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Guia
rápido da cidadania.1
Informe-se
sobre a quem ajudar
Sugestões
dos especialistas para
fazer sua ajuda "render" mais
Negreiros
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Para quem vai ingressar agora no mundo da filantropia, há
diversos conselhos úteis. Destacam-se três.
Primeiro
conselho:
comece devagar. Numa primeira fase, doe pouco dinheiro a várias
entidades. Esse conselho, passado pelo consultor Stephen Kanitz,
o maior especialista brasileiro no assunto, é o mesmo que
se dá ao investidor em bolsa de valores. Corre-se menos risco
de errar quando se aplica em várias ações ao
mesmo tempo. À medida que algumas vão conquistando
sua confiança, o valor pode ser aumentado e o número
de entidades tem a possibilidade de ser reduzido.
Segundo
conselho:
torne-se padrinho de uma criança carente. Essa é uma
forma de dar dinheiro com a certeza de que os recursos serão
bem empregados. Custear o estudo, a alimentação e
o lazer de uma criança pode ser muito gratificante, principalmente
quando o programa de apadrinhamento permite que se visite, envie
presente ou troque correspondência com ela. A maioria das
instituições pede de 30 a 180 reais por mês
aos padrinhos. Além do vínculo financeiro, cria-se
um elo afetivo de ambos os lados. Poucos sistemas são tão
eficientes quanto esse na hora de conferir os progressos obtidos
com a doação. Em caso de apadrinhamento, vale lembrar
que a distância entre sua casa e a entidade conta pontos.
Quanto mais próxima for a entidade, mais fácil será
fazer esse acompanhamento.
Terceiro
conselho:
sempre é possível ser criativo nas doações.
Mas é preferível informar-se do que as instituições
filantrópicas realmente precisam. Doe aquele objeto que está
apenas ocupando espaço em casa. Móveis costumam ser
bem-vindos pela maioria das instituições, que podem
promover bazares beneficentes. Há também a possibilidade
de juntar a parte reciclável do lixo e reservá-la
para doações. Algumas entidades arrecadam papel, jornais
velhos, latas de alumínio e cartuchos de impressoras usados
para fabricar produtos reciclados.
Na
maior parte das vezes, a doação é um ato determinado
pela emoção. Mas quando o doador age de forma racional,
com análise e planejamento, os resultados podem ser mais
eficazes e duradouros. Isso é melhor tanto para quem doa
quanto para quem é beneficiado. Existem no país 14
000 entidades legalmente registradas, responsáveis por trabalhos
idôneos e importantes. Algumas aplicam os recursos de que
dispõem de maneira mais eficiente que outras. As formas de
atuação variam, embora os fins sejam sempre nobres
e comoventes. O Instituto para o Desenvolvimento do Investimento
Social (Idis), de São Paulo, presta serviços de consultoria
a pessoas físicas e empresas interessadas em fazer investimentos
na área social. O coordenador do instituto, Marcos Kisil,
afirma que um dos critérios que podem auxiliar o doador na
escolha é o poder transformador dos projetos.
Existem
propostas criativas, com grande potencial de multiplicação,
que se mostram capazes de provocar mudanças significativas
em toda a comunidade. Por exemplo: é mais interessante dar
dinheiro a uma entidade que tem um projeto de acompanhar menores
carentes até o fim do curso universitário do que entregar
trocados ao menino que bate no vidro do carro. O paradoxo é
que o que dói mesmo é o olhar faminto do garoto. Crianças
bem tratadas em boas instituições só irão
comover quem se dispuser a ir até lá, para se envolver
com aquele trabalho. A maioria das instituições não
busca apenas dinheiro, e sim verdadeiros parceiros. Doadores eventuais
ajudam, mas a incerteza causa instabilidade nas contas. É
claro que nem todos os que procuram uma entidade para contribuir
precisam se envolver de forma direta com um trabalho social.
Quem
se anima com a idéia de promover o bem comum também
deve observar seus direitos. O alerta é da Associação
Brasileira de Captadores de Recursos, uma instituição
sem fins lucrativos criada para promover, desenvolver e regulamentar
a atividade de captação de recursos, vista hoje como
um dos grandes desafios entre as instituições que
trabalham com donativos. A entidade lembra que o doador pode exigir
que seu gesto permaneça em sigilo e que seu nome não
seja compartilhado em cadastros de outras instituições.

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