Índice
Carta ao leitor
Apresentação
Cada uma na sua, todas ótimas

Gloria Kalil
Ruth Malzoni
Patrícia Viotti
Carolina Ferraz
Chiara Gadaleta

Afinal, o que é ser chique?
Roupas sem nenhum juízo
Um Valentino é para sempre
Uma vovó do barulho
Ícone brasileiro
A bolsa de 5.000 dólares
Celeiro de gênios
Movimento de libertação
Reengenharia matrimonial
Deu vontade de experimentar?
Auto-ajuda que funciona
Mulheres que sabem beber
Acionar em ermergências
Palavra de especialistas
Nunca diga nunca usei isso
Profissão: fashionista
 
 
     
 

Patrícia Viotti

Ela não pinta os cabelos e não faz as unhas.
Mas, atenção: a simplíssima Patrícia pode estar
vestindo Saint Laurent, Galliano, Miyake...

 
Pedro Rubens

Ao contrário de toda a reluzente galáxia que gira a sua volta, o nome de Patrícia Viotti não costuma provocar reconhecimento imediato. Casada há dezesseis anos com Washington Olivetto, estrelíssima da publicidade, ela fica bem menos sob os holofotes na sua bem-sucedida carreira de produtora publicitária. A discrição profissional se reproduz no estilo pessoal. Em meio a uma rotina corrida de vôos na ponte aérea, reuniões e eventos, temporariamente interompida pelos cuidados com a primeira gravidez, aos 45 anos (e de gêmeos, para agosto), Patrícia cultiva uma simplicidade quase zen. Passa longe das tinturas – e, assim, a bela cabeleira castanha da juventude já abriga fios assumidamente brancos. Corta com o mesmo cabeleireiro há anos e não faz as unhas das mãos nem dos pés. A maquiagem é minimalista, reduzida a uns toques de rímel e batom. Salto alto, nem pensar. Por trás de tanto despojamento, no entanto, bate um coração enamorado dos grandes nomes da moda. Patrícia guarda verdadeiros tesouros no armário, alguns deles praticamente secretos. Mas, por favor, nada de consumismo ostensivo. São peças discretas, a maioria com muitos anos de praia. Como um vestido de Galliano de dez anos atrás, "muito lindo porque não tem nenhuma costura e se adapta às curvas do corpo"; ou os terninhos bem-cortados de Jil Sander, a imperatriz alemã do estilo clean; ou ainda a tecnológica fluidez que é marca de mestres japoneses como Issey Miyake e Yohji Yamamoto. De todo o acervo, o mais valioso é o vestido da foto acima: o antológico Yves Saint Laurent inspirado na arte abstrata do holandês Piet Mondrian, datado de 1965, uma peça que ocupa lugar de honra na história da moda. É uma reprodução do modelo original, feita sob encomenda quando Saint Laurent anunciou que iria fechar sua maison. "Foi um presente do Washington, de dois anos atrás", conta. E uma celebração de um dos raros momentos em que a moda atingiu o status de obra de arte.

 
Fotos acervo pessoal/Rogério Montenegro/Bia Parreiras
Acervo pessoal