Carta ao leitor
Apresentação
Nutrição
A guerra dos sexos
A palavra é delas
Os cuidados básicos com a barba e o cabelo
Em busca de uma pele mais saudável e sem muitos pêlos
Entrevista: Mark Simpson
Famosos contam como cuidam da aparência
A convivência com a ex-mulher
A família antiga e a nova família
Estratégias para a conquista amorosa
A etiqueta do dia seguinte
Famosas contam como foram tratadas no dia seguinte ao primeiro encontro
Até onde o prazer da mulher depende do homem
Os "brinquedinhos eróticos" que podem agradar a ela
O uso recreativo dos comprimidos antiimpotência
Quando uma mulher é o melhor amigo de um homem
O clube dos motoqueiros cinquentões
A cozinha como parque de diversões masculino
Carne de caça
O homem que mora sozinho e sua empregada
Trabalho
Festa
Entrevista: Ricardo Almeida
Relógios
  

Depois do divórcio, virei um monstro

A maioria das separações é pedida pelas mulheres.
Mas, quando é o homem que resolve sair de casa,
ele quase sempre vira um crápula aos olhos da ex

 
Selmy Yassuda

"No fim de 2000, depois de sete anos de casamento, eu me separei. Acordamos verbalmente que eu continuaria a pagar tudo para Lucas, então com 7 anos. Nossa separação foi tão amigável que, mesmo só tendo direito, oficialmente, a ficar com meu filho dois fins de semana por mês, ele ainda dormia em casa três vezes por semana. Um ano depois, comecei a namorar minha atual mulher. Os problemas então começaram. Primeiro, minha ex-mulher cortou as visitas "extras". Depois, proibiu Lucas de falar comigo pelo telefone. Eu então comprei um celular para ele. Uma vez ela enrolou fita isolante no aparelho. Por causa das brigas, Lucas teve de fazer terapia. Quando a psicóloga lhe contou que Lucas tinha vontade de morar comigo, ela suspendeu o tratamento. Quando ela descobriu que eu visitava o menino nas aulas de futebol e natação, suspendeu os treinos. No ano passado, quando minha mulher engravidou, a fúria dela explodiu. Eu fiquei três dias na cadeia porque ela reclamou na Justiça que eu nunca havia pago pensão. O juiz não aceitou a justificativa de que havia um acordo verbal entre nós. Hoje luto na Justiça pela guarda de Lucas. Tenho uma família linda, uma boa casa e a cabeça no lugar."
William Maia, 36 anos, engenheiro

No Brasil, cerca de 80% das separações litigiosas são pedidas pelas mulheres. Não há dados oficiais sobre as separações consensuais, mas os especialistas estimam que, também nesses casos, o ponto final cabe ao sexo feminino. Quando, no entanto, é o homem que decide encerrar o casamento, é pressão de todo lado. Se ele tem filhos, sente muita culpa por privar-se do convívio diário com as crianças. Imagina que, por sua causa, os pequenos sofrerão traumas indeléveis. Sem contar o rancor da mulher... Ops, da ex-mulher. É inevitável: se elas se sentem rejeitadas, cavalheiros, é um deus-nos-acuda. Para aplacar o sentimento de fracasso em relação à prole e contornar a fúria da ex, muitos homens arcam com uma quantidade enorme de responsabilidades – freqüentemente, maior do que lhes é exigido por lei. O bom senso diz que, se a mulher trabalha, ela deve arcar com parte das despesas dos filhos. Mas alguns ex-maridos, apesar disso, se responsabilizam sozinhos por tudo – escola, cursos extracurriculares, roupas, médico, dentista, passeios... Até aí, dá para entender. É para as crianças. Há, contudo, aqueles que, além de tudo isso, ainda arcam com várias despesas da ex, como viagens de férias, combustível do carro, conta do telefone, entre outras. Se você está nessa, meu amigo, melhor procurar aplacar a culpa no divã de um analista (se você ainda tiver dinheiro para isso, é claro).

É duro, mesmo: não importa o tamanho do esforço para alcançar um mínimo de paz, quando é ela a ser deixada, o ex sempre será visto como um monstro. Se arruma uma namorada, resolve se casar novamente e formar uma nova família, o mais provável é que ela vá à loucura. Por isso mesmo, os especialistas recomendam que tudo o que se refere à separação deve ser colocado no papel. Fazer acordos verbais é arriscadíssimo. O mais importante é preservar as crianças. O inferno que envolve uma separação, inevitavelmente, mexe com elas. Mas, se o processo for conduzido civilizadamente, os pequenos passarão por ele sem maiores problemas. Vários estudos feitos recentemente mostram que, quando as crianças são mantidas a uma distância prudente do conflito entre os ex, conseguem adaptar-se muito bem à nova realidade. Uma pesquisa sobre separação conjugal, coordenada pela psicóloga Mavis Hetherington, da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, com 1 400 famílias e 2 500 crianças, revelou que 80% dos filhos, poucos anos depois da reviravolta na família, estavam muito melhor do que nos últimos tempos de união familiar. Passado o período de turbulência do divórcio, a relação do pai com os filhos apresenta ganhos enormes. Justamente por não estarem mais morando com as crianças, os pais fazem das tripas coração para estar mais próximos delas. É comum, por exemplo, levantarem cedíssimo de manhã só para levar os filhos ao colégio. Além disso, tentam fazer com que o tempo em que ficam juntos seja realmente especial. Homens assim, de monstros não têm nada..

 

DIREITOS E DEVERES DO HOMEM SEPARADO

Photodisc


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Toda mulher tem direito a pensão alimentícia?

Mulheres jovens que estejam fora do mercado de trabalho têm direito a uma pensão temporária, em geral de um a três anos. As que trabalham e têm rendimentos compatíveis com seu padrão de vida não recebem pensão.

2 De quanto deve ser a pensão?

A pensão abrange a quantia de que a mulher precisa para manter o padrão de vida que tinha durante o casamento. Isso inclui desde despesas com saúde e moradia até gastos com restaurantes, academia de ginástica e viagens ao exterior. Para tanto, ela precisa provar esses custos e também que não pode arcar com tantas despesas. Para o estabelecimento do valor da pensão dos filhos, as regras são as mesmas. Em geral, a pensão fixada é de um terço dos rendimentos do ex.

3 Durante quanto tempo a pensão deve ser paga aos filhos?

Até que os filhos completem 21 anos, se casem ou obtenham emancipação em cartório. O pagamento é prolongado até os 24 anos no caso de o jovem estar cursando faculdade. Depois disso, só continuam tendo direito ao benefício filhos com doenças físicas ou mentais.

4 A mulher perde a pensão se arrumar um namorado?

Ela só perde o direito se estabelecer uma relação estável com outra pessoa. Ou seja, se ela e o namorado forem morar juntos.

5 Quando pedir revisão do valor da pensão?

Sempre que houver mudança nas condições financeiras de uma das partes. O valor pode ser aumentado, por exemplo, quando o responsável pelo pagamento recebe uma promoção. E reduzido ou até suspenso temporariamente quando ele perde o emprego. Também é possível rever o benefício em casos de doença.

6 Quem fica com a guarda dos filhos?

Quando o casal não chega a um acordo, a decisão fica a cargo do juiz. Ele levará em conta o bem-estar das crianças ao determinar com quem devem ficar e qual será a freqüência das visitas. Se houver registro de distúrbios psicológicos, alcoolismo ou maus-tratos de uma das partes, a guarda será obrigatoriamente do outro. Cabe ao juiz decidir se quer ou não ouvir a criança sobre o assunto.

  
       
 
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