Índice
Carta ao leitor
Apresentação
  O Brasil já conta com cerca de 20 milhões de voluntários  
  O que leva as pessoas a sair de casa e ajudar o próximo  
  Algumas entidades filantrópicas são maiores que grandes empresas  
  Stephen Kanitz - O importante é começar  
  Iniciativa privada investe na comunidade  
  Mais da metade das companhias já desenvolvem projetos sociais  
  Oded Grajew - O futuro está em nossas mãos  
  A transformação da filantropia ao longo dos séculos  
  Alguns doam uma hora por semana. Outros dedicam a vida inteira  
  Zilda Arns - Os príncipes e os mendigos  
  Com a doação via internet, até os mais preguiçosos podem fazer o bem  
  Comunidade Solidária muda a atuação do governo na área social  
 

Guia rápido da cidadania
. Informe-se sobre a quem ajudar
. Não dê dinheiro apenas. Participe
. Fique de olho nos picaretas

 
  Você possui credenciais para iniciar um projeto social próprio?  
  Atividades artíticas transformam a vida de crianças carentes  
  Principais campanhas filantrópicas nacionais  
  Escolha a quem ajudar na lista de 431 instituições filantrópicas selecionadas por VEJA  
  Milu Villela - Começamos a década do voluntariado  
  Como as pessoas ajudam e como outras são ajudadas  
EXCLUSIVO ON-LINE
  O vale-tudo das entidades para arrumar dinheiro junto à sociedade  
  O terceiro setor tornou-se um mercado de trabalho atraente  
  Dos Estados Unidos à Turquia, cresce a legião de voluntários no planeta  
  Conheça alguns famosos que emprestam sua imagem para impulsionar campanhas filantrópicas, dão contribuições em dinheiro e fundam organizações não-governamentais  
 

 

 
 
Raul Junior


OPINIÃO .
Oded Grajew

O futuro está em nossas mãos

Enquanto não formos socialmente responsáveis,
não vamos enriquecer

O Brasil está entre as dez maiores economias do mundo. Empresas modernas e sofisticadas operam em seu território. Mas o país é um dos campeões mundiais da desigualdade social. Os 10% mais ricos ficam com 50% da renda, enquanto os 10% mais pobres detêm apenas 1%. Os índices de violência crescem a taxas anuais superiores a 10%. A indústria da segurança já representa 7% do PIB. De 1996 para cá, a produção de carros blindados multiplicou-se por 10. A maior empresa do setor, sozinha, deverá blindar neste ano quase tantos carros quanto EUA e Europa juntos. No passado, o Brasil recebeu milhões de imigrantes que buscavam uma vida melhor. Hoje, milhares de brasileiros emigram à procura de melhores oportunidades de vida e trabalho. Parece que há algo profundamente errado em nossa sociedade. O que mais surpreende é o fato de essa situação não ser fruto de uma catástrofe imprevista, mas de muitos anos de inconsciência, conivência e inércia da sociedade. Para mudar isso, é fundamental que surja uma consciência que leve a novas posturas e ações. O setor empresarial é poderoso. Possui imensos recursos financeiros, tecnológicos e econômicos. O faturamento das dez maiores empresas mundiais supera o PIB somado de Brasil, Argentina, México, Venezuela, Colômbia e Chile. A mídia, a indústria cultural e artística e a propaganda são controladas em sua quase totalidade pelo setor privado. Formam valores culturais e influenciam o comportamento da população. As empresas exercem grande influência política. Financiam campanhas eleitorais e têm acesso privilegiado aos governantes.


Alê Setti

Henry Ford, no início de suas atividades empresariais, dobrou o salário de seus funcionários. Queria ter trabalhadores motivados e competentes e consumidores com poder de compra. Foi expulso da associação dos empresários de Detroit, acusado de ser comunista e inimigo do capitalismo. No Brasil, muitos empresários estão percebendo que não é mais compatível a convivência entre empresas prósperas e uma sociedade deteriorada. A degradação ambiental, a péssima distribuição de renda, a baixa qualidade dos serviços públicos, a violência e a corrupção representam uma real ameaça para as atividades empresariais. Consumidores empobrecidos, trabalhadores de baixa escolaridade, infra-estrutura social e ambiental precária e governantes corruptos sufocam as atividades produtivas.

O poder do setor empresarial implica responsabilidade. Apenas a responsabilidade social é capaz de promover uma drástica transformação no quadro humano e ambiental brasileiro. É necessária uma mudança também nas prioridades da agenda da sociedade, colocando em primeiro lugar os temas sociais. As empresas devem atuar de forma socialmente responsável, tratando funcionários, clientes, fornecedores, concorrentes, acionistas, governo e comunidade com respeito e dignidade. O exemplo é fundamental. Em sua comunicação, as empresas podem e devem ajudar na formação de valores de responsabilidade social. Com seu poder político, as empresas podem e devem influenciar para que as políticas públicas sejam conduzidas de forma ética, priorizando os valores humanos. São as políticas públicas, pela escala e universalidade, que determinam o quadro social em qualquer país do mundo.

Alguns acreditam na imortalidade do homem, outros não. O fato é que agimos durante a nossa existência, mas as conseqüências de nossas ações duram muito mais que a nossa vida. O que está em jogo e em nossas mãos é o destino da humanidade, de nosso país e, certamente, a vida de nossos filhos.

 

Oded Grajew é diretor-presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e presidente do Conselho de Administração da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente

 
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