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Fábio Altman, de Los Angeles Uuufaaa! Que sufoco! Foi nos pênaltis, mas o Brasil chegou lá. A seleção venceu, mas quase matou o Brasil do coração. Foi a primeira vez, em 64 anos de Copa do Mundo, que uma final foi decidida nos pênaltis. O jogo contra a Itália foi uma síntese de todas as angústias sentidas pelos brasileiros durante o campeonato. Uma síntese piorada: 0 a 0 até o fim da prorrogação. O Brasil, naquela cadência conhecida, tocava a bola para lá e para cá à espera de um golpe de sorte ou um rompante de Romário para decidir a parada. A Itália também se repetiu: defendeu-se, à espera de um lance de sorte ou de Roberto Baggio para lhe dar a vitória. Santo Baggio não fez o milagre. Estava com uma perna carunchada desde o começo da Copa. Foi esse futebolzinho que deixou os brasileiros tão ansiosos durante a Copa. Por uma determinação da fé e a prova da aritmética, o brasileiro sentiu-se superior em campo, com razão. Faltava, é verdade, o detalhe do gol. Nos pênaltis, Baresi perdeu o primeiro. Alívio passageiro, já que Márcio Santos chutou mal e Pagliucca defendeu. Novo empate. Albertini em seguida fez o seu. Romário foi lá e compareceu, empatando de novo. Evani colocou vantagem mais uma vez. Branco empatou de novo no 2 a 2. Taffarel, enfim, defendeu o chute de Massaro. Dunga deu um chutaço e marcou. Baggio, a grande esperança, chutou para fora. Brasil tetra!! E os jogadores se lembraram de fazer uma homenagem a Ayrton Senna. O Brasil começou a ganhar o jogo na véspera, e no campo da Itália: a ópera e o macarrão. Na noite de sábado, uma platéia ilustre composta por Frank Sinatra, Gene Kelly, o ex-presidente americano George Bush e o ator Arnold Schwarzenneger ouviu a Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, na voz do tenor espanhol Plácido Domingo. Foi o que bastou para a platéia do Dodgers Stadium se levantar e gritar: "Brasil! Brasil!" Naquela noite, a seleção brasileira comeu macarrão no hotel Marriot. Rico em carboidratos, o macarrão se transforma em energia muscular 24 horas depois. "Eu trouxe vocês até aqui, mas uma final de Copa do Mundo se ganha com o coração e não com táticas: a bola está com vocês", disse Parreira aos jogadores numa preleção no sábado. Os jogadores passaram o sábado e a manhã de domingo da decisão aparentando uma tranqüilidade que não tiveram durante toda a Copa. Romário nem treinou. Ficou na piscina dando mergulhos coreográficos, imitando um golfinho. Os jogadores bateram uma pelada com o goleiro Taffarel na linha. "Eles sabem tudo", dizia Parreira para Zagalo. "Sabem até relaxar na hora certa." E souberam vencer, lavando a alma do Brasil, ainda que nos pênaltis. Depois de tantas desgraças - a corrupção de Collor, o governo Itamar, a morte de Ayrton Senna -, o país levanta a cabeça e comemora ter, de novo, o melhor futebol do mundo. Leia também: |
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