Índice
Carta ao leitor
Apresentação
  O Brasil já conta com cerca de 20 milhões de voluntários  
  O que leva as pessoas a sair de casa e ajudar o próximo  
  Algumas entidades filantrópicas são maiores que grandes empresas  
  Stephen Kanitz - O importante é começar  
  Iniciativa privada investe na comunidade  
  Mais da metade das companhias já desenvolvem projetos sociais  
  Oded Grajew - O futuro está em nossas mãos  
  A transformação da filantropia ao longo dos séculos  
  Alguns doam uma hora por semana. Outros dedicam a vida inteira  
  Zilda Arns - Os príncipes e os mendigos  
  Com a doação via internet, até os mais preguiçosos podem fazer o bem  
  Comunidade Solidária muda a atuação do governo na área social  
 

Guia rápido da cidadania
. Informe-se sobre a quem ajudar
. Não dê dinheiro apenas. Participe
. Fique de olho nos picaretas

 
  Você possui credenciais para iniciar um projeto social próprio?  
  Atividades artíticas transformam a vida de crianças carentes  
  Principais campanhas filantrópicas nacionais  
  Escolha a quem ajudar na lista de 431 instituições filantrópicas selecionadas por VEJA  
  Milu Villela - Começamos a década do voluntariado  
  Como as pessoas ajudam e como outras são ajudadas  
EXCLUSIVO ON-LINE
  O vale-tudo das entidades para arrumar dinheiro junto à sociedade  
  O terceiro setor tornou-se um mercado de trabalho atraente  
  Dos Estados Unidos à Turquia, cresce a legião de voluntários no planeta  
  Conheça alguns famosos que emprestam sua imagem para impulsionar campanhas filantrópicas, dão contribuições em dinheiro e fundam organizações não-governamentais  
 

 

 
 

Pioneiros do bem

Conheça as entidades que trabalham com
filantropia não há anos, mas há séculos

 


Fachada gótica da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, erguida em 1876

A primeira entidade no país criada com o objetivo de atender desamparados foi a Irmandade da Misericórdia, que se instalou na Capitania de São Vicente em 1543. Mais tarde, em 1560, a entidade inaugurou em São Paulo uma pequena enfermaria e albergue. A instituição espalhou pelo território nacional as santas casas e criou um modelo do qual há outros herdeiros vivos e fortes. Com esmolas se constituíam pequenos dotes para órfãos e se compravam caixões para os pobres. Com as mesmas características, mas sem evoluir para assistência de saúde, vieram depois o Mosteiro de São Bento, a Ordem dos Frades Menores Franciscanos e outras. Essas organizações forneciam refeição a pobres, órfãos, enfermos, alienados e delinqüentes, prestando-lhes, além de ajuda material, apoio espiritual e abrigo. A pesquisadora Maria Luiza Mestriner fez um levantamento sobre as origens da filantropia no Brasil. O resultado de sua dissertação foi o livro O Estado entre a Filantropia e a Assistência Social, publicado neste ano pela editora Cortez. Segundo a autora, beneditinos, franciscanos e carmelitas, assim como a Santa Casa, foram exemplos expressivos da ação social das ordens religiosas, predominantes no atendimento do gênero na época.

A caridade nos séculos passados difere do modelo atual em diversos aspectos. Um dos mais notáveis diz respeito à preocupação catequizadora dos voluntários. Benefícios concedidos pelo Estado às entidades beneméritas costumavam ser uma ação direta do monarca ou do presidente. Só no Estado Novo, com o presidente Getúlio Vargas, a relação do governo com a assistência social foi formalizada com a criação, em 1938, do Conselho Nacional do Serviço Social. Foi o primeiro espaço institucional dentro do governo na esfera do amparo social. Há mais de um século a assistência é vista como uma forma de ajuda aos que precisam. Atualmente já existe um enfoque mais refinado e politicamente mais correto. Entende-se a filantropia como a defesa dos direitos dos assistidos. Trata-se de assegurar o acesso de todos os brasileiros à educação, alimentação e saúde.

Na segunda metade do século XIX, as ações filantrópicas aliaram-se à medicina social para prevenir doenças contagiosas. Um impulso significativo surgiu com a onda de imigração, que ampliou o assistencialismo. Com os imigrantes vieram as sociedades de socorros mútuos, com fins médicos, beneficentes ou de amparo social. Multiplicaram-se também as instituições mantidas por outras correntes religiosas, como batistas, espíritas e evangélicas. Essas organizações, junto com as sociedades de moradores, ainda hoje têm ação importante na área de assistência, amparo e organização social. Com o passar dos anos, muitas modernizaram a forma de atuação. Abandonaram as antigas práticas assistencialistas para desenvolver ações voltadas para programas educacionais, formação de mão-de-obra, desenvolvimento comunitário e geração de renda. O objetivo ainda é o mesmo. Mas a filantropia tornou-se mais dinâmica e eficiente.

 
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