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OPINIÃO
. Stephen Kanitz
O importante
é começar
Uma sociedade
somente será de fato cidadã se
seus participantes forem atuantes na área social
Um
dos conceitos que os governos brasileiros abraçaram com vigor
no passado foi a idéia de que a responsabilidade social era
exclusiva do Estado e do governo. Chegamos a adotar a frase "Tudo
pelo Social" como a única função relevante
do Estado, dando início ao processo de privatizações
em todas as demais áreas de atuação do Estado
não-essenciais a essa função. Desde então,
como conseqüência, aumentaram-se drasticamente os impostos.
Mas, apesar de pagarmos 15% de imposto de renda, 28% de INSS, 8%
de FGTS, 21% de ICMS, 11% de IPI e mais 38 impostos, totalizando
quase metade de nossos salários, nunca este país teve
tanta exclusão e tantos problemas sociais como agora. Por
isso, de alguns anos para cá tem crescido um movimento que
acredita que talvez fosse melhor se a sociedade e a comunidade cuidassem
da área social, diante da incapacidade do Estado de resolver
essas pendências.
Alê Setti
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Cresce
a cada dia o número de ONGs que advogam que a responsabilidade
social é das empresas e não do Estado, e nunca se
viram tanta atividade e resultados nesse setor como ultimamente,
a ponto de estarmos publicando pela primeira vez uma edição
especial da revista VEJA dedicada à filantropia. Cresce também
a noção de que a responsabilidade social no fundo
é do ser humano, do indivíduo, por meio do trabalho
voluntário, da filantropia, das fundações criadas
por acionistas das grandes empresas. E é benéfico
para todos que seja assim. Uma sociedade somente será cidadã
se seus participantes forem atuantes na área social de forma
mais proativa do que simplesmente como contribuintes. Pagar os impostos
e deixar todos os problemas sociais para o governo é um modo
cômodo de não-envolvimento. Quando o indivíduo
faz uma doação, ele descobre que a filantropia é
um prazer e não somente uma obrigação. Se você
nunca sentiu esse raro prazer, comece a descobrir as inúmeras
formas de fazê-lo. Você pode ajudar as maiores entidades
por área de atuação, ou as melhores entidades
e fazê-las crescer. Se você é advogado, engenheiro,
administrador ou um craque em recursos humanos, marketing ou nutricionismo,
você pode se cadastrar em alguma instituição
que precise de sua competência ou descobrir no site
www.filantropia.org,
por exemplo de quais profissionais algumas entidades estão
precisando hoje mesmo. Se você nunca doou um tostão
a uma associação beneficente, comece já com
um donativo, por menor que seja. Faz parte do processo de aprendizado.
As estatísticas mostram que a filantropia segue o ciclo de
vida:
1. Quando
jovem se é voluntário.
2.
No início da carreira, o tempo escasseia, o dinheiro
é curto e não se faz mais nada para o social.
3.
Com a primeira promoção, começa o
primeiro donativo, ainda pequeno, para a entidade da qual você
deixou de ser voluntário.
4.
As doações aumentam com os bônus e
a ascensão na carreira.
5.
Com a aposentadoria, volta-se ao trabalho voluntário,
com mais responsabilidade.
6.
Com a morte, vem a maior parte dos donativos, entre 5%
e 10% do patrimônio como herança.
Nem todos entram na etapa 1 do ciclo de vida, mas o importante é
começar.
Stephen
Kanitz é professor da Faculdade de Economia, Administração
e Contabilidade
da Universidade de São Paulo, articulista de VEJA e
criador do site www.filantropia.org
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