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David Friedlander O atacante Bebeto, José Roberto Gama de Oliveira, 30 anos, é o mauricinho da seleção. Odeia bebida, não fuma e evita badalação. Só usa roupa de griffe e tem mania de comprar relógios e bugigangas eletrônicas. Gosta tanto de carros importados que numa de suas folgas em Los Gatos voltou das compras com o documento de um automóvel Lexus, da Toyota, no bolso. O carro custou 50.000 dólares. Bebeto ficou milionário jogando futebol. Em seu contrato com o La Coruña, da Espanha, embolsa perto de 650.000 dólares por ano. Adora gastar dinheiro, mas cultiva hábitos pacatos. Em casa ele cria um esquilo, um hamster e tem um aquário cheio de peixes. Passa as horas de folga jogando videogame ou assistindo a filmes de luta no vídeo. Bebeto tem 1,77 metro de altura, pesa 66 quilos, tem canelas de cabrito e bíceps de professor de filosofia. É fã de Van Damme e Charles Bronson. Em La Coruña, ele é tratado com reverência e respeito. Os torcedores não permitem que pague a conta nos restaurantes, e um deles, certa vez, deu-lhe um broche de ouro como recompensa por ter sido o artilheiro do time no início de um campeonato. "Bebeto é adorado", diz a mãe, dona Carmem. Ele sempre foi muito paparicado. Quando jogava no Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, tinha um banheiro só para ele no vestiário do clube. Bebeto não é medroso, mas costumava fazer tanta cena quando tomava uma pernada dos adversários que ganhou o apelido de "Bebê Chorão". Casado com Denise, uma ex-jogadora de vôlei, e pai de três filhos, Bebeto gosta mesmo é de sua família. Quando mudou de Salvador para o Rio, contratado pelo Flamengo, levou a mãe e cinco irmãos para morar junto com ele. Apenas o pai e dois irmãos ficaram na Bahia. Durante a Copa, telefonava pelo menos seis vezes por dia para ter notícias. Dentro do gramado, foi autor de uma das imagens mais bonitas da Copa, ao comemorar seu gol contra a Holanda balançando os braços como se estivesse ninando uma criança. A coreografia foi uma homenagem ao seu terceiro filho, Mattheus, nascido dois dias antes. Há onze anos, quando o Flamengo comprou seu passe do Vitória, Bebeto ganhou 12.000 dólares pela transferência e teve um êxtase. "Ele nunca tinha visto tanto dinheiro, não sabia o que fazer com ele", diz Redinalvo Oliveira Moraes, primeiro técnico do jogador. Hoje, quando levanta essa quantia em menos de uma semana só no La Coruña, aplica todo o dinheiro que ganha em imóveis. O jogador chegou a criar, em sociedade com seu irmão Wilson, a Bebeto Promoções, uma firma destinada a vender sua imagem para quem estivesse interessado. A firma não foi em frente, mas Bebeto continua levando muito a sério esses compromissos. Há duas semanas, numa escapada às lojas, ele saiu da concentração vestindo o uniforme completo da cervejaria que o patrocina na Copa. Sua intenção era ser fotografado com a camisa e o boné da empresa. Bebeto desembarcou nos Estados Unidos com uma mágoa e um problema. Ele e a família nunca perdoaram o técnico Sebastião Lazaroni por tê-lo deixado no banco na Copa da Itália, em 1990. Quatro anos depois, foi consagrado como um dos melhores jogadores do campeonato. Num lance de exagero, a imprensa americana chegou a compará-lo, antes da final, a Michael Jordan, o Pelé do basquete. O problema de Bebeto era não ter seu talento completamente ofuscado pelo futebol superior de Romário e sair da Copa como um zé-ninguém. Conseguiu mostrar o que sabe. Leia também: |
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