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Como as pessoas
ajudam e...
...como outras são ajudadas
Selmy Yassuda

Rafael
Nogueira Barcelos,
18
anos, Rio
de Janeiro, RJ |
''Não conheci meu pai. Perdi meu padrasto aos 8 anos.
Fugi de casa e fiquei nas ruas por seis meses, pedindo esmola.
Depois fui para uma instituição para menores
carentes em Cabo Frio e fiquei ali dos 13 aos 17 anos. Lá
eu conheci o músico Ângelo Correia dos Santos,
que tinha um projeto chamado Apanhei-te Cavaquinho. Comecei
a estudar música com ele. Um dia o músico Turíbio
Santos visitou o projeto e me convidou para fazer um
teste. Ganhei uma bolsa de estudo e estou aprendendo violino.
Trabalho como boy de manhã e estudo música à
tarde. Quero ser advogado e morar nos Estados Unidos.''
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Fernando Vivas

Edna
Passos,
62
anos, Salvador,
BA |
''A banda de meus filhos foi convidada a tocar em um presídio.
Fui
com eles e desde então passei a trabalhar com presidiários.
Nas visitas semanais, faço trabalhos de recreação
com canto e coral. Fico penalizada principalmente pelos que
são do interior. A carência afetiva deles foi
o que mais me motivou. Os presos fazem parte da sociedade
mais marginalizada. Aprendi que ninguém é ruim
por seu gosto. Aprendi a ser mais humana e mais humilde.''
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Antonio Milena

Esmeralda
Ortiz,
21
anos, São Paulo, SP |
''Meus pais eram alcoólatras. Eu sofria abusos sexuais
do meu padrasto. Na hora em que mais precisava da minha mãe,
ela estava bêbada. Fugi de casa com 8 anos. Fui para
a Febem várias vezes. Roubava, fumava maconha e crack
e cheirava cola. Até que o pessoal do Projeto Travessia
apareceu. Eles me ajudaram a sair da rua e a escrever o livro
Esmeralda, Porque Não Dancei. O que me revolta é
ver que existem tantas Esmeraldas querendo brilhar mas não
têm oportunidade. ''
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Selmy Yassuda

Bárbara
Mosley de Souza,
70 anos, Rio de Janeiro, RJ |
"Cheguei ao Brasil em 1967 com meu marido, que trabalhava
em uma multinacional. Por intermédio da nossa empregada
doméstica, conheci a favela Tavares Bastos. Sou voluntária
há trinta anos e fico feliz por trabalhar com a valorização
da mulher. No Brasil, meu primeiro choque foi ver a situação
da mulher na sociedade, especialmente a das mais pobres. Agradeço
a Deus pela força que me deu e pelo privilégio
de poder ajudar mulheres que tanto enriqueceram a minha vida.''
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Lourdes
Develli Bentos,
28 anos, São Paulo |
''Fiquei
cega ao permanecer muito tempo na estufa para prematuros. No
Instituto Padre Chico, aprendi a andar na rua e a ler em braile.
Formei-me em análise de sistemas, mas arrumar emprego
foi muito difícil. A associação Laramara
ofereceu-me capacitação em informática,
inglês, telemarketing e comunicação. Aprendi
a usar um programa de computador especial para cegos. Trabalhar
é importante para qualquer pessoa. Para os deficientes,
é questão de auto-afirmação.'' |
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Giovani Pereira

Ronaldo
Fraga,
33 anos,
estilista, Belo Horizonte, MG |
''Não há nada pior que a passividade diante
daquilo que precisa ser mudado. Tenho uma preocupação
enorme com o mundo em que meu filho vai nascer. Fiz uma oficina
de criação e moda para vinte crianças
da Febem. Elas contaram suas histórias com estampas
em camisetas. O trabalho foi oferecido a grifes famosas. O
dinheiro vai para os meninos. Descobri grandes talentos.''
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Liane Neves

Maria
Stringhini,
61 anos
Porto Alegre, RS |
''Fiquei viúva e não aceitava a situação.
As pessoas me diziam:
olhe para os lados, vá ajudar alguém. Quando
me apresentei no asilo, achei muito triste. Um dia falei com
um senhor que tinha um violão sem cordas. No dia seguinte
levei cordas e também meu violino, que estava guardado
havia trinta anos. Começamos a tocar e todos vieram
pedir músicas. Voltei a estudar e toco em eventos beneficentes
e asilos. Virei a Maria do violino.''
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Leo Caldas
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| Ramona
Roberta de França Luna, 17 anos, jogadora
de futebol, Recife, PE |
"Aos 15 anos, comecei a usar drogas e a me prostituir.
Minha vida mudou quando conheci a Casa de Passagem, que atende
meninas de rua. Aprendi várias atividades e me apaixonei
pelo futebol. Hoje sou centroavante de um time feminino. Recebo
bolsa de 180 reais por mês. Voltei a estudar e vou lutar
para um dia entrar para a seleção brasileira.
Nunca me esqueço das pessoas que me ajudaram. Graças
a elas, sou feliz."
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Selmy Yassuda

Magalih
Silva Duarte Cardoso,
47 anos, Niterói, RJ |
''Eu me interessei pelo projeto da prefeitura de levar arte
às favelas. Quando fui pela primeira vez, pensei: que
belo nome, Morro do Céu! Mas fiquei chocada. Crianças
sujas, maltrapilhas, lixo. Alma de criança não
combina com uma realidade tão dura. No começo,
as pinturas das crianças eram tristes, sombrias. Mas
aos poucos foram se transformando. Gosto das crianças
como se fossem meus filhos. Elas querem a felicidade e esperam
alcançá-la. No que depender de mim, vão
conseguir.''
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Antonio Milena

Thiago Henrique de Lima,
14 anos,
estudante, São Paulo, SP
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"Minha mãe fumava crack, não tinha emprego,
e meu pai foi assassinado. Fugi com 11 anos e caí no
crack também. Para comprar a droga, limpava vidros
de carros. Minha irmã me falou do projeto de uns educadores,
o Travessia. Fui lá, mas sempre voltava para a rua.
Um dia, diante de um espelho, me vi magro, descalço,
com roupas rasgadas. Voltei ao Travessia e larguei as drogas.
Minha mãe foi encaminhada para tratamento e está
empregada. Estou na 6ª série. Quero ser cantor
de rap."
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Giovani Pereira

Claudino
José dos Santos,
26 anos, Belo Horizonte, MG |
''Tive uma infância pobre e fui abandonado pela minha
família na Febem aos 7 anos. Fugi e fui internado e
preso várias vezes. Meu corpo é marcado por
facadas e tiros. Fui viciado em crack. Larguei as drogas graças
ao apoio de uma instituição para menores. Estudei
e hoje sou diretor de uma casa que recupera meninos. Reencontrei
minha mãe, que me pediu perdão por não
ter tido condições de me criar. Qualquer um
pode mudar. Luto para transformar histórias como a
minha.''
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