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A metamorfose do macho A
revolução que criou o novo homem foi menos
A
revolução de costumes detonada nos anos 60 criou uma nova mulher
mais livre para concretizar seus desejos existenciais, profissionais e
sexuais e também um novo homem, de contornos pouco claros até
alguns anos atrás. Explica-se: a princípio, destituídos dos
papéis sociais rígidos a eles destinados, os homens ficaram perdidos,
vulneráveis, como se lhes tivessem tirado o chão. Tanto que, nos
anos 90, decretou-se a "crise do macho". Mas, assim como as mulheres foram à
luta, eles também não se acomodaram na infelicidade. Empreenderam
uma revolução menos barulhenta do que a feminina e hoje já
se mostram mais à vontade no lugar que ocupam na sociedade moderna. É
justamente esse momento flagrado pela edição VEJA Especial Homem.
Um dos aspectos que mais chamam atenção é que o novo homem está começando a dar conta das ansiedades dela a nova mulher. Apesar de todas as conquistas visíveis e dos avanços de mentalidade, boa parte das mulheres ainda se ressente de não cuidar em tempo integral dos filhos ou de não dar mais atenção à casa isso quando há filhos ou casa a ser cuidados. Muitas vivem o dilema de escolher entre uma carreira e uma família. Pois bem, diante de tais angústias femininas, os homens até que estão se saindo bem. Há até as feministas que acham que o desempenho deles supera o delas. "As mulheres passaram os últimos quarenta anos conquistando o mundo masculino", escreveu a jornalista americana Sheerly Avni, na revista eletrônica Salon. "Hoje podemos matar um coelho a tiros, mas não sabemos cozinhá-lo. No pós-feminismo, descobrimos que os homens agora são melhores em tudo o que julgávamos território exclusivamente nosso." Aliás, por falar em cozinhar coelho, nas páginas 58 e 59, eles ensinam a preparar também javali e avestruz. O
machismo perdeu terreno e, no seu lugar, entrou a delicadeza. Embora o esporte
preferido dos homens nunca vá ser discutir a relação, eles
hoje estão mais atentos aos movimentos internos de suas companheiras e
também se mostram mais participativos na vida familiar. Pais e filhos nunca
estiveram tão próximos quanto hoje. O número de homens que
assistem ao parto de seus filhos mais que dobrou nos grandes hospitais nos últimos
dez anos. Eles agora são uma presença constante em reuniões
e festinhas de escola. Várias pesquisas sobre o assunto indicam que os
homens desempenham esse papel com gosto. Nesses levantamentos, foram feitas perguntas
como "Você sente prazer ou se sente diminuído ao dar banho em suas
crianças?", "Sua mulher admira quando você alimenta o bebê
ou acha que essa é uma tarefa essencialmente feminina?", "Você conta
para seus colegas que coloca suas crianças para dormir?". Tabuladas as
respostas, constatou-se que a maioria dos homens, quando cumpre essas atividades,
sente-se mais viril. Eles também relatam uma grande melhora na qualidade
de vida. O contato mais íntimo com os filhos serviu de trampolim para o
que os especialistas consideram a maior transformação masculina.
O amor que os homens aprenderam a dar e a receber de seus filhos fez com que eles
tomassem contato com seus próprios sentimentos, sufocados durante séculos.
Homem agora não só pode chorar, como sentir-se frágil, com
medo. Tanto que, nos últimos dez anos, o número de pacientes homens
nos consultórios de psicoterapia e psicanálise cresceu cerca de
40%. Homem que é novo homem elabora.
A reviravolta não se deu apenas no terreno das emoções. Hoje, eles não sentem vergonha de mostrar-se vaidosos. Não está se falando aqui apenas do metrossexual, aquele homem de vaidade exagerada que é, inclusive, tema de uma entrevista com o criador do conceito, o inglês Mark Simpson, na página 22. Que o diga Ronaldo, o Fenômeno. Recentemente, de passagem pelo Brasil, ele foi com a namorada, a apresentadora Daniella Cicarelli, ao cabeleireiro MG Hair Design, em São Paulo. Enquanto ela fazia luzes no cabelo, ele, muito à vontade, era atendido por duas manicures uma lhe fazia as unhas da mão e a outra, as dos pés. Freud se perguntava, sem conseguir responder, o que queria, afinal, uma mulher. Uma parte da resposta já pode ser dada: ela quer um novo homem.
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