Índice
Carta ao leitor
Apresentação
  O Brasil já conta com cerca de 20 milhões de voluntários  
  O que leva as pessoas a sair de casa e ajudar o próximo  
  Algumas entidades filantrópicas são maiores que grandes empresas  
  Stephen Kanitz - O importante é começar  
  Iniciativa privada investe na comunidade  
  Mais da metade das companhias já desenvolvem projetos sociais  
  Oded Grajew - O futuro está em nossas mãos  
  A transformação da filantropia ao longo dos séculos  
  Alguns doam uma hora por semana. Outros dedicam a vida inteira  
  Zilda Arns - Os príncipes e os mendigos  
  Com a doação via internet, até os mais preguiçosos podem fazer o bem  
  Comunidade Solidária muda a atuação do governo na área social  
 

Guia rápido da cidadania
. Informe-se sobre a quem ajudar
. Não dê dinheiro apenas. Participe
. Fique de olho nos picaretas

 
  Você possui credenciais para iniciar um projeto social próprio?  
  Atividades artíticas transformam a vida de crianças carentes  
  Principais campanhas filantrópicas nacionais  
  Escolha a quem ajudar na lista de 431 instituições filantrópicas selecionadas por VEJA  
  Milu Villela - Começamos a década do voluntariado  
  Como as pessoas ajudam e como outras são ajudadas  
EXCLUSIVO ON-LINE
  O vale-tudo das entidades para arrumar dinheiro junto à sociedade  
  O terceiro setor tornou-se um mercado de trabalho atraente  
  Dos Estados Unidos à Turquia, cresce a legião de voluntários no planeta  
  Conheça alguns famosos que emprestam sua imagem para impulsionar campanhas filantrópicas, dão contribuições em dinheiro e fundam organizações não-governamentais  
 

 

 
 

As parcerias dão resultado

O programa Comunidade Solidária muda a atuação
do governo em
setor marcado pelo clientelismo


Ademir Zé
A cesta básica na casa de quem precisa: antigamente, os produtos não chegavam


Menos de dez anos atrás, o país assistia ao escândalo da Legião Brasileira de Assistência (LBA), uma entidade oficial. Uma das pessoas envolvidas era a primeira-dama Rosane Collor de Mello, que presidia a instituição. O dinheiro que beneficiaria a população miserável estava engordando contas bancárias de pessoas que deveriam zelar para que os recursos chegassem aos necessitados. Isso contribuiu para a perda de mandato de Fernando Collor de Mello. Mas haveria mais. Outro escândalo daqueles tempos envolvia um integrante do Conselho Nacional de Serviço Social (CNSS). O diretor da comissão de orçamento do Congresso Nacional, José Carlos Alves dos Santos, que loteava os recursos, foi preso. A LBA e o CNSS foram extintos. Diante do descalabro, era preciso mudar. Como primeiro passo, seria necessário desmontar estruturas viciadas, como o Ministério da Ação Social, que foi extinto. Num ambiente marcado pela corrupção, o governo Fernando Henrique não apenas fez uma limpeza como também uma marca: o programa Comunidade Solidária, criado para articular os trabalhos sociais em vários ministérios. Com esse projeto presidido pela primeira-dama Ruth Cardoso, o governo saiu em busca de apoio da sociedade para ampliar sua atuação social.


Ricardo Stuckert
A primeira-dama Ruth Cardoso: nova forma de atuação oficial na área social


Parcerias com empresas e instituições da sociedade civil permitiram ao Estado complementar o orçamento social com recursos privados. Isso garantiu a aplicação das verbas de forma mais eficaz. O governo reconheceu que a sociedade é uma parceira indispensável. O Alfabetização Solidária, um dos programas da Comunidade Solidária, também funciona à base de parcerias. A concepção é diferente da do antigo Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral), que tinha 4 500 funcionários quando foi extinto. O Alfabetização Solidária atua sem nenhuma estrutura burocrática, com o apoio de prefeituras, empresas, associações de moradores e quem mais queira participar. O custo é de apenas 34 reais mensais por aluno. As salas de aula funcionam em espaços em sindicatos, associações ou empresas. A mobilização cada vez maior de pessoas dispostas a trabalhar voluntariamente para reduzir os problemas sociais do Brasil foi estimulada com a regulamentação, em fevereiro de 1998, da Lei do Voluntariado. Antes disso, Ruth Cardoso já participava de seminários pelo país discutindo a criação de centros de voluntariado. A atuação de primeiras-damas na área social não é novidade. Mas o que se viu nos últimos anos demonstra que há maneiras e maneiras para essa atuação acontecer. O fato de a primeira-dama ser uma intelectual com vôo próprio e história bastante crítica em relação aos modelos anteriores certamente fez da Comunidade Solidária uma experiência que deixará boas lições para os próximos governos. Os resultados de alguns programas mostram que muita coisa está dando certo. A mortalidade infantil, um dos índices mais importantes para medir a situação econômica de uma nação, baixou significativamente: de cada 1 000 nascidos vivos em 1990, morriam 49,4. Hoje morrem 32,4. Parece pouco, mas isso significa que em 2001 foram salvos 320 000 recém-nascidos. O número de agentes comunitários de saúde saltou de 30 000, em 1994, para 154 000. Falta muito para ser feito, mas já dá para perceber que o rumo é correto.

 
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