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Patrulheiras
do
estilo
As
inglesas Trinny e Susannah ensinam,
sem
meias palavras, como
camuflar imperfeições
| Fotos Robins Matthews/reprodução
Riverhead Books |
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Alta,
magra e com pinta de modelo, Trinny Woodall mesmo assim
se vê cheia de defeitos: pernas curtas, seios pequenos,
bumbum grande. E usa a própria imagem para ensinar que,
quando a mulher é desse jeito, 1) blusas curtinhas e decotadas
evidenciam que falta perna no encontro blusa-calça e falta
recheio mais acima, e 2) camiseta larga não disfarça nada
e deforma tudo – e só deve ser usada mesmo para tirar
o pó da casa |
Se
você pensa que os britânicos são discretos,
comedidos nos comentários e pouco interessados em futilidades
como que roupas combinam com o quê, ainda não
conheceu Trinny Woodall e Susannah Constantine, duas senhoras
sem papas na língua que viraram gurus de estilo da
forma mais politicamente incorreta possível: reprovando
sem rodeios o tamanho da barriga e dos seios das outras mulheres
e usando os defeitos do próprio corpo para mostrar
o que é certo e o que é errado. De bronca em
bronca, Trinny e Susannah (T&S, para os íntimos)
viraram celebridades que viajam pelo mundo espalhando a palavra
revelada. Começaram com uma coluna de jornal e hoje
têm uma série de sucesso na televisão,
What Not to Wear ("o que não vestir", batizado
no Brasil de Esquadrão da Moda e exibido pelo
canal a cabo People+Arts), produzida pela BBC, e mais de 1
milhão de livros vendidos pelo mundo. "Nós encontramos
um novo nicho: falar de roupas do ponto de vista da mulher
comum, não das celebridades. O público se identificou
com isso", diz Trinny.
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A
dupla trabalha a partir da muito sensata idéia de que
ninguém nasce com estilo e saber o que vestir é
uma questão de educação, adquirida com
o tempo. Para isso, três coisas são essenciais.
Primeiro, saber o tipo de roupa que acentua as imperfeições
de cada uma e fugir delas como vampiros quando vêem
a luz do sol. Segundo, identificar os cortes e as peças
que disfarçam os pontos fracos, técnica a que
dão o nome de "arte da camuflagem". E, por fim, ter
a preocupação de escolher a roupa certa para
cada ocasião. "Fique nua na frente do espelho e veja
do que você se orgulha, o que acha feio no seu corpo,
o que os homens mais gostam em você. Se precisar, chame
uma amiga bem sincera", recomenda Trinny, a mais falante e
espirituosa das duas. No seu programa de TV, pessoas comuns
são indicadas por amigos um tanto sádicos para
uma recauchutagem de estilo. Os alvos são filmados
secretamente no trabalho, na festinha de família, com
o namorado. Depois, o material é analisado por Trinny
e Susannah no escritório londrino da dupla. Diante
das câmeras, para todo mundo ouvir, elas disparam seus
mísseis verbais sem nenhuma compaixão pelas
fraquezas humanas: "Essa calça deixa o bumbum gigante!",
"Com aquela saia comprida ela parece avó dos filhos!".
A "análise" é repetida frente a frente para
a convidada-vítima, acompanhada de opiniões
bem diretas sobre o que pode ser melhorado neste ponto,
a pobre tem de vestir, e ver detonadas, todas as suas roupas
prediletas, num cômodo com espelhos em toda a volta.
Depois da preleção sobre o que lhe cai bem em
matéria de cores, comprimentos, decotes e outros detalhes,
vem a melhor parte: um cheque de 2 000 libras (o equivalente
a cerca de 10 000 reais) para um novo guarda-roupa, que a
pessoa compra sozinha, mas vigiada a distância por câmeras
conectadas ao escritório de Trinny e Susannah. Invariavelmente,
as duas têm de sair correndo para, já na boca
do caixa, salvar sua cliente de algum escorregão feio
às vezes, sob veementes protestos dela. "É
um programa sobre a delicada relação da mulher
com seu corpo. Por isso, precisa ter humor", diz Trinny.
| Fotosdivulgação/Robins
Matthews |
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Mais
"gente como a gente", Susannah Constantine tem uns bons
quilinhos a mais, um pouco de barriga e seios grandes.
Sabe muito bem disfarçar tudo isso, mas, para efeito didático,
mostra que 1) blusa franzida, de manga fofa, deixa sem
forma até quem já não tem forma, e 2) tecidos que se moldam
ao corpo, e ainda por cima estampados, potencializam todas
as imperfeições |
Com
a mesma franqueza, as apresentadoras falam de seus próprios
defeitos e se criticam mutuamente. A cheinha Susannah, 41
anos e mãe de dois filhos, reconhece ter barriguinha
saltada, seios grandes, pescoço curto e braços
gordos. Magra e alta, Trinny, 40 anos, não tem muito
do que reclamar, mas lista defeitos: perna curta, pouco peito,
bumbum grande. Elas dizem que aprenderam sobre estilo no dia-a-dia,
sem cursos ou grandes técnicas. Trinny atuou no mercado
financeiro, numa empresa onde era a única mulher entre
trinta homens, e em relações públicas
(quando precisou adequar seu guarda-roupa a um salário
apertado). Susannah foi jornalista e circulava em colunas
sociais. Apresentadas por amigos comuns, descobriram que compartilhavam
o mesmo interesse por estilo e começaram a assinar,
em 1996, uma coluna no jornal Daily Telegraph. Não
se consideram ligadas à indústria da moda
não sentam na primeira fila de desfiles, não
são amigas de estilistas, não vestem só
roupas de grife. "Falamos sobre o corpo, não sobre
moda propriamente. Nem sei o que os estilistas fizeram para
esta estação", esnoba Trinny. No mundo de What
Not to Wear, ser estiloso não tem nada a ver com
seguir tendências. Tudo muito combinadinho, criticam,
é sinal de que a pessoa comprou o que a vendedora da
loja empurrou. Festas glamourosas, onde todo mundo quer saber
"de quem" é o vestido, são atraso de vida. "Em
festas, o melhor mesmo é usar sua roupa predileta,
que faça você se sentir linda e segura", aconselham.
Trinny e Susannah nunca estiveram no Brasil, mas acreditam
que a pressão em relação ao físico
esmerado seja maior no país. "Pelo que sei, a cirurgia
plástica é uma obsessão. Um erro
os homens nem notam a diferença. Aprender a se vestir
é a melhor saída", diz Susannah. Pulando de
um estereótipo ao outro, acham também que as
brasileiras têm vantagens em relação às
inglesas: autoconfiança e mais conhecimentos sobre
como valorizar o próprio corpo. Um conselho genérico?
"Agradeçam por ser como são", propõe
Trinny. "Os homens apreciam mais as curvas do que um corpo
de modelo."
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Não,
não e não
Divulgação/Robin
Matthews
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A especialidade de Trinny e Susannah é
ensinar, impiedosamente, o que não usar.
Por exemplo:
Tops
pequenos, que deixam parte da barriga de fora,
são péssimos para quem tem pernas
curtas. Fica parecendo que faltou perna para que
o cós da calça encontrasse o fim
da blusa.
Tentar
esconder gordurinhas da cintura embaixo de camiseta
larga é bobagem. A mulher vira um ser humano
deformado, principalmente se tiver bumbum grande.
Para
quem tem seios grandes, a pior camiseta é
a sem mangas e sem decote, que deixa os seios
iguais a dois balões cheios de água.
Já as sem-seios devem evitar usar corpetes,
que ficam inúteis sem nada para preencher.
Quem
tem bumbum grande, infelizmente, não pode
usar a saia em forma de A da moda, sob o risco
de parecer uma grávida ao contrário.
Pescoço curto pode ser disfarçado
com brinco comprido, gola de camisa levemente
erguida ou decote em V. Gargantilha, jamais.
Férias de praia não são desculpa
para andar mal arrumada. Short fica ótimo
com biquíni, mas horrível se usado
com maiô.
Os melhores investimentos em qualquer guarda-roupa:
um sutiã que seja perfeito para seus seios
e um casaco bem cortado, que esconda todos os
seus pecados
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