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Fashionistas,
graças a Deus

Erika Palomino
Pedro Rubens
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Eu adoro a moda porque tenho obsessão pelo novo. E,
se a moda pudesse ser definida em uma palavra, ela seria mudança.
Império do efêmero, a moda é uma incansável,
autofágica e ansiosa engrenagem de novidades. Nós,
fashionistas, queremos uma revolução por temporada.
Nem sempre ela acontece, claro. Na maior parte das vezes,
são silenciosas transformações que vão
acontecendo debaixo de nossas barbas, até a explosão
do novo. E ele pode vir a qualquer momento. Daí nossa
necessidade, que beira literalmente o desespero, de estar
dentro da sala de um desfile. Tudo pode acontecer ali, é
possível alguém mudar a história da moda
a qualquer instante.
Em
quinze anos cobrindo moda, tive a oportunidade de presenciar
cenas incríveis, coleções históricas,
o desabrochar de jovens talentos e a emergência de grifes
desconhecidas. Algumas imagens ficaram registradas para sempre
em minha memória. A coleção hippie da
Gucci, que colocaria Tom Ford no mapa, na primeira vez em
que participei da temporada de Milão. Ou a celebração
futurista de Thierry Mugler, com Nadja Auermann como um andróide
e Jerry Hall de Vênus, no desfile de sua retrospectiva,
em Paris. O desfile de formatura de Alexandre Herchcovitch,
com os modelos puxando bonecos de bebês ensangüentados.
O circo fantástico do terror para Alexander McQueen,
em Londres. O esquadrão de clones de Tilda Swinton,
para a dupla holandesa Viktor & Rolf. A coleção
sexy de Miuccia Prada, quando ela abriu o desfile com Eva
Herzigova, até então esquecida top dos anos
90.
Modelos
também definem o Zeitgeist da moda. E eu vi
Linda Evangelista, única, no auge do glamour, e seu
pivô imbatível. Testemunhei o caminhar inigualável
de Naomi Campbell, a insolência adolescente da baixinha
Kate Moss (que depois se tornaria um mito), o rosto perfeito
de Christy Turlington, a sensualidade de Betty Prado, a determinação
de Gisele Bündchen atravessando a passarela. Uma temporada
de moda se faz também da delícia de detectar
uma ou outra celebridade da hora nos desfiles: Madonna, Bruce
Willis (num desfile de Versace), Beyoncé na primeira
fila da brasileira Rosa Chá, em Nova York. Fora da
platéia, as festas da moda respondem por situações
inusitadas, como um memorável fim de noite na casa
de Azzedine Alaïa, um dos magos dos anos 80, no Marais,
informalmente. Nunca vou esquecer. E também Tina Turner,
bem ao meu lado, fervendo no grande baile de Armani. E o lançamento
do perfume da Dior no Lido, com as coristas e o povo fashion
enlouquecido.
Moda
também é stress, e muito. A correria, a pressão
e a competitividade fazem parte desse mundo, tanto quanto
o jet lag, as olheiras e a vida de cigano, sem rotina, sem
horário, sem tempo. Quando tudo dá errado, apela-se
para a máxima dos fashionistas: ora, são apenas
roupas...
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