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Elas
estão ótimas. Já eles...
Diferentemente
do que ocorre com as mulheres,
a rotina é cruel para homens que passaram dos
30 anos e não têm namorada
Oscar Cabral
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Jorge Bispo
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| A
atriz Maíra Carneiro: vida de solteira comemorada em baladas
com as amigas |
O
carioca Tiago Janot: compras de madrugada por não ter uma companhia
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Durante
muito tempo, os estereótipos sobre a vida de homens e mulheres
solteiros eram assim definidos: enquanto eles estavam sozinhos por
opção, aproveitando a vida com amigos em festas e
viagens, elas sofriam com a falta de um namorado. Lentamente, a
percepção sobre esse estilo de vida começa
a mudar. Pesquisas recentes mostram que as mulheres solteiras estão
mais à vontade sozinhas. Elas se divertem com as amigas,
fazem dezenas de cursos e, em geral, têm um hobby.
Já
os homens parecem caminhar em outra direção. Há
uma tremenda dificuldade de encontrar um espaço próprio
na solteirice. Principalmente na faixa dos 30 e poucos anos, quando
a maior parte dos amigos já está casada e a idéia
de passar as noites numa boate atrás de companhia arrepia
mais do que seduz. O resultado é que a grande maioria deles
acaba vivendo de maneira solitária. Fica em casa vendo filmes
em vídeo, tomando cerveja na frente da TV ou navegando na
internet por pura falta de companhia.
Repare nas duas fotos que ilustram esta reportagem. De um lado,
o modelo carioca Tiago Janot, 39 anos. Ele é bonito, bem-sucedido
e mora num belo apartamento. Mas suas noites de sábado costumam
ser assim: enchendo o carrinho de frutas, vinhos, alguns queijos
e muita embalagem Tetra Pak no supermercado. "Já passei da
idade de badalar feito louco. Estou mais calmo e não me vejo
nesse furacão de bares e joguinhos de paquera. Não
há muito que fazer. No fim de semana, mato o tempo mesmo
vendo filmes em DVD", afirma. De outro, a atriz Maíra Carneiro,
de 26 anos. Linda, charmosa e desimpedida, ela tem uma agenda social
atribuladíssima. "Se bate a solidão, passo a mão
no telefone e ligo para as amigas na hora. Saímos em turmas
de seis ou sete. É uma festa", conta. De fato, as perspectivas
masculinas não são nada animadoras. Especialistas
afirmam que a vida do solteiro trintão tende a se tornar
ainda mais angustiante. "O fenômeno da solidão masculina
tem aumentado muito", comenta o psicólogo Ailton Amélio,
do Departamento de Psicologia Experimental da Universidade de São
Paulo. "Ao contrário do que se pensa, os homens sofrem mais
que as mulheres com a falta de companhia. Elas se agrupam. Já
eles tendem a se isolar", diz.
O fato é que não existe uma estrutura preparada para
abrigá-los. As baladas são feitas para homens em grupo,
que saem juntos em busca de aventuras de uma noite. Não há
programas reservados para aquele homem que queira sair só
com um amigo. Um chope no bar é o máximo. "Engana-se
quem acha que é normal sair para jantar com um amigo. É
algo que parece ser privilégio de mulheres e gays. Vá
jantar com um colega de trabalho num restaurante japonês para
ver com que reserva você será olhado pelos seus vizinhos
de mesa, desconfiados de seus hábitos sexuais", afirma o
publicitário gaúcho Roland Talbot, 32 anos, um habitué
solitário de sessões tardias de cinema. "Cinema com
amigo também soa esquisito. Então, vou sozinho às
últimas sessões, porque assim que acaba volto para
casa e durmo", explica.
O grupo social que mais cresce no mundo é o dos solteiros.
Em países como a Inglaterra, um em cada quatro lares é
ocupado por uma pessoa sozinha, quase o mesmo porcentual dos Estados
Unidos. No Brasil, os solitários estão em 10% das
casas nas grandes cidades. Segundo o IBGE, há cerca de 20
milhões de homens solteiros no Brasil com mais de 18 anos.
São eles os grandes responsáveis por engrossar segmentos
da economia que não param de crescer. A cultura do solteirismo
inclui comida congelada, internet e joguinhos de computador. Segundo
cálculos da Ubisoft, uma das maiores fabricantes de jogos
de computador, adultos solteiros, entre 25 e 35 anos, são
responsáveis por 80% do consumo de videogames no país.
Quando se fala em internet, eles também detêm o monopólio
do setor. Segundo uma pesquisa feita pelo site Cadê? e pelo
Ibope, 79% dos internautas brasileiros são solteiros, separados
ou divorciados e pertencem às classes A e B. "Quando vejo
como a vida do solteiro é retratada no cinema e nas novelas
e comparo com a minha e a de meus amigos, dá vontade de dar
risada. Aquele homem que sai do trabalho direto para brilhar na
quadra de squash e depois emenda um jantar com uma loiraça
maravilhosa só existe na ficção", diz o locutor
mineiro Eduardo Mello, 38 anos. Para diminuir o tempo de solidão,
ele fica até mais tarde no escritório. Enrola pelo
menos duas horas para não voltar para casa muito cedo. "Ser
solteiro até os 30 e poucos é ótimo. Depois
disso, a gente sente que ficou para titio mesmo", afirma Mello.
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