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A
onda é mundial
Dos
Estados Unidos à Turquia, cresce
a legião de voluntários no planeta
Filas
de até oito horas de espera para doar sangue, pessoas distribuindo
comida nas ruas, cidadãos dispostos a socorrer os feridos
e a ajudar os bombeiros. Nova York viu essas cenas recentemente.
A motivação, no caso, foi dada pelos atentados terroristas
e muitas vezes é fornecida por uma tragédia natural,
como terremotos e furacões. Mas essas são as situações
excepcionais. O que realmente cresce em todo o mundo é outro
tipo de manifestação de solidariedade, mais sólida,
que chega para se tornar uma rotina positiva na vida das pessoas
e cujo estopim é a desigualdade social. Essa variedade de
ação filantrópica se vê nas guerras,
nas secas, nos processos lentos de agonia que atingem populações
inteiras. Segundo a Organização das Nações
Unidas, somente neste ano foram enviados 900 voluntários
de diversas nacionalidades ao Timor Leste, cinco dos quais eram
brasileiros. Um número similar atuou em Kosovo, na Iugoslávia,
e em Serra Leoa, na África. A quantidade parece pequena,
mas esses são especialistas que integram um cadastro de 8
000 pessoas que a ONU pode deslocar para qualquer lugar para multiplicar
sua capacidade de ação. "Para atuar em áreas
de conflito por intermédio da ONU é preciso ter muita
experiência", diz a coordenadora executiva do programa de
voluntariado da organização, Sharon Capeling-Alakija.
Quando
se trata de mão-de-obra intensiva, os números são
outros. A Cruz Vermelha Internacional tem 100 milhões de
colaboradores, um quinto deles disponível para ações
voluntárias. Há poucas estimativas sobre o número
de voluntários envolvidos com milhares de causas ao redor
do planeta, mas sobram evidências de que o fenômeno
é crescente. Metade das instituições filantrópicas
da Itália foi criada nos últimos quinze anos. Na Hungria,
país com 10 milhões de habitantes, mais de 20 000
organizações de voluntários se formaram em
apenas quatro anos. A França multiplicou por cinco o total
de entidades ligadas ao voluntariado no decorrer de três décadas.
A Índia já atingiu a marca de 1 milhão de organizações
sem fins lucrativos, a maioria de cunho filantrópico. Para
o professor de ciências sociais Lester Salamon, da Universidade
Johns Hopkins, o crescimento da filantropia é o grande marco
do século XX. Juntas, as instituições privadas
sem fins lucrativos do planeta movimentam por ano cerca de 1,1 trilhão
de dólares quase o dobro do produto interno bruto
do Brasil.
Embora
as maiores carências estejam nos países pobres, é
no Primeiro Mundo que acontece a maior parte dessas iniciativas.
Nos Estados Unidos, 49% da população realiza algum
trabalho voluntário. Na Alemanha, 34%. Na França,
23%. Isso mostra que a inclinação para a solidariedade
é uma das características que levam uma nação
a evoluir social e economicamente. O Brasil está nesse caminho.
Este ano que se está encerrando foi o Ano Internacional do
Voluntário por definição da ONU. Isso foi positivo
para chamar a atenção sobre a necessidade da ação
solidária, mas bem antes já se viam experiências
que atestam o poder planetário das boas ações.
A Live Aid, organizada pelo cantor irlandês Bob Geldof para
ajudar os miseráveis na Etiópia, em 1985, arrecadou
100 milhões de dólares. O mundo vai ficando melhor
a cada um desses passos.
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