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Pioneiros do
bem
Conheça
as entidades que
trabalham com
filantropia não há anos, mas há séculos

Fachada
gótica da Santa Casa de Misericórdia de São
Paulo, erguida em 1876
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A
primeira entidade no país criada com o objetivo de
atender desamparados foi a Irmandade da Misericórdia, que
se instalou na Capitania de São Vicente em 1543. Mais tarde,
em 1560, a entidade inaugurou em São Paulo uma pequena enfermaria
e albergue. A instituição espalhou pelo território
nacional as santas casas e criou um modelo do qual há outros
herdeiros vivos e fortes. Com esmolas se constituíam pequenos
dotes para órfãos e se compravam caixões para
os pobres. Com as mesmas características, mas sem evoluir
para assistência de saúde, vieram depois o Mosteiro
de São Bento, a Ordem dos Frades Menores Franciscanos e outras.
Essas organizações forneciam refeição
a pobres, órfãos, enfermos, alienados e delinqüentes,
prestando-lhes, além de ajuda material, apoio espiritual
e abrigo. A pesquisadora Maria Luiza Mestriner fez um levantamento
sobre as origens da filantropia no Brasil. O resultado de sua dissertação
foi o livro O Estado entre a Filantropia e a Assistência
Social, publicado neste ano pela editora Cortez. Segundo a autora,
beneditinos, franciscanos e carmelitas, assim como a Santa Casa,
foram exemplos expressivos da ação social das ordens
religiosas, predominantes no atendimento do gênero na época.
A
caridade nos séculos passados difere do modelo atual em diversos
aspectos. Um dos mais notáveis diz respeito à preocupação
catequizadora dos voluntários. Benefícios concedidos
pelo Estado às entidades beneméritas costumavam ser
uma ação direta do monarca ou do presidente. Só
no Estado Novo, com o presidente Getúlio Vargas, a relação
do governo com a assistência social foi formalizada com a
criação, em 1938, do Conselho Nacional do Serviço
Social. Foi o primeiro espaço institucional dentro do governo
na esfera do amparo social. Há mais de um século a
assistência é vista como uma forma de ajuda aos que
precisam. Atualmente já existe um enfoque mais refinado e
politicamente mais correto. Entende-se a filantropia como a defesa
dos direitos dos assistidos. Trata-se de assegurar o acesso de todos
os brasileiros à educação, alimentação
e saúde.
Na
segunda metade do século XIX, as ações filantrópicas
aliaram-se à medicina social para prevenir doenças
contagiosas. Um impulso significativo surgiu com a onda de imigração,
que ampliou o assistencialismo. Com os imigrantes vieram as sociedades
de socorros mútuos, com fins médicos, beneficentes
ou de amparo social. Multiplicaram-se também as instituições
mantidas por outras correntes religiosas, como batistas, espíritas
e evangélicas. Essas organizações, junto com
as sociedades de moradores, ainda hoje têm ação
importante na área de assistência, amparo e organização
social. Com o passar dos anos, muitas modernizaram a forma de atuação.
Abandonaram as antigas práticas assistencialistas para desenvolver
ações voltadas para programas educacionais, formação
de mão-de-obra, desenvolvimento comunitário e geração
de renda. O objetivo ainda é o mesmo. Mas a filantropia tornou-se
mais dinâmica e eficiente.
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