Índice
Carta ao leitor
Apresentação
  O Brasil já conta com cerca de 20 milhões de voluntários  
  O que leva as pessoas a sair de casa e ajudar o próximo  
  Algumas entidades filantrópicas são maiores que grandes empresas  
  Stephen Kanitz - O importante é começar  
  Iniciativa privada investe na comunidade  
  Mais da metade das companhias já desenvolvem projetos sociais  
  Oded Grajew - O futuro está em nossas mãos  
  A transformação da filantropia ao longo dos séculos  
  Alguns doam uma hora por semana. Outros dedicam a vida inteira  
  Zilda Arns - Os príncipes e os mendigos  
  Com a doação via internet, até os mais preguiçosos podem fazer o bem  
  Comunidade Solidária muda a atuação do governo na área social  
 

Guia rápido da cidadania
. Informe-se sobre a quem ajudar
. Não dê dinheiro apenas. Participe
. Fique de olho nos picaretas

 
  Você possui credenciais para iniciar um projeto social próprio?  
  Atividades artíticas transformam a vida de crianças carentes  
  Principais campanhas filantrópicas nacionais  
  Escolha a quem ajudar na lista de 431 instituições filantrópicas selecionadas por VEJA  
  Milu Villela - Começamos a década do voluntariado  
  Como as pessoas ajudam e como outras são ajudadas  
EXCLUSIVO ON-LINE
  O vale-tudo das entidades para arrumar dinheiro junto à sociedade  
  O terceiro setor tornou-se um mercado de trabalho atraente  
  Dos Estados Unidos à Turquia, cresce a legião de voluntários no planeta  
  Conheça alguns famosos que emprestam sua imagem para impulsionar campanhas filantrópicas, dão contribuições em dinheiro e fundam organizações não-governamentais  
 

 

 
 

A onda é mundial

Dos Estados Unidos à Turquia, cresce
a legião de voluntários no planeta

Filas de até oito horas de espera para doar sangue, pessoas distribuindo comida nas ruas, cidadãos dispostos a socorrer os feridos e a ajudar os bombeiros. Nova York viu essas cenas recentemente. A motivação, no caso, foi dada pelos atentados terroristas e muitas vezes é fornecida por uma tragédia natural, como terremotos e furacões. Mas essas são as situações excepcionais. O que realmente cresce em todo o mundo é outro tipo de manifestação de solidariedade, mais sólida, que chega para se tornar uma rotina positiva na vida das pessoas e cujo estopim é a desigualdade social. Essa variedade de ação filantrópica se vê nas guerras, nas secas, nos processos lentos de agonia que atingem populações inteiras. Segundo a Organização das Nações Unidas, somente neste ano foram enviados 900 voluntários de diversas nacionalidades ao Timor Leste, cinco dos quais eram brasileiros. Um número similar atuou em Kosovo, na Iugoslávia, e em Serra Leoa, na África. A quantidade parece pequena, mas esses são especialistas que integram um cadastro de 8 000 pessoas que a ONU pode deslocar para qualquer lugar para multiplicar sua capacidade de ação. "Para atuar em áreas de conflito por intermédio da ONU é preciso ter muita experiência", diz a coordenadora executiva do programa de voluntariado da organização, Sharon Capeling-Alakija.

Quando se trata de mão-de-obra intensiva, os números são outros. A Cruz Vermelha Internacional tem 100 milhões de colaboradores, um quinto deles disponível para ações voluntárias. Há poucas estimativas sobre o número de voluntários envolvidos com milhares de causas ao redor do planeta, mas sobram evidências de que o fenômeno é crescente. Metade das instituições filantrópicas da Itália foi criada nos últimos quinze anos. Na Hungria, país com 10 milhões de habitantes, mais de 20 000 organizações de voluntários se formaram em apenas quatro anos. A França multiplicou por cinco o total de entidades ligadas ao voluntariado no decorrer de três décadas. A Índia já atingiu a marca de 1 milhão de organizações sem fins lucrativos, a maioria de cunho filantrópico. Para o professor de ciências sociais Lester Salamon, da Universidade Johns Hopkins, o crescimento da filantropia é o grande marco do século XX. Juntas, as instituições privadas sem fins lucrativos do planeta movimentam por ano cerca de 1,1 trilhão de dólares – quase o dobro do produto interno bruto do Brasil.

Embora as maiores carências estejam nos países pobres, é no Primeiro Mundo que acontece a maior parte dessas iniciativas. Nos Estados Unidos, 49% da população realiza algum trabalho voluntário. Na Alemanha, 34%. Na França, 23%. Isso mostra que a inclinação para a solidariedade é uma das características que levam uma nação a evoluir social e economicamente. O Brasil está nesse caminho. Este ano que se está encerrando foi o Ano Internacional do Voluntário por definição da ONU. Isso foi positivo para chamar a atenção sobre a necessidade da ação solidária, mas bem antes já se viam experiências que atestam o poder planetário das boas ações. A Live Aid, organizada pelo cantor irlandês Bob Geldof para ajudar os miseráveis na Etiópia, em 1985, arrecadou 100 milhões de dólares. O mundo vai ficando melhor a cada um desses passos.

 
topo