Claudio Rossi
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OPINIÃO . Milu Villela
Começamos
a década
do voluntariado
O
ano foi positivo como exemplo para o
futuro.
Esperamos
que todos venham a fazer sua parte
Chegamos
ao fim do Ano Internacional do Voluntário com uma importante
conquista a comemorar. O Brasil está demonstrando sua vocação
social. Em todos os cantos do país proliferam projetos que
têm como alicerce a doação de tempo e talento
de colaboradores anônimos. Profissionais liberais, executivos,
empresários, gente simples do povo, representantes de todos
os estratos sociais estão sensibilizados para o fato de que
temos de contribuir na luta pela cidadania. Um contingente de milhões
de brasileiros trabalhando pela coletividade.
Pesquisa
do Datafolha realizada em setembro em 127 municípios detectou
que 83% dos brasileiros já consideram o trabalho voluntário
muito importante para o país. É uma vitória
fantástica. Percebemos que podemos contribuir para a transformação
de nossa realidade usando como combustível o capital humano
e a solidariedade. Descobrimos mais. O trabalho voluntário
deixou de ser mera benemerência para se situar no campo das
ações efetivas de resgate social. Passou a ocupar
papel estratégico na luta contra as desigualdades que nos
afligem.
Alê Setti
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A tarefa que se apresenta, entretanto, é gigantesca. Os indicadores
sociais que nos rondam são, no mínimo, perturbadores.
Numa lista de 162 países, o Brasil detém a quarta
pior distribuição de renda do mundo, segundo informa
relatório recente da Organização das Nações
Unidas (ONU). Ocupamos, de acordo com o documento, a 69ª colocação
no ranking do índice de desenvolvimento humano (IDH). Esse
desequilíbrio estrutural joga no fosso da indigência
milhões de brasileiros. Estamos destruindo nosso tecido social
numa proporção inaceitável para um mundo que
já alcançou padrões extraordinários
de desenvolvimento tecnológico e geração de
riquezas.
Não
temos a pretensão de imaginar que os voluntários sozinhos
serão capazes de pôr fim a essas indigestas estatísticas.
O país deve passar por uma revisão de seu modelo de
distribuição de renda e investir pesadamente em educação
e saúde se quiser alcançar a tão sonhada justiça
social. Não há dúvidas quanto a isso.
Mas
essa constatação não nos deve levar ao imobilismo.
O voluntariado é o território da ação
e está abrindo todos os dias oportunidades valiosas para
milhões de pessoas fadadas à exclusão. Não
podemos mais aguardar inertes que o Estado cumpra sua missão
de promover o bem-estar coletivo. A escassez de recursos públicos
e as distorções do sistema não recomendam tal
atitude. Temos de encarar os desafios postos na arena e fazer nossa
parte para transformar a realidade que nos cerca.
Após
a jornada do Ano Internacional do Voluntário, a sociedade
parece compartilhar essa percepção. E está
aderindo vigorosamente à causa. Se examinarmos os dados do
Centro de Voluntariado de São Paulo, o maior do país,
encontraremos um repertório de boas surpresas. O número
de ligações recebidas pela entidade simplesmente dobrou
em relação a 2000. O total de pessoas que participam
das palestras promovidas pelo centro também cresceu. Neste
ano foram 15 830, contabilizados apenas os dez primeiros meses do
ano. A causa voluntária está se espalhando como um
vírus do bem. E a legião de adeptos que se deixaram
contaminar pelo espírito da solidariedade está protagonizando
uma revolução. Estamos convencidos de que apenas lançamos
uma semente. Esperamos que este tenha sido o primeiro ano da década
do voluntariado no Brasil. Cabe a todos nós agora dar prosseguimento
à causa, conquistar colaboradores, qualificar lideranças,
estimular e fortalecer os projetos positivos que estão mudando
para melhor o rumo de milhares de vidas no país. É
uma tarefa para o conjunto da sociedade. Faça sua parte.
Milu Villela é presidente do Comitê Brasileiro
para o Ano Internacional do Voluntário
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