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Este
sorriso não tem preço
O
que leva as pessoas
a sair de
casa e ajudar o próximo
Antonio Milena

Isabelle,
3 anos, teve aulas de pintura quando ficou internada no Hospital
da Criança, em São Paulo, graças ao Projeto Carmim |
A
sensação de prazer que resulta do trabalho voluntário
é algo tão notável que a ciência tratou
de fazer um mergulho no assunto. Um dos trabalhos mais curiosos
nesse campo foi produzido pela Universidade de Michigan. Os pesquisadores
estudaram centenas de casos durante vários anos e concluíram
que há uma relação direta entre sentir-se útil
socialmente e a longevidade. A Universidade Harvard decidiu ir mais
longe e apresentou a um grupo de universitários um documentário
sobre o trabalho de Madre Teresa de Calcutá. Depois da exibição,
ainda sob o efeito da comoção provocada pelo filme,
os alunos tiveram a saliva submetida a um exame laboratorial. Em
boa parte dos estudantes, verificou-se aumento de anticorpos que
combatem infecções respiratórias. A ciência
é assim mesmo. Ela busca uma relação físico-química
para tudo, até mesmo para o ato de fazer o bem. O curioso
é que encontrou. A explicação pode ter contornos
técnicos, mas a taxa de alegria sentida por quem ajuda os
outros é algo que só os envolvidos podem descrever
com mais precisão. Não é por acaso que muitos
voluntários consideram essa atividade uma terapia que levanta
o ânimo e ajuda a evitar a depressão.
Oscar Cabral

A
professora carioca Altímede Monteiro mantém uma creche no Morro
do Cantagalo, no Rio: "Adormeço pensando nas crianças" |
"Vou para a cama pensando no dia seguinte e no carinho que receberei
das crianças", conta a professora aposentada Altímede
Costa Monteiro, que dá aulas para filhos de famílias
carentes do Morro do Cantagalo, no Rio de Janeiro. É assim
que ela encontra prazer e motivação para manter-se
ativa aos 74 anos. A artista plástica Maria Cristina Viegas
de Macedo, que tem metade da idade de Altímede, também
já busca na prática solidária o aprendizado
para a própria vida. "Ao conhecer os limites da tolerância
alheia às adversidades, muito mais amplos que os meus, eu
me fortaleço", diz Maria Cristina, que dá aulas de
pintura para internos do Hospital das Clínicas e do Hospital
da Criança, em São Paulo. "Certamente aprendo muito
mais do que ensino."
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