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Carta ao leitor
Walter Novaes

Antônio Milena, Ana Silvia, Adriano
Pidone e Tadeu Nogueira (em pé), Alice Lobo, Cley
Scholz e Beatriz Baldim (sentados): quatro meses de trabalho
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Esta
edição especial de VEJA apresenta aos leitores um
resumo ambicioso a respeito de um assunto que merece prioridade
no Brasil de hoje: a filantropia. Financiar ou participar de causas
sociais não é exatamente uma atitude de grande tradição
na cultura brasileira, ou pelo menos não era tão visível
como atualmente. Os levantamentos mais recentes dão como
certo que pelo menos 20 milhões de pessoas atuam como voluntárias,
um exército grandioso. Embora incapaz de acabar com a miséria,
a tropa ajuda a atenuar o sofrimento de milhões de brasileiros.
A mobilização consegue modificar estatísticas
e melhorar nossos indicadores sociais. Não é para
menos. Há entidades filantrópicas que reúnem
mais voluntários que o total de funcionários das maiores
empresas do país. Existem também organizações
muito pequenas, cujos beneficiados cabem numa sala de aula. Mas
o trabalho que desenvolvem é de grande importância,
e todas elas juntas conseguem fazer mais do que qualquer governo
seria capaz.
Esse
retrato do Brasil solidário revela que está em curso
uma revolução no mundo da filantropia. Antigas práticas
assistencialistas perdem espaço para programas mais consistentes,
especialmente no campo educacional. O que não muda é
a vontade de muitos brasileiros de se engajar numa boa causa, diante
da constatação de que os problemas do país
são maiores que a capacidade das autoridades de resolvê-los.
A cada dia surgem novos projetos semelhantes aos abordados aqui.
Para
preparar esta edição, a revista mobilizou uma equipe
de catorze repórteres e treze fotógrafos. Durante
quatro meses, eles visitaram alguns dos principais projetos filantrópicos
do país. Grande parte das iniciativas nasceu e sobrevive
sem apoio oficial. São projetos levados adiante por pessoas
comuns, desenvolvidos com persistência e muita criatividade
e sustentados especialmente pelo espírito solidário,
que independe de idade, credo ou classe social. Em paralelo, VEJA
se impôs uma tarefa igualmente ambiciosa: listar as principais
entidades filantrópicas do Brasil, apresentadas no final
da revista. Todas as instituições foram consultadas
mais de uma vez para detalhar o que fazem, como sobrevivem e quantas
pessoas atendem. Aparecem separadas por região, em ordem
alfabética e com telefone para contato. Atenção:
em todas elas, aceitam-se voluntários.
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