Carta ao leitor
Apresentação
Nutrição
A guerra dos sexos
A palavra é delas
Os cuidados básicos com a barba e o cabelo
Em busca de uma pele mais saudável e sem muitos pêlos
Entrevista: Mark Simpson
Famosos contam como cuidam da aparência
A convivência com a ex-mulher
A família antiga e a nova família
Estratégias para a conquista amorosa
A etiqueta do dia seguinte
Famosas contam como foram tratadas no dia seguinte ao primeiro encontro
Até onde o prazer da mulher depende do homem
Os "brinquedinhos eróticos" que podem agradar a ela
O uso recreativo dos comprimidos antiimpotência
Quando uma mulher é o melhor amigo de um homem
O clube dos motoqueiros cinquentões
A cozinha como parque de diversões masculino
Carne de caça
O homem que mora sozinho e sua empregada
Trabalho
Festa
Entrevista: Ricardo Almeida
Relógios
  

Em busca de diversão

Seis anos depois de lançado o primeiro
medicamento oral contra
a impotência sexual,
comprimidos antiimpotência são usados

por quem não precisa do remédio, mas quer
aumentar
o vigor. Será que isso é mesmo necessário?

Usar remédios contra disfunção erétil para aumentar o vigor sexual – eis o que muitos homens estão fazendo, principalmente os mais jovens. Os mais usados são à base de sildenafil (Viagra é a marca mais famosa deles), tadalafila (Cialis) e vardenafil (Levitra). O mecanismo de ação é bastante semelhante: relaxam a musculatura do pênis, aumentando o aporte de sangue ao órgão, o que leva à ereção. Essas pílulas só funcionam se houver desejo. Não são indutoras de ereções e, sim, potencializadoras. Estima-se que um em cada dez brasileiros tenha algum grau de disfunção erétil. O problema é mais comum entre homens com idade ao redor dos 50, 55 anos. No que se refere ao uso recreativo dos medicamentos, um dado revelador é o número fornecido pelas maiores redes de farmácias: estima-se que um terço dos compradores sejam jovens com cerca de 30 anos. Nessa fase da vida, a probabilidade de um homem ter de recorrer a esse tipo de artifício para desfrutar os prazeres de uma noite de amor é inferior a 25%.

Quem não sofre de impotência não terá ereções mais poderosas e duradouras com o Viagra. O único efeito é a diminuição – e olhe lá – do tempo entre uma ereção e outra. Ou seja, o sujeito tende a se recuperar mais rapidamente de uma relação e, em pouco tempo, estar pronto para outra. Esse efeito, no entanto, é muito mais psicológico do que físico, já que a simples ingestão do remédio pode deixar o homem mais "animado" para o sexo. "O uso repetido desse tipo de medicamento mascara questões emocionais delicadas", diz o urologista Celso Gromatzky, do Hospital das Clínicas, de São Paulo. Entre elas estão, por exemplo, a vergonha do tamanho do pênis, o medo de não ter ereção ou de não conseguir satisfazer a parceira. Nesses casos, o uso dos comprimidos antiimpotência pode atrapalhar ainda mais. O usuário começa a pensar que, sem o "aditivo", não será capaz de manter uma relação sexual satisfatória e que a mulher não ficará satisfeita com sua performance. Ele acaba, então, entrando numa espécie de círculo vicioso. Se não tem o comprimido ao alcance, não faz sexo, não consegue manter relações sem a pílula e por aí vai.

O engenheiro Paulo Garcia, de 34 anos, foi uma vítima desse vício. Ele namorou uma mulher por sete anos e conta que, com o tempo, o sexo começou a ficar "caseiro demais". Ao desabafar com um amigo, ouviu dele a sugestão de experimentar Viagra. "Na primeira vez, não aconteceu nada", diz. "A transa continuou morna e só aconteceu porque minha namorada se esforçou muito." O engenheiro só começou a sentir algum efeito quando tomou o remédio e teve relação com uma outra parceira, que não sua namorada. "Tive mais ereções do que estava acostumado. Mas não sei dizer se foi por causa do remédio ou por causa da excitação de estar na cama com uma mulher diferente." O fato é que, depois disso, Garcia ficou alguns meses sem ter coragem de fazer sexo sem a pílula. O caso do engenheiro é, segundo especialistas, clássico. Como havia algum tempo ele vivia uma relação desgastada, seu desejo ficou comprometido. Muito provavelmente, Garcia teria todas as condições de recuperar o entusiasmo sexual sem apelar para medicamento nenhum. Mas, ao contrário disso, preferiu a "muleta psicológica" do remédio. E, pior, ficou dependente dela.

 

Efeito placebo

Mecanismo de ação
Esses remédios agem diretamente no pênis. Relaxam a musculatura do órgão, proporcionando um aumento da irrigação sanguínea e, conseqüentemente, levando à ereção

Quem usa
O homem que quer impressionar a mulher e ter um desempenho sexual acima do usual

Como funcionam
Podem, no máximo, diminuir o tempo entre uma ereção e outra. A maioria dos homens que relatam ter conseguido melhorar o sexo com remédio está, na verdade, sob efeito de um placebo

Possíveis efeitos colaterais
Há o risco de dependência psicológica. Ou seja, o homem pode passar a precisar das pílulas para conseguir ter uma ereção. Não há perigo de dependência química, mas esses remédios só deveriam ser consumidos sob orientação médica

 

  
       
 
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