontade de comprar desses cozinheiros, 90% dos fogões italianos da marca Ilve importados pela Suxxar foram vendidos para homens. O preço? Setenta mil reais.

A presença dos homens na cozinha é um fenômeno que não pára de crescer no Brasil. O mercado começou a expandir-se com a abertura das importações, no início da década passada. Na época, chegaram ao país ingredientes como temperos franceses, carnes exóticas, massas italianas e utensílios de cozinha alemães, suíços, americanos e franceses. "Com isso, a culinária sofisticada tornou-se mais acessível e houve uma virada no modo de cozinhar", diz Betty Kövesi Mathias, que coordena a Escola Wilma Kövesi, uma das mais tradicionais de São Paulo. Quando foi fundada, no começo da década de 80, a escola contava basicamente com noivas aflitas por aprender os truques da cozinha às vésperas do casamento. Hoje, o número de homens equivale ao de mulheres. "Eles começam na culinária pelos grandes pratos, aqueles mais complicados", diz Betty. "Os homens gostam de mostrar que sabem preparar o que é mais difícil."

O industrial Lenine Marcatto, de 51 anos, é um exemplo de cozinheiro aplicado. Ele tem no currículo mais de dez cursos de culinária, entre workshops com chefs renomados e aulas com professores de faculdades de gastronomia. "Sou um amador-profissional", afirma Marcatto. O gosto pela culinária é tanto que, a cada dois meses, ele aluga um espaço com equipamentos profissionais e cozinha para os amigos. Numa dessas reuniões, Marcatto preparou um caldo com penne e fagioli. Para servi-lo aos comensais, os preparativos começaram três dias antes do encontro. "O caldo requer esse tempo todo de preparo para ficar no ponto", diz o industrial. Sempre que cozinha, Marcatto veste-se com a roupa de chef – um jaleco que tem seu nome bordado em letras douradas no lado esquerdo – e calça sapatilhas italianas resistentes a choques e altas temperaturas. Ele leva a tiracolo suas panelas (os homens adoram usar uma panela específica para cada tipo de prato que preparam), além de uma pequena mala de viagem com outros utensílios, como facas, escumadeiras e peneiras. Em casa, guarda suas ferramentas de trabalho bem longe das mãos alheias – trancadas num gaveteiro no quarto dele e da mulher, Adriana.

O interesse masculino por culinária é tanto que inspirou até o projeto de um empreendimento imobiliário na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Batizado de "apartamento gourmet", o imóvel tem na cozinha o seu principal ambiente. Cozinha, não. Área social, por favor – ela traz integradas as salas de estar e jantar com a copa e a cozinha. A tal área social ocupa nada menos do que um terço dos 95 metros quadrados do apartamento. Tradicionalmente, a copa e a cozinha ocupam um quarto da planta. Os principais compradores do "apartamento gourmet": homens solteiros ou divorciados.

 

  
       
 
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