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Raul Junior
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OPINIÃO . Oded Grajew
O futuro está
em nossas mãos
Enquanto
não formos socialmente responsáveis,
não vamos enriquecer
O
Brasil está entre as dez maiores economias do mundo. Empresas
modernas e sofisticadas operam em seu território. Mas o país
é um dos campeões mundiais da desigualdade social.
Os 10% mais ricos ficam com 50% da renda, enquanto os 10% mais pobres
detêm apenas 1%. Os índices de violência crescem
a taxas anuais superiores a 10%. A indústria da segurança
já representa 7% do PIB. De 1996 para cá, a produção
de carros blindados multiplicou-se por 10. A maior empresa do setor,
sozinha, deverá blindar neste ano quase tantos carros quanto
EUA e Europa juntos. No passado, o Brasil recebeu milhões
de imigrantes que buscavam uma vida melhor. Hoje, milhares de brasileiros
emigram à procura de melhores oportunidades de vida e trabalho.
Parece que há algo profundamente errado em nossa sociedade.
O que mais surpreende é o fato de essa situação
não ser fruto de uma catástrofe imprevista, mas de
muitos anos de inconsciência, conivência e inércia
da sociedade. Para mudar isso, é fundamental que surja uma
consciência que leve a novas posturas e ações.
O setor empresarial é poderoso. Possui imensos recursos financeiros,
tecnológicos e econômicos. O faturamento das dez maiores
empresas mundiais supera o PIB somado de Brasil, Argentina, México,
Venezuela, Colômbia e Chile. A mídia, a indústria
cultural e artística e a propaganda são controladas
em sua quase totalidade pelo setor privado. Formam valores culturais
e influenciam o comportamento da população. As empresas
exercem grande influência política. Financiam campanhas
eleitorais e têm acesso privilegiado aos governantes.
Alê Setti
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Henry
Ford, no início de suas atividades empresariais, dobrou o salário
de seus funcionários. Queria ter trabalhadores motivados e
competentes e consumidores com poder de compra. Foi expulso da associação
dos empresários de Detroit, acusado de ser comunista e inimigo
do capitalismo. No Brasil, muitos empresários estão
percebendo que não é mais compatível a convivência
entre empresas prósperas e uma sociedade deteriorada. A degradação
ambiental, a péssima distribuição de renda, a
baixa qualidade dos serviços públicos, a violência
e a corrupção representam uma real ameaça para
as atividades empresariais. Consumidores empobrecidos, trabalhadores
de baixa escolaridade, infra-estrutura social e ambiental precária
e governantes corruptos sufocam as atividades produtivas.
O
poder do setor empresarial implica responsabilidade. Apenas a responsabilidade
social é capaz de promover uma drástica transformação
no quadro humano e ambiental brasileiro. É necessária
uma mudança também nas prioridades da agenda da sociedade,
colocando em primeiro lugar os temas sociais. As empresas devem
atuar de forma socialmente responsável, tratando funcionários,
clientes, fornecedores, concorrentes, acionistas, governo e comunidade
com respeito e dignidade. O exemplo é fundamental. Em sua
comunicação, as empresas podem e devem ajudar na formação
de valores de responsabilidade social. Com seu poder político,
as empresas podem e devem influenciar para que as políticas
públicas sejam conduzidas de forma ética, priorizando
os valores humanos. São as políticas públicas,
pela escala e universalidade, que determinam o quadro social em
qualquer país do mundo.
Alguns
acreditam na imortalidade do homem, outros não. O fato é
que agimos durante a nossa existência, mas as conseqüências
de nossas ações duram muito mais que a nossa vida.
O que está em jogo e em nossas mãos é o destino
da humanidade, de nosso país e, certamente, a vida de nossos
filhos.
Oded
Grajew é diretor-presidente do Instituto Ethos de
Empresas e Responsabilidade Social e presidente do Conselho
de Administração da Fundação
Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente
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