Índice
Carta ao leitor
Apresentação
  O Brasil já conta com cerca de 20 milhões de voluntários  
  O que leva as pessoas a sair de casa e ajudar o próximo  
  Algumas entidades filantrópicas são maiores que grandes empresas  
  Stephen Kanitz - O importante é começar  
  Iniciativa privada investe na comunidade  
  Mais da metade das companhias já desenvolvem projetos sociais  
  Oded Grajew - O futuro está em nossas mãos  
  A transformação da filantropia ao longo dos séculos  
  Alguns doam uma hora por semana. Outros dedicam a vida inteira  
  Zilda Arns - Os príncipes e os mendigos  
  Com a doação via internet, até os mais preguiçosos podem fazer o bem  
  Comunidade Solidária muda a atuação do governo na área social  
 

Guia rápido da cidadania
. Informe-se sobre a quem ajudar
. Não dê dinheiro apenas. Participe
. Fique de olho nos picaretas

 
  Você possui credenciais para iniciar um projeto social próprio?  
  Atividades artíticas transformam a vida de crianças carentes  
  Principais campanhas filantrópicas nacionais  
  Escolha a quem ajudar na lista de 431 instituições filantrópicas selecionadas por VEJA  
  Milu Villela - Começamos a década do voluntariado  
  Como as pessoas ajudam e como outras são ajudadas  
EXCLUSIVO ON-LINE
  O vale-tudo das entidades para arrumar dinheiro junto à sociedade  
  O terceiro setor tornou-se um mercado de trabalho atraente  
  Dos Estados Unidos à Turquia, cresce a legião de voluntários no planeta  
  Conheça alguns famosos que emprestam sua imagem para impulsionar campanhas filantrópicas, dão contribuições em dinheiro e fundam organizações não-governamentais  
 

 

 
 

Como as pessoas ajudam e...
...como outras são ajudadas


Selmy Yassuda

Rafael Nogueira Barcelos, 18 anos, Rio de Janeiro, RJ


''Não conheci meu pai. Perdi meu padrasto aos 8 anos. Fugi de casa e fiquei nas ruas por seis meses, pedindo esmola. Depois fui para uma instituição para menores carentes em Cabo Frio e fiquei ali dos 13 aos 17 anos. Lá eu conheci o músico Ângelo Correia dos Santos, que tinha um projeto chamado Apanhei-te Cavaquinho. Comecei a estudar música com ele. Um dia o músico Turíbio Santos visitou o projeto e me convidou para fazer
um teste. Ganhei uma bolsa de estudo e estou aprendendo violino. Trabalho como boy de manhã e estudo música à tarde. Quero ser advogado e morar nos Estados Unidos.''

 


Fernando Vivas

Edna Passos, 62 anos, Salvador, BA


''A banda de meus filhos foi convidada a tocar em um presídio.
Fui com eles e desde então passei a trabalhar com presidiários. Nas visitas semanais, faço trabalhos de recreação com canto e coral. Fico penalizada principalmente pelos que são do interior. A carência afetiva deles foi o que mais me motivou. Os presos fazem parte da sociedade mais marginalizada. Aprendi que ninguém é ruim por seu gosto. Aprendi a ser mais humana e mais humilde.''

 


Antonio Milena

Esmeralda Ortiz, 21 anos, São Paulo, SP


''Meus pais eram alcoólatras. Eu sofria abusos sexuais do meu padrasto. Na hora em que mais precisava da minha mãe, ela estava bêbada. Fugi de casa com 8 anos. Fui para a Febem várias vezes. Roubava, fumava maconha e crack e cheirava cola. Até que o pessoal do Projeto Travessia apareceu. Eles me ajudaram a sair da rua e a escrever o livro Esmeralda, Porque Não Dancei. O que me revolta é ver que existem tantas Esmeraldas querendo brilhar mas não têm oportunidade. ''

 

Selmy Yassuda

Bárbara Mosley de Souza,
70 anos, Rio de Janeiro, RJ


"Cheguei ao Brasil em 1967 com meu marido, que trabalhava em uma multinacional. Por intermédio da nossa empregada doméstica, conheci a favela Tavares Bastos. Sou voluntária há trinta anos e fico feliz por trabalhar com a valorização da mulher. No Brasil, meu primeiro choque foi ver a situação da mulher na sociedade, especialmente a das mais pobres. Agradeço a Deus pela força que me deu e pelo privilégio de poder ajudar mulheres que tanto enriqueceram a minha vida.''

 

   

Lourdes Develli Bentos, 28 anos, São Paulo
''Fiquei cega ao permanecer muito tempo na estufa para prematuros. No Instituto Padre Chico, aprendi a andar na rua e a ler em braile. Formei-me em análise de sistemas, mas arrumar emprego foi muito difícil. A associação Laramara ofereceu-me capacitação em informática, inglês, telemarketing e comunicação. Aprendi a usar um programa de computador especial para cegos. Trabalhar é importante para qualquer pessoa. Para os deficientes, é questão de auto-afirmação.''

 


Giovani Pereira

Ronaldo Fraga, 33 anos,
estilista, Belo Horizonte, MG


''Não há nada pior que a passividade diante daquilo que precisa ser mudado. Tenho uma preocupação enorme com o mundo em que meu filho vai nascer. Fiz uma oficina de criação e moda para vinte crianças da Febem. Elas contaram suas histórias com estampas em camisetas. O trabalho foi oferecido a grifes famosas. O dinheiro vai para os meninos. Descobri grandes talentos.''

 


Liane Neves

Maria Stringhini, 61 anos
Porto Alegre, RS


''Fiquei viúva e não aceitava a situação. As pessoas me diziam:
olhe para os lados, vá ajudar alguém. Quando me apresentei no asilo, achei muito triste. Um dia falei com um senhor que tinha um violão sem cordas. No dia seguinte levei cordas e também meu violino, que estava guardado havia trinta anos. Começamos a tocar e todos vieram pedir músicas. Voltei a estudar e toco em eventos beneficentes e asilos. Virei a Maria do violino.''

 


Leo Caldas
Ramona Roberta de França Luna, 17 anos, jogadora de futebol, Recife, PE


"Aos 15 anos, comecei a usar drogas e a me prostituir. Minha vida mudou quando conheci a Casa de Passagem, que atende meninas de rua. Aprendi várias atividades e me apaixonei pelo futebol. Hoje sou centroavante de um time feminino. Recebo bolsa de 180 reais por mês. Voltei a estudar e vou lutar para um dia entrar para a seleção brasileira. Nunca me esqueço das pessoas que me ajudaram. Graças a elas, sou feliz."

 


Selmy Yassuda

Magalih Silva Duarte Cardoso,
47 anos, Niterói, RJ


''Eu me interessei pelo projeto da prefeitura de levar arte às favelas. Quando fui pela primeira vez, pensei: que belo nome, Morro do Céu! Mas fiquei chocada. Crianças sujas, maltrapilhas, lixo. Alma de criança não combina com uma realidade tão dura. No começo, as pinturas das crianças eram tristes, sombrias. Mas aos poucos foram se transformando. Gosto das crianças como se fossem meus filhos. Elas querem a felicidade e esperam alcançá-la. No que depender de mim, vão conseguir.''

 

Antonio Milena

Thiago Henrique de Lima, 14 anos,
estudante, São Paulo, SP


"Minha mãe fumava crack, não tinha emprego, e meu pai foi assassinado. Fugi com 11 anos e caí no crack também. Para comprar a droga, limpava vidros de carros. Minha irmã me falou do projeto de uns educadores, o Travessia. Fui lá, mas sempre voltava para a rua. Um dia, diante de um espelho, me vi magro, descalço, com roupas rasgadas. Voltei ao Travessia e larguei as drogas. Minha mãe foi encaminhada para tratamento e está empregada. Estou na 6ª série. Quero ser cantor de rap."

 


Giovani Pereira

Claudino José dos Santos, 26 anos, Belo Horizonte, MG


''Tive uma infância pobre e fui abandonado pela minha família na Febem aos 7 anos. Fugi e fui internado e preso várias vezes. Meu corpo é marcado por facadas e tiros. Fui viciado em crack. Larguei as drogas graças ao apoio de uma instituição para menores. Estudei e hoje sou diretor de uma casa que recupera meninos. Reencontrei minha mãe, que me pediu perdão por não ter tido condições de me criar. Qualquer um pode mudar. Luto para transformar histórias como a minha.''

 
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