Índice
Carta ao leitor
Apresentação
  O Brasil já conta com cerca de 20 milhões de voluntários  
  O que leva as pessoas a sair de casa e ajudar o próximo  
  Algumas entidades filantrópicas são maiores que grandes empresas  
  Stephen Kanitz - O importante é começar  
  Iniciativa privada investe na comunidade  
  Mais da metade das companhias já desenvolvem projetos sociais  
  Oded Grajew - O futuro está em nossas mãos  
  A transformação da filantropia ao longo dos séculos  
  Alguns doam uma hora por semana. Outros dedicam a vida inteira  
  Zilda Arns - Os príncipes e os mendigos  
  Com a doação via internet, até os mais preguiçosos podem fazer o bem  
  Comunidade Solidária muda a atuação do governo na área social  
 

Guia rápido da cidadania
. Informe-se sobre a quem ajudar
. Não dê dinheiro apenas. Participe
. Fique de olho nos picaretas

 
  Você possui credenciais para iniciar um projeto social próprio?  
  Atividades artíticas transformam a vida de crianças carentes  
  Principais campanhas filantrópicas nacionais  
  Escolha a quem ajudar na lista de 431 instituições filantrópicas selecionadas por VEJA  
  Milu Villela - Começamos a década do voluntariado  
  Como as pessoas ajudam e como outras são ajudadas  
EXCLUSIVO ON-LINE
  O vale-tudo das entidades para arrumar dinheiro junto à sociedade  
  O terceiro setor tornou-se um mercado de trabalho atraente  
  Dos Estados Unidos à Turquia, cresce a legião de voluntários no planeta  
  Conheça alguns famosos que emprestam sua imagem para impulsionar campanhas filantrópicas, dão contribuições em dinheiro e fundam organizações não-governamentais  
 

 

 
 

Guia rápido da cidadania.3

Fique de olho nos picaretas

Eles são minoria, mas podem levar o seu dinheiro
e
abalar a credibilidade de quem trabalha seriamente

Negreiros

Apenas 2% das entidades beneficentes do país são inidôneas, segundo avaliação do consultor Stephen Kanitz, um dos maiores especialistas brasileiros em assuntos do terceiro setor. Mas, desde que explodiu o caso de desvio de recursos na Legião da Boa Vontade, uma das maiores do país, aumentou a preocupação de quem doa com a possibilidade de ser enganado. Basta essa pequena parcela de picaretas, porém, para fazer um enorme estrago na imagem da imensa maioria de associações honestas. O supervisor de obras Joaquim Rodrigues Neto, 36 anos, de São Paulo, caiu numa dessas arapucas. Ele nunca se recusou a ajudar quando procurado por alguma entidade. Recentemente, comprou a rifa de um veículo para auxiliar um asilo chamado Casa do Ancião. Dias depois, leu no jornal que a Procuradoria do Idoso do Estado vistoriou a instituição e achou sessenta velhinhos em péssimas condições, num local com higiene inversamente proporcional à riqueza dos proprietários. "Foi uma decepção", recorda Rodrigues. Cerca de 170 operadoras de telemarketing arrecadavam mais de 120 000 reais por mês para a Casa do Ancião, cujos dirigentes respondem agora por estelionato e formação de quadrilha. "Proporcionalmente, as entidades filantrópicas são mais bem administradas e corretas do que as empresas comerciais comuns", diz Kanitz. "Mas mesmo assim é bom usar critérios que minimizem o risco de acabar doando para a entidade errada."

Um dos maiores problemas das organizações que desenvolvem trabalhos sociais é a indignação provocada pelos casos de falsidade em nome de crianças, idosos, doentes ou deficientes. Os doadores sentem-se duplamente enganados. Não só pelo dinheiro que perderam mas também porque imaginavam estar oferecendo apoio a causas realmente nobres. Foi em março passado que um relatório do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apontou irregularidades administrativas na Legião da Boa Vontade. Entre outros problemas, havia pagamento de salários indevidos e mordomias – como a manutenção de imóveis luxuosos –S ao presidente da LBV, José de Paiva Netto, e a outros dirigentes. A entidade foi excluída do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) e perdeu o certificado de instituição filantrópica. Só no INSS a LBV recebia isenção da ordem de 13 milhões de reais por ano. Para tentar evitar que as entidades que se desviam da filantropia continuem atrapalhando as instituições sérias, o CNAS ampliou a fiscalização. "Estamos procurando fazer uma depuração no cadastro de entidades filantrópicas", afirma o presidente do conselho, Antônio Brito.

Atualmente existem cerca de 7 000 instituições com o registro do conselho, em um total de 14 000 cadastradas. Essa inscrição isenta a entidade do recolhimento do INSS. O valor que o governo deixou de arrecadar é de 1,8 bilhão de reais em 2001 e deve chegar a 2,2 bilhões em 2002. Para evitar que a desonestidade de algumas contamine o trabalho de todas, as instituições que desenvolvem trabalhos sérios preferem que os interessados em contribuir se informem muito bem a respeito de quem vai receber o dinheiro. "Quando a instituição é realmente séria, ela faz questão de que o doador a visite", afirma Gino Pereira dos Reis, presidente da Federação de Obras Sociais. "Se houver alguma restrição, o doador tem todo o direito de desconfiar." Há entidades que acabam vítimas, elas próprias, de terceiros desonestos. É o caso daquelas que, por falta de estrutura interna, contratam empresas de captação de recursos que recebem comissão sobre os valores arrecadados. Algumas empresas de telemarketing podem ficar com até 7 de cada 10 reais recolhidos, sem que o doador saiba disso.

Preocupados em moralizar o setor, especialistas em angariar recursos para as causas sociais criaram, há um ano, a Associação Brasileira de Captadores de Recursos, organização que orienta o trabalho das instituições e fiscaliza a área de captação de todas elas. "Esse trabalho não pode virar corretagem em cima da filantropia", comenta Custódio Pereira, presidente da associação. É exatamente assim, por meio da organização de arrecadadores, doadores e voluntários, que a pilantropia pode ser eliminada do mapa.

 

 
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