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Eu
e minha moto O
fascínio dos quarentões e
cinqüentões pela motocicleta. Seis de cada dez Harley-Davidson
no Brasil pertencem a homens com mais de 45 anos
Alexandre Schneider  |
| Nos
fins de semana, o urologista Celso Gromatzky, de 45 anos, troca o jaleco branco
por calça jeans, camiseta preta, capacete coquinho e colete de couro decorado
com broches de todos os lugares em que já esteve. Sua entrada no mundo
dos motoqueiros é recente aconteceu em 2002, por sugestão
de um cunhado. A experiência de ter atendido muitos acidentados em prontos-socorros
fazia com que Gromatzky não se sentisse seguro para andar de moto. Mas
a sensação de pilotar uma foi tão boa que ele se rendeu.
"O que me dava medo agora dá um enorme prazer", diz. |
Quando
o filme Sem Destino (Easy Rider) estreou, em 1969, eles eram rapazinhos
de tudo. O tempo passou, eles cresceram, começaram a trabalhar, juntaram
dinheiro e... compraram uma motocicleta cara. Bem-sucedidos profissionalmente,
esses quarentões e cinqüentões podem se dar ao luxo dos longos
passeios sobre duas rodas como faziam os personagens de Peter Fonda, Dennis
Hopper e Jack Nicholson na fita americana. Andar sobre duas rodas, para eles,
é uma experiência de liberdade e de juventude. É tão
prazeroso que eles se organizam em clubes, encontram-se regularmente e têm
o costume de viajar em grupo. Quando não estão pilotando suas máquinas,
eles se divertem em oficinas especializadas e lojas de peças e acessórios.
Nessas horas, parecem crianças. Não é preciso fazer muito
esforço para adivinhar qual a moto dos sonhos desses garotões. Eles
costumam rodar montados em uma Harley-Davidson, a lendária motocicleta
americana lançada em 1903 e imortalizada por Fonda, Hopper e Nicholson.
Dos cerca de 5 000 exemplares em circulação no Brasil, 60% estão
nas mãos de homens com mais de 45 anos. O modelo preferido dessa turma
é a Heritage Classic, a mais clássica das Harley, cujo preço
gira em torno dos 50 000 dólares, sem acessórios. Chega sexta-feira
e lá vão eles. Sozinhos ou em grupo, jaqueta de couro e capacete
coquinho (fazer o quê?), vários madurões brincando de "easy
rider".
Masao Goto Filho  | | Claudio
Rossi  |
| Em
1998, com os três filhos finalmente formados, o catarinense Osmar Luiz Becher,
55 anos, fiscal da Receita Federal, começou a aplicar o dinheiro economizado
em viagens com a mulher, Terezinha. Logo, no entanto, ele se cansou. Achou muito
cansativo o sobe-e-desce-de-avião típico das excursões de
agência de turismo. Becher resolveu, então, embarcar em outra viagem.
Em 2001, comprou uma moto. Hoje, circula montado numa Harley. Becher se destaca
entre os motoqueiros cinqüentões, porque Terezinha sempre está
em sua garupa. "Não viajo sem ela", diz. "Terezinha é minha parceira
de estrada." | | Em
2001, o consultor Edgard Calazans Xavier abandonou o mercado financeiro e foi
viver. Nos cinco meses em que ficou nos Estados Unidos, descobriu os prazeres
sobre duas rodas. De volta ao Brasil, comprou uma Harley. Desde então,
nunca mais parou. Aos 50 anos, ele se gaba de já ter atravessado a América
Latina e quinze Estados americanos de moto sem contar as viagens semanais
que faz com os amigos pelo interior de São Paulo. "Nesses momentos, tenho
a impressão de que sou um dos personagens de Sem Destino." |
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