| |
É disso
que o Brasil precisa
O
grau de maturidade econômica de uma sociedade pode
ser aferido com a ajuda de índices conhecidos, como o produto
interno bruto do país. O estágio de maturidade política
também conta com alguns indicadores. Um deles é a
ocorrência seqüenciada de eleições livres,
sem sustos nem sobressaltos. E como descobrir o grau de maturidade
social de uma nação? Índices que medem a violência
e a criminalidade são úteis para a avaliação.
Mas de um tempo para cá surgiu um dado novo: a taxa de envolvimento
das pessoas com o trabalho social. Não que a filantropia
seja novidade ou invenção moderna. Mas a onda do bem
tornou-se um fenômeno especialmente notável nos últimos
trinta anos.
Nos
países mais civilizados, a presença da filantropia,
também chamada de terceiro setor, é mais perceptível.
Nas nações menos desenvolvidas socialmente, o trabalho
voluntário é mais embrionário. O Brasil está
num meio-termo. Do ponto de vista do resultado financeiro, está
entre os países que menos investem no social. Mas, quando
se analisa o voluntariado pelo exército envolvido, alguma
coisa espantosa está acontecendo. Há milhões
de brasileiros dedicando-se a tarefas sociais, e é em razão
desse trabalho que VEJA decidiu preparar esta edição
especial.
Nos
últimos anos, empresários pegaram firme na questão
da responsabilidade social e até criaram institutos para
ensinar, uns aos outros, como dar eficiência e direção
a seus projetos. Associaram-se em fundações que captam
recursos e orientam trabalhos. Passaram a se relacionar com ONGs
que têm o material humano e as estratégias para alcançar
quem mais necessita. Muitos estimularam seus funcionários
a se envolver em causas sociais. Outros foram estimulados pelos
empregados a olhar para os desfavorecidos. O Brasil tem, segundo
critérios do IBGE, mais de 20 milhões de pessoas vivendo
abaixo da linha de pobreza. Devagarzinho, a tropa de voluntários
pode fazer diferença nos cenários de fome e miséria.
Para
os que recebem ajuda, essa multiplicação de fontes
é bem-vinda, mas ainda está longe de representar uma
solução. Por isso, é preciso divulgar esses
projetos, identificar esses doadores, apontar os pequenos sucessos
que, juntamente com os outros pequenos sucessos, começam
a fazer do Brasil um país diferente.
Esta
edição especial de VEJA foi realizada com esse propósito.
Cumpre um pedacinho da missão de solidariedade que cabe a
todos. É um trabalho jornalístico típico. Joga
luzes sobre alguns anônimos desse mundo e expõe os
bons exemplos. Bem-vindos todos os que quiserem entrar nessa corrente.
|
|