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É
só dar um clique
no mouse
Com
a doação on-line,
até os mais
preguiçosos podem fazer o bem
Numa
demonstração de agilidade admirável, o mundo
da filantropia adaptou-se rapidamente ao mundo virtual. Várias
entidades criaram sites para arrecadar fundos do internauta
um tipo que mistura alta taxa de curiosidade (vive zapeando de site
em site) a boa dose de preguiça (para que sair de casa se
posso ter tudo na internet?). Quando comparado à doação
tradicional, o movimento gerado pelas contribuições
on-line, por enquanto, é mínimo, mas bastante promissor.
Todo mês, cerca de 160 000 pessoas entram na página
do principal site brasileiro de doação eletrônica
para colaborar com uma boa causa. É o www.clickfome.com.br.
Cada visita vale 5 centavos. O dinheiro acumulado é destinado
a programas sociais. Até recentemente, os recursos pagavam
um salário mínimo a 25 famílias durante um
ano. Atualmente, o dinheiro arrecadado mensalmente financia bolsas
de estudo para trinta alunos no supletivo do 2º grau. É
pouco, mas um bom começo. A empregada doméstica Lucinéia
Rodrigues, 33 anos, de São Paulo, foi uma das beneficiadas.
Ela e o ex-marido, com cinco filhos para sustentar, estavam desempregados.
"O dinheiro me ajudou a cobrir as despesas, comprar um chuveiro
e pagar transporte para procurar emprego", diz. É pouco.
Não fosse o Click Fome, ela não teria conseguido nada.
Uma
diferença muito importante entre a filantropia por caminhos
convencionais e os sites que fazem doações é
que, na internet, quem decide sobre a contribuição
na maior parte dos casos não tira um centavo do bolso. Quem
paga a conta são os patrocinadores. As empresas têm
o nome associado às páginas de filantropia virtual,
a população doa sem gastar nada e os desfavorecidos
recebem o dinheiro.
Cada site funciona de uma maneira. No caso do Click Fome, algumas
empresas contribuem mensalmente com 5 000 reais durante um ano.
Outras pagam conforme o número de visitas. O mínimo
são 10 000 cliques, que correspondem a 500 reais. O dinheiro
vai para a Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria
e pela Vida. O número de acessos é computado pela
Embratel, que hospeda o site. O contador do número de visitas
exposto na página só considera válido um clique
por dia de cada internauta. Para Marcello Carvalho, gerente-geral
de marketing da Rio Sul, uma das patrocinadoras do site, a iniciativa
é boa para quem recebe os recursos e muito útil para
a imagem da companhia. Pelo menos 10% das pessoas que entram no
Click Fome seguem para o site da empresa. "Recebemos muitos e-mails
elogiando a iniciativa", diz Carvalho.
No endereço www.filantropia.org.br,
o dinheiro é liberado segundo o número de acessos.
Cada clique vale 3 centavos. "A coordenação do site
espera atingir um valor mínimo de 100 reais para liberar
um cheque para a instituição", afirma Marcelo Alonso,
diretor de relacões corporativas do Credicard, patrocinador
do site. O primeiro site do gênero surgiu há três
anos nos Estados Unidos, por iniciativa do economista John Breen.
Ele decidiu criar uma página que arrecadasse dinheiro para
minorar um dos principais problemas dos países subdesenvolvidos:
a fome. Assim foi lançado o www.hungersite.com
(o site da fome), inicialmente com o patrocínio da empresa
de seu pai e posteriormente com o aval da Organização
das Nações Unidas (ONU). Em um ano e meio, o site
distribuiu 12 milhões de quilos de alimentos.
A publicitária brasileira Virginia Adams percebeu que a idéia
poderia dar certo aqui. "Fiquei emocionada ao navegar no Hunger
Site. Quando li que o Brasil era o segundo país em número
de acessos, tive certeza de que a doação on-line iria
funcionar aqui." Assim, em 4 de novembro de 1999, surgiu o www.clickfome.com.br.
A iniciativa fez pipocar outras páginas do gênero.
A maior delas em volume de doações, www.uol.com.br/umminuto,
arrecada 34 milhões de reais por ano, graças ao apoio
de dezoito grandes parceiros, como Itaú, Microsoft, Xerox,
AmBev e Correios. Nesse site, os cliques são simbólicos.
O dinheiro vai para o programa de capacitação do projeto
Comunidade Solidária, independentemente do total de internautas
que confirmam a doação.
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