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Cada um ajuda
como pode
Não
importa se você tem só 1 real ou uma hora do
seu
dia por semana para doar. Faça alguma coisa
Roberto Valverde

A
apresentadora Xuxa: 700 000 reais por ano para garantir a escola
de mais de 200 crianças |
A
irmã Paolina Doninelli trabalhou num leprosário na
Grande São Paulo durante 41 anos. Enfermeira voluntária
na II Guerra, na Itália, ela desde então dedica sua
vida a ajudar o próximo. A irmã tratou de centenas
de doentes, viu crescer os filhos de muitos deles e educou boa parte
dessas crianças no orfanato que fundou para recebê-las.
Hoje há 420 meninos e meninas na Associação
Santa Terezinha. A freira também ajuda a dirigir outras instituições
das quais é consultora, como um pensionato para oitenta idosos,
o Núcleo Cultural Infantil Stella Maris, onde estudam 130
crianças faveladas, e o Parque Infantil Santa Terezinha,
que atende 230 filhos de portadores de doenças graves. Paolina
Doninelli faz o bem diariamente, o dia todo.
Há 22 anos, o nascimento de Mariana mudou a vida do empresário
paulista Rogério Amato e de sua mulher, a educadora Glória
Maria. Mariana nasceu com síndrome de Down, uma alteração
cromossômica que acarreta deficiência física
e mental. Não raramente, por falta de informação,
as famílias costumam transformar os doentes em prisioneiros
dentro de casa. Muitos pais não sabem como lidar com a situação.
No caso da família Amato, as coisas correram de outro modo.
É que a descoberta da síndrome levou Rogério
e Glória Maria a entrar no universo da filantropia num grau
de envolvimento que lembra o da freira italiana. Rogério
chegou a presidir a Associação de Pais e Amigos dos
Excepcionais (Apae), uma das maiores entidades filantrópicas
do país, hoje com quase 2 000 unidades em 26 Estados. Recentemente,
o empresário liderou o movimento de criação
da Rede Brasileira de Entidades Assistenciais Filantrópicas
(Rebraf), cuja missão é lutar por uma sociedade que
dê oportunidades amplas a portadores de deficiências,
doentes e carentes.
Leo Feltran

Irmã
Paolina: 41 anos de trabalho num leprosário e 420 crianças num
orfanato para cuidar |
Quando apresentada a histórias como a da irmã ou a
do empresário, muita gente pode ficar com a impressão
de que o mundo da filantropia requer dedicação total.
Será que só deve envolver-se em projetos sociais quem
mergulha neles de corpo e alma com essa dose admirável de
empenho? Não é nada disso. Se a filantropia fosse
depender unicamente da ação daqueles que se dedicam
como esses dois exemplos, o Brasil jamais reuniria 20 milhões
de voluntários. Cada um faz o que pode, e isso já
é suficiente para amarrar os nós da imensa rede que
ampara e protege milhões de pessoas.
Nada de stress. O grau de envolvimento dos voluntários deve
respeitar a disponibilidade e a vontade de cada um. Ninguém
deve ficar ansioso por não conseguir (ou mesmo não
desejar) entregar à tarefa mais de duas ou três horas
por semana. A apresentadora Xuxa Meneghel não permanece muito
tempo ao lado dos mais carentes, já que sua agenda profissional
não permite. Aos mais pobres ela entrega algo tão
valioso quanto seu tempo: a própria imagem. Além de
promover diversas campanhas filantrópicas, Xuxa colabora
com 700 000 reais por ano para garantir a escola de mais de 200
crianças em uma fundação que leva seu nome.
A Fundação Xuxa Meneghel também garante atendimento
dentário e psicológico às crianças.
Acontece algo parecido com o escritor Paulo Coelho, que mantém
um instituto com seu nome e destina 36 000 reais mensais a atividades
filantrópicas. Sem muito tempo livre, ele só comparece
uma vez por mês ao Morro Pavão-Pavãozinho, em
Copacabana, para visitar uma escola que ajuda a sustentar.
Antonio Milena

O
empresário Rogério Amato e família: o nascimento de Mariana
mudou sua vida |
Em geral, o que define a taxa de envolvimento é o objetivo
definido pelo voluntário. A maior parte das pessoas, dizem
os estudos a respeito, quer ajudar "alguém" de "alguma forma".
Ou seja, não tem clareza quanto à missão que
gostaria de desempenhar. Não é o caso da irmã
Paolina, que tenta superar seus limites a todo instante. Não
satisfeita com a centena de crianças que depende dela, a
irmã já recolheu meninos e meninas de rua que encontrou
dormindo sob viadutos da cidade. "São todos meus filhos",
diz. Para garantir a educação da meninada, cedeu parte
de um terreno que lhe pertencia para que o Estado construísse
uma escola. As verbas do governo federal repassadas pela prefeitura
não cobrem 20% de suas despesas. A diferença é
obtida com colaboradores que conhecem a associação
e com eventos beneficentes organizados por voluntários, além
do apoio de algumas empresas.
Ocorre o mesmo com a família Amato, que teve determinação
para dar a Mariana uma vida normal. E o que aconteceu? Mariana já
foi atendente numa lanchonete e agora cuida dos arquivos e da correspondência
de um estúdio de arquitetura. Tem um namorado, também
portador da síndrome de Down, funcionário de um escritório,
e vai muito bem em suas aulas de pintura. Fez isso tudo graças
à Apae e, principalmente, a gente como seu pai, Rogério,
capaz de enfrentar preconceitos, em vez de ampliá-los.
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